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Grupo Volkswagen e SAIC poderão encerrar fábricas

Interior de fábrica com carro branco rodeado por braços robóticos e computador portátil numa mesa.

De acordo com a Bloomberg, o Grupo Volkswagen estará a ponderar o encerramento de uma das unidades industriais que opera na China em parceria com a SAIC. Na origem desta possibilidade está a quebra da procura por carros a combustão, o que terá deixado o grupo com excesso de capacidade de produção nas fábricas orientadas para este tipo de motorização.

Entre as instalações referidas surge a fábrica de Nanquim, cujo fecho poderá acontecer já no próximo ano. É nesta unidade que saem da linha de produção o Volkswagen Passat e também alguns modelos da Skoda.

Apesar destes sinais, não existe, para já, qualquer decisão formal anunciada no âmbito desta que é a colaboração mais antiga do Grupo Volkswagen com um parceiro chinês - parceria que, durante mais de duas décadas, ajudou a marca alemã a dominar o mercado local. Hoje, porém, essa liderança passou para outra fabricante chinesa: a BYD.

A fábrica de Nanquim não será, ainda assim, o único caso em avaliação. A mesma fonte indica que uma segunda unidade, em Ningbo, dedicada à produção de vários modelos da Skoda, tem permanecido parada nos últimos meses e também poderá vir a “fechar portas”.

Questionada pela Bloomberg, a Volkswagen China respondeu que “todas as fábricas da Volkswagen e da SAIC estão a operar normalmente tendo em conta as exigências do mercado”. E a principal exigência, pelo menos no contexto chinês, aponta cada vez mais para os veículos elétricos.

A pressão sobre as fábricas de combustão não decorre apenas da procura: resulta também da rapidez com que os construtores têm de reajustar linhas de montagem, cadeias de fornecimento e portefólios para responderem à transição tecnológica. Quando esta mudança acelera num curto espaço de tempo, a capacidade instalada para motores convencionais pode tornar-se excedentária antes de ser possível reconvertê-la de forma eficiente.

Além disso, o ambiente competitivo na China tornou-se mais agressivo, com marcas locais a ganhar escala, a encurtar ciclos de desenvolvimento e a colocar no mercado propostas elétricas mais variadas. Neste contexto, grupos internacionais como o Grupo Volkswagen enfrentam o desafio de manter volumes enquanto realinham a sua presença industrial e comercial para um mercado que privilegia cada vez mais a eletrificação.

China cada vez mais EV: Grupo Volkswagen e SAIC perante a mudança

Se na Europa várias marcas foram “apanhadas de surpresa” com o arrefecimento da procura por elétricos, na China a adoção desta tecnologia aparenta ter acelerado de forma súbita. Ainda assim, há sinais de crescimento do lado da Volkswagen: no ano passado, as suas vendas de elétricos aumentaram 23%, atingindo 190 820 unidades.

Um exemplo recente do dinamismo chinês aconteceu em agosto, mês em que as vendas de veículos elétricos e híbridos no país subiram 43%, totalizando 1,03 milhões de unidades. Já na Europa, no mesmo período, as vendas de elétricos e de híbridos de carregamento externo (plug-in) caíram 36% e 22,1%, respetivamente, de acordo com a ACEA.

Fonte: Bloomberg

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