Num contexto de prontidão contínua, o Exército do Chile prossegue a intensificar a formação dos seus soldados conscritos e da tropa profissional através de ciclos de instrução que combinam exigência física, controlo mental e domínio técnico. Ao longo de janeiro, várias unidades têm conduzido cursos especializados destinados a consolidar capacidades essenciais, tanto para o combate próximo como para operações especiais em ambientes particularmente complexos.
Curso de Defesa Pessoal Militar na Brigada Motorizada n.º 4 “Rancagua”
Na Brigada Motorizada n.º 4 “Rancagua”, 57 soldados conscritos - homens e mulheres - deram início a uma nova edição do Curso de Defesa Pessoal Militar, inserido no Plano de Instrução e Treino do Serviço Militar Obrigatório. A formação decorre durante duas semanas, com sessões diárias superiores a três horas, e integra efetivos da própria brigada e da 1.ª Brigada Blindada “Coraceros”.
O propósito principal desta etapa é proporcionar aos participantes ferramentas práticas para atuarem com eficácia e segurança em cenários hostis, reforçando em simultâneo a disciplina e o autocontrolo. Segundo o Chefe do Curso, Subtenente Carlos Carmona C., a instrução apoia-se em quatro eixos estruturantes:
- Aptidão física
- Rapidez de reação
- Coordenação motora
- Controlo mental sob pressão
Em conjunto, estes fatores permitem ao soldado responder de forma eficiente perante situações de risco, preservando a iniciativa e a capacidade de dominar o ambiente.
Técnicas e procedimentos de combate próximo
O programa combina técnicas de combate sem armas - como boxe, judo, jiu-jitsu e taekwondo - com conteúdos de combate com armas, incluindo o manuseamento da faca de combate. A formação integra ainda:
- procedimentos de controlo, condução e revista de pessoas;
- manobras de libertação pessoal;
- rotinas orientadas para a aplicação em contexto real de combate próximo.
Para os próprios militares, o impacto não se limita ao plano físico. A soldado conscrita Fernanda Moreno salientou que o treino ajuda a “reconhecer os próprios limites e também a força pessoal”. Já o soldado conscrito Jean Luca Caych O., atualmente instrutor após ter concluído o curso no ano anterior, destacou a importância deste percurso na construção do caráter e no reforço da determinação.
Brigada de Operações Especiais “Lautaro” e o treino avançado em ambientes de alto risco
Em paralelo, no domínio das unidades especiais, a Brigada de Operações Especiais “Lautaro” (BOE) promoveu o Curso de Assalto Aéreo Vertical e o Curso de Mergulhador Autónomo Militar, com apoio da Escola de Paraquedistas e Forças Especiais do Centro de Treino de Operações Especiais (CEOES). Estas atividades enquadram-se no processo permanente de aprontamento operacional, orientado para manter padrões elevados de preparação em militares chamados a operar em cenários de risco acrescido.
A partir do CEOES foi sublinhado que se trata de cursos de elevada exigência técnica e com riscos inerentes, ainda assim indispensáveis para uma unidade de emprego especial. A motivação, o compromisso e a capacidade de trabalhar em equipa surgiram como elementos determinantes para o cumprimento das metas, quer em períodos de paz, quer perante eventuais contextos de crise.
Um aspeto particularmente relevante neste tipo de formação é a cultura de segurança operacional: a padronização de procedimentos, as verificações cruzadas entre pares e a disciplina no cumprimento de medidas preventivas reduzem a probabilidade de incidentes e aumentam a confiança na execução. Em cursos com forte componente técnica, a consistência na aplicação das regras torna-se, ela própria, uma competência operacional.
Curso de Assalto Aéreo Vertical com helicóptero Cougar AS-532
O Curso de Assalto Aéreo Vertical incluiu instrução sobre capacidades técnicas, equipamento e medidas de segurança associadas ao helicóptero Cougar AS-532, culminando com inserções aerotransportadas através da técnica de corda rápida (fast rope), com apoio da Brigada de Aviação do Exército.
Para o soldado conscrito Francisco Acuña, da Companhia de Proteção da BOE, a experiência constituiu um marco: um curso particularmente exigente, que impulsiona a projeção profissional e reforça a convicção de que, muitas vezes, os limites são sobretudo mentais.
Curso de Mergulhador Autónomo Militar: controlo sob pressão em ambiente subaquático
Em simultâneo, outro grupo realizou o Curso de Mergulhador Autónomo Militar, adquirindo competências no manuseamento integral do equipamento de mergulho, na resolução de falhas debaixo de água e na aplicação de procedimentos de segurança.
A componente teórica abrangeu as leis dos gases, a composição do equipamento e as capacidades operacionais, conhecimentos decisivos para atuar com segurança e eficiência em meios subaquáticos. O militar de tropa profissional Diego Saavedra, do Batalhão de Paraquedistas n.º 1 “Pelantaru”, salientou o reforço do autocontrolo, a capacidade de trabalhar sob pressão e o aumento da confiança pessoal proporcionados por este tipo de instrução.
A experiência adquirida nestes contextos tende também a beneficiar a prontidão global da unidade, uma vez que promove rotinas de planeamento, comunicação e avaliação pós-ação. A revisão sistemática do que correu bem e do que deve ser ajustado contribui para uma melhoria contínua e para uma resposta mais consistente em missões exigentes.
Preparação integral para as missões do Exército moderno
Em conjunto, estes cursos evidenciam uma orientação institucional clara: formar soldados com preparação abrangente, aptos a responder em cenários diversos e de elevada exigência. Seja no combate próximo, seja em operações aéreas e subaquáticas, a instrução especializada não só eleva as capacidades operacionais, como também consolida valores estruturantes - disciplina, autocontrolo e espírito de equipa - indispensáveis ao cumprimento eficaz das missões que o Exército moderno exige.
Fotografias: Exército do Chile.
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