Com a chegada do fim do ano, voltam a surgir os habituais balanços do mercado automóvel em Portugal. E, olhando para os números publicados pela ACAP, a conclusão é clara: 2018 foi um ano globalmente muito favorável nas vendas de automóveis novos, com alterações relevantes na hierarquia das marcas com melhor desempenho no nosso país.
Em comparação com 2017, o mercado cresceu 2,7% (ou 2,6%, caso se incluam também os veículos pesados). Na prática, isso traduziu-se na comercialização de 267 596 unidades (ou 273 213, contando com os pesados). Ainda assim, o fecho do ano não foi homogéneo: dezembro de 2018 registou uma descida de 6,9% (incluindo pesados) face ao mesmo mês de 2017.
Esse abrandamento de dezembro foi transversal a todos os segmentos: ligeiros de passageiros (−5,3%), comerciais ligeiros (−11,1%) e pesados (−22,2%). Esta quebra veio reforçar uma tendência de queda iniciada em setembro, coincidindo com a entrada em vigor do WLTP, e que já se prolongava há quatro meses.
Vale a pena enquadrar este efeito: o WLTP (procedimento de ensaio harmonizado a nível mundial) alterou a forma como consumos e emissões são aferidos, obrigando a processos de certificação e de homologação mais exigentes. Em muitos mercados - incluindo Portugal - este tipo de transição tende a provocar oscilações temporárias nas matrículas e nas entregas, com impactos mais visíveis precisamente nos meses seguintes à mudança.
Para consumidores e empresas, estes movimentos também têm implicações práticas: em períodos de alteração regulamentar, podem surgir ajustes de stock, mudanças na disponibilidade de versões e alterações no calendário de entregas, o que influencia o timing de compra, a escolha de motorização e até as condições comerciais praticadas pelos importadores e concessionários.
Marcas mais vendidas em Portugal (ACAP)
No topo das marcas mais vendidas em 2018 voltou a estar a Renault. Considerando em conjunto as vendas de ligeiros de passageiros e comerciais ligeiros, o pódio foi totalmente francês: Peugeot em segundo e Citroën em terceiro. Já a Volkswagen teve uma quebra significativa na tabela, ao passar do 3.º lugar em 2017 para o 9.º lugar em 2018.
Se, em vez disso, se contabilizarem apenas os ligeiros de passageiros (excluindo comerciais ligeiros), Renault e Peugeot mantêm-se no pódio, mas a Citroën desce para a 7.ª posição. O lugar no pódio é então ocupado pela Mercedes-Benz, que em 2018 consolidou uma trajetória de crescimento: +1,2%, somando 16 464 unidades vendidas no ano.
A classificação das 10 marcas mais vendidas (ligeiros de passageiros + comerciais ligeiros) ficou definida da seguinte forma:
| Posição | Marca | Unidades |
|---|---|---|
| 1 | Renault | 39 616 |
| 2 | Peugeot | 29 662 |
| 3 | Citroën | 18 996 |
| 4 | Mercedes-Benz | 17 973 |
| 5 | Fiat | 17 647 |
| 6 | Nissan | 15 553 |
| 7 | Opel | 14 426 |
| 8 | BMW | 13 813 |
| 9 | Volkswagen | 13 681 |
| 10 | Ford | 12 208 |
Vencedores e vencidos
No capítulo do crescimento, o destaque mais expressivo pertence, sem margem para dúvida, à Jeep. A marca do grupo FCA teve, em Portugal, uma subida de 396,2% face a 2017 (considerando ligeiros de passageiros e mercadorias). Em números, passou de 292 unidades vendidas em 2017 para 1449 unidades em 2018, o que equivale a quase quadruplicar o volume.
Entre as marcas que integraram o Top 10 nacional em 2018, a que mais progrediu em termos de crescimento foi a Fiat, com +15,5% nas vendas de veículos ligeiros e ligeiros de mercadorias. Merecem igualmente referência a Nissan e a Citroën, com aumentos de 14,5% e 12,8%, respetivamente.
Observando o Top 10 (ligeiros de passageiros + mercadorias), verifica-se que apenas quatro marcas apresentam variação negativa: BMW (−5,0%), Opel (−4,2%), Mercedes-Benz (−0,7%) e Volkswagen (−25,1%). A Ford, por sua vez, não supera o ritmo do mercado, mas acompanha-o, ao registar +2,7%, em linha com o crescimento global.
À semelhança do que já tinha acontecido em 2017, as marcas de volume do grupo Volkswagen continuaram a descer no seu conjunto. Com a exceção da SEAT (+16,7%), a Volkswagen (−25,1%), a Skoda (−21,4%) e a Audi (−49,5%) registaram quedas nas vendas. Também a Land Rover apresentou recuo, com uma descida de 25,7%.
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