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Plano de restruturação deu à Nissan resultados melhores que o previsto

Carro desportivo elétrico branco da Nissan com design futurista e detalhes em azul, exposto numa sala moderna.

A Nissan considera “imperativo pôr em prática o plano Re:Nissan”, afirmou Jeremie Papin, diretor financeiro do grupo, ao apresentar as contas do 1.º trimestre do ano fiscal de 2025/2026. Apesar de a empresa ter registado perdas, o programa de reestruturação já em curso ajudou a limitar a dimensão do impacto.

Sendo uma empresa japonesa, importa lembrar que o ano fiscal da Nissan não segue o ano civil: começa em abril e termina em março do ano seguinte.

Entre abril e junho de 2025, a Nissan viu as vendas globais recuarem 10,1%, para cerca de 707 mil veículos, e apresentou um prejuízo operacional de 79 mil milhões de ienes (aproximadamente 460 milhões de euros, ao câmbio atual). No mesmo intervalo do ano anterior, o grupo tinha conseguido um resultado operacional positivo de mil milhões de ienes (cerca de 5,8 milhões de euros).

Ainda assim, com uma margem operacional de -2,9%, as perdas ficaram bastante abaixo do cenário inicialmente apontado - 200 mil milhões de ienes (cerca de 1,169 mil milhões de euros) - graças ao plano de reestruturação. A redução de custos fixos e uma melhoria na combinação de vendas contribuíram para este desfecho.

Num contexto em que a indústria automóvel enfrenta pressão simultânea em preços, eletrificação e custos de fabrico, a Nissan procura acelerar decisões operacionais e financeiras. Ao mesmo tempo, a evolução do câmbio e a incerteza nas cadeias de fornecimento continuam a ter peso nas previsões e na gestão do risco.

Plano Re:Nissan da Nissan

Ivan Espinosa, diretor-executivo da Nissan, reforçou a necessidade de recuperar rapidamente a saúde do construtor através do plano de reestruturação Re:Nissan, enumerando iniciativas já implementadas. A meta é clara: voltar à rentabilidade e assegurar um fluxo de caixa positivo na divisão automóvel até ao ano fiscal de 2026.

Para atingir esse objetivo, a empresa avançou com medidas concretas: foram identificadas 4000 ideias para reduzir custos variáveis, estando 1600 já prontas para avançar para implementação.

O alvo global passa por cortar 500 mil milhões de ienes (2,92 mil milhões de euros) em custos anuais face ao ano fiscal de 2024. Só no 1.º trimestre, a Nissan reporta poupanças de 30 mil milhões de ienes (175,4 milhões de euros).

Em paralelo, segue em curso a redução ou consolidação de cinco das sete unidades industriais visadas a nível global. Um exemplo recente foi o anúncio do encerramento de uma das duas fábricas no México - a unidade CIVAC, em Morelos -, concentrando a produção na fábrica de Aguascalientes.

“A dinâmica é real e a transformação está em curso”
Ivan Espinosa, diretor-executivo da Nissan

Além do efeito direto na estrutura de custos, a consolidação industrial tende a simplificar processos, reduzir redundâncias e concentrar investimentos em linhas com maior procura. Em contrapartida, estas decisões exigem uma execução cuidadosa para evitar impactos negativos na capacidade de resposta ao mercado e nos prazos de entrega.

Previsões para 2025

Mesmo com resultados trimestrais negativos, a Nissan mantém a previsão de faturação anual nos 12,5 biliões de ienes (aprox. 72,8 mil milhões de euros). Ainda assim, optou por não apresentar estimativas de lucro operacional, lucro líquido ou fluxo de caixa livre, justificando a decisão com a incerteza do atual enquadramento económico, incluindo o efeito das tarifas dos EUA - um dos seus mercados mais relevantes.

Para o 2.º trimestre (julho a setembro), a marca antecipa uma receita consolidada de 2,8 biliões de ienes (aprox. 16,3 mil milhões de euros) e um prejuízo operacional de 100 mil milhões de ienes (aprox. 582 milhões de euros).

A empresa estima, adicionalmente, perdas na ordem dos 300 mil milhões de ienes (aproximadamente 1,7 mil milhões de euros) associadas às tarifas adicionais impostas.

Lançamentos: Micra e Leaf 100% elétricos e o futuro Juke

No plano de produto, a Nissan conta com novidades importantes para reforçar a sua posição: estão previstos o lançamento do Micra 100% elétrico e do Leaf 100% elétrico. No caso do Leaf, a chegada ao mercado está prevista apenas no 2.º trimestre do próximo ano.

Já para 2026, está também agendada a apresentação da nova geração do Nissan Juke, que será igualmente 100% elétrica, alinhando a oferta com a transição energética e com as exigências regulatórias que se intensificam nos principais mercados.

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