Em 2026, o Imposto Único de Circulação (IUC) passa a ser cobrado logo no começo do ano. Até aqui, este imposto era, regra geral, pago no mês da matrícula do veículo; contudo, com a alteração ao calendário fiscal aprovada na legislatura anterior, o pagamento deixa de depender da data de matrícula e passa a ocorrer no arranque do ano, para todos os veículos. Neste artigo explicamos o novo calendário do IUC, incluindo a possibilidade de o liquidar em prestações.
Esta mudança tem gerado contestação, sobretudo entre os proprietários cujo IUC costuma vencer nos últimos meses do ano. Na prática, com o novo calendário, estas pessoas deixam de pagar “daqui a 12 meses” e podem passar a ter de pagar em poucos meses, devido ao acerto do calendário.
Por sua vez, o Governo sustenta que esta simplificação tende a diminuir a probabilidade de pagamentos fora de prazo - que implicam juros - e a reforçar a previsibilidade fiscal para os contribuintes. Acrescenta ainda que esta sobreposição de prazos acontece apenas no primeiro ano de aplicação do novo modelo.
Quantos milhões rende o pagamento do IUC em Portugal
Apesar de muitas vezes não receber grande atenção, o IUC representa uma fonte de receita importante para o Estado. Em 2024, este imposto gerou 511 milhões de euros, o que corresponde a 5% da receita fiscal proveniente do setor automóvel, que totalizou 10,9 mil milhões de euros (fontes: ACAP e DGO).
Estes valores ajudam a enquadrar o peso económico do setor automóvel em Portugal. No conjunto, os impostos associados aos veículos - desde o IVA ao ISV, passando pelo IUC - perfazem 17,8% do total da receita fiscal do Estado.
Quase um em cada cinco euros de impostos cobrados em Portugal tem origem, direta ou indireta, no setor automóvel.
Um aspeto prático a ter em conta é que, ao concentrar o pagamento no início do ano, muitos agregados poderão querer planear melhor a tesouraria. Se existir opção de pagamento em prestações, essa modalidade pode ser útil para distribuir o encargo ao longo do tempo, evitando um impacto mais pesado num único mês.
Também é recomendável confirmar com antecedência os dados do veículo e a situação do imposto, para reduzir o risco de esquecimentos e de custos adicionais. Pagamentos fora do prazo podem traduzir-se em encargos extra, pelo que a organização no início do ano ganha ainda mais relevância com o novo calendário do IUC.
Quem deve pagar o Imposto Único de Circulação (IUC)
A obrigação de pagar o IUC recai sobre quem for proprietário do veículo a 31 de dezembro do ano anterior. Isto significa que, mesmo que venda o automóvel nos primeiros dias de janeiro, o imposto referente a 2026 continua a ser devido por quem constava como titular no final do ano anterior.
Outra regra importante: a cobrança do IUC não depende de o veículo circular. Mesmo que o carro esteja imobilizado - por exemplo, guardado na garagem ou a aguardar reparação - o imposto é cobrado todos os anos. A exceção mantém-se para os veículos 100% elétricos, que continuam isentos deste imposto.
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