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Mazda RX-7 Veilside de *Velocidade Furiosa: Desafio em Tóquio* vendido por mais de 1 milhão de euros

Carro desportivo laranja com capô preto e placas "Tokyo RX7" em exposição interior moderna.

Há carros que não precisam de ser apresentados, e este Mazda RX-7 Veilside é um desses casos. Pintado num laranja impossível de ignorar, continua a ser imediatamente associado ao carismático Han Lue (Sung Kang) - e ao seu inseparável saco de petiscos crocantes -, tornando-se num verdadeiro ícone da cultura automóvel e do cinema.

Quase duas décadas depois da estreia de Velocidade Furiosa: Desafio em Tóquio, a aura deste RX-7 voltou a ficar bem visível no momento em que foi a leilão e ultrapassou a fasquia do milhão de euros. Foi, até, o primeiro automóvel ligado à saga a atingir este patamar.

O leilão aconteceu no Festival da Velocidade de Goodwood, no Reino Unido, através da prestigiada Bonhams. O martelo caiu nas 911 mil libras, o que corresponde a cerca de 1,052 milhões de euros ao câmbio atual - um resultado muito acima das previsões iniciais.

Porque é que o Mazda RX-7 Veilside é tão especial?

A unidade mostrada nas imagens foi utilizada nas filmagens de Velocidade Furiosa: Desafio em Tóquio, mas, felizmente, não é uma das que acabou destruída. Na prática, isto faz toda a diferença: trata-se de um exemplar com um valor histórico muito superior, precisamente por ter escapado ao destino de tantos carros de cinema usados em cenas mais agressivas.

Mais: este RX-7 é, muito provavelmente, o mais valioso de todos os Veilside associados ao filme, porque foi o único construído pela própria Veilside e também o que foi apresentado no Salão SEMA, em Las Vegas, antes de seguir carreira em Hollywood.

Após o certame, a Universal Pictures adquiriu o automóvel para as filmagens, sendo que este Mazda RX-7 foi o mais utilizado em planos estéticos - isto é, as imagens pensadas para destacar o carro em todo o seu esplendor. Não foi, portanto, o escolhido para cenas de ação, para queimar pneus, para sessões de derrapagem controlada, nem para ser sacrificado.

A combinação entre presença visual, relevância cultural e raridade explica porque há poucos automóveis capazes de rivalizar com o impacto do Mazda RX-7 Veilside, tornando-o num dos colecionáveis mais cobiçados ligados ao filme.

Mazda RX-7 Veilside: base, mecânica e transformação

O ponto de partida deste projeto é um Mazda RX-7 (FD3S) de 1992, com o chassis #111461, equipado com o conhecido motor rotativo 13B-REW biturbo. Ainda assim, o grande protagonista aos olhos de qualquer entusiasta é o conjunto completo de carroçaria Veilside Fortune, que altera por completo as linhas do RX-7 e lhe dá a silhueta extrema que o tornou inesquecível.

O estado de conservação é descrito como excecional, mantendo-se no lugar todos os componentes originais relevantes, incluindo:

  • Volante personalizado
  • Bancos desportivos Bride
  • Conjunto de carroçaria Veilside

Marcas das filmagens e detalhes de autenticidade

Como acontece com alguns dos melhores carros de cinema, também aqui a história está gravada na própria chapa. Permanecem visíveis marcas de antigos suportes de câmaras e, tanto nos painéis das portas como no compartimento do motor e na base do para-brisas, continua a ler-se a inscrição “#71 Hans” - um detalhe que reforça a ligação direta às filmagens.

Revisão, preparação e o toque de RE-Amemiya

Antes de seguir para o Reino Unido, em 2008, este RX-7 foi submetido a uma revisão profunda. A intervenção incluiu:

  • Embraiagem nova
  • Travões revistos
  • Suspensão com amortecedores roscados
  • Sistema de escape Blitz Nur-Spec

O motor rotativo biturbo, de dois rotores, foi reconstruído pelo lendário preparador RE-Amemiya e mantém uma afinação muito próxima da original, com uma potência na ordem dos 280 cv. Para o novo proprietário, isto significa levar para casa não só um automóvel de referência, mas também um fragmento muito concreto da história do cinema automóvel e da cultura japonesa de preparação.

O lugar do RX-7 FD no imaginário dos entusiastas

Mesmo fora do contexto do filme, o RX-7 FD ocupa um espaço especial entre os desportivos japoneses dos anos 1990. O motor rotativo, pela forma como entrega potência e pela identidade técnica pouco comum, ajudou a construir uma reputação que atravessa gerações - e que, em exemplares com proveniência cinematográfica, ganha um peso ainda maior.

O que valoriza um carro de cinema num leilão

Num automóvel como este, o preço não depende apenas de potência, estado geral ou quilometragem: a documentação, a rastreabilidade e os sinais de utilização em produção (como inscrições e pontos de fixação) podem ser tão determinantes como a mecânica. Quando esses elementos se juntam a um modelo já desejado por si só - e ainda por cima com um conjunto Veilside Fortune com histórico público -, o resultado tende a ser uma valorização que ultrapassa largamente o universo “normal” dos clássicos e desportivos.

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