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Bell 407 GXi do Exército Argentino entram pela primeira vez no combate a incêndios florestais na Patagónia

Helicóptero a combater incêndio florestal junto a lago, com três bombeiros a observar mapa.

Os incêndios florestais continuam a atingir extensas áreas do sul da Patagónia argentina, com especial incidência em sectores das províncias de Chubut e Santa Cruz. Perante a progressão das chamas, organismos nacionais, provinciais e municipais mantêm um dispositivo reforçado de meios humanos e materiais para travar o fogo. Neste quadro, o Exército Argentino colocou pessoal e aeronaves ao serviço da resposta, destacando-se a estreia operacional dos helicópteros Bell 407 GXi da Direcção de Aviação do Exército, utilizados pela primeira vez em missões de supressão de incêndios florestais.

Operações na Patagónia com o Sistema Nacional de Gestão do Fogo

Desde o início da semana, dois Bell 407 GXi das Secções de Aviação do Exército de Montanha 6 e 8 têm actuado em apoio directo das tarefas conduzidas pelo Sistema Nacional de Gestão do Fogo, entidade que assegura a coordenação entre brigadas florestais, forças de segurança e outros meios aéreos envolvidos.

As aeronaves - actualmente os únicos exemplares deste modelo em serviço no Exército Argentino - têm sido empregues sobretudo em missões de lançamento de água com helibalde (Bambi Bucket). Até ao momento, o ritmo operacional tem rondado uma média próxima de 70 largadas diárias sobre diferentes focos activos, ajustando a cadência às prioridades definidas no terreno.

Base avançada em Villa Futalaufquen e coordenação interagências

Os dois helicópteros chegaram no domingo, 11 de Janeiro, à base de Villa Futalaufquen, nas imediações do Parque Nacional Los Alerces (província de Chubut). A partir deste ponto, o emprego dos meios tem sido feito sob direcção do Sistema Nacional de Gestão do Fogo, que atribui objectivos, define janelas de actuação e integra o esforço aéreo com as equipas de combate no solo.

Um elemento determinante tem sido o esquema de rotação de tripulações entre as unidades de montanha envolvidas, permitindo sustentar missões longas ao longo do dia, com continuidade operacional. Em ambiente montanhoso, com vento e meteorologia variável - condições típicas desta fase do Verão patagónico - as operações exigem elevada precisão, boa gestão de performance em altitude e coordenação rigorosa com as equipas de terra para reduzir riscos e maximizar a eficácia das largadas.

Formação específica: helibalde e “Long Line” aplicados em cenário real

A utilização dos Bell 407 GXi neste tipo de missão não resulta de improviso. Considerando as capacidades do helicóptero, as tripulações das secções realizaram no ano passado um curso específico no Canadá, focado no emprego de carga externa e de Bambi Bucket.

A formação abrangeu, entre outros conteúdos: - técnicas de “Long Line”; - controlo e estabilização de carga; - procedimentos pré-voo aplicados a operações com carga suspensa; - manuseamento e perfis de largada com helibalde.

Depois, estes conhecimentos foram confirmados através de ensaios e treinos realizados em território argentino, antes do destacamento actual para a Patagónia.

Um marco para a Direcção de Aviação do Exército: aquisição, matrículas e calendário

A entrada dos Bell 407 GXi no dispositivo de combate a incêndios representa um marco para a Direcção de Aviação do Exército. As aeronaves integram uma aquisição conjunta com a Força Aérea Argentina, num total de seis exemplares, ao abrigo de acordos alcançados no final de 2022 com a Canadian Commercial Corporation (CCC), envolvendo um investimento de 32,4 milhões de dólares (USD).

Os helicópteros agora destacados, com as matrículas AE-340 e AE-341, foram oficialmente incorporados em Abril de 2025, numa apresentação realizada em Mendoza, na Secção de Aviação do Exército de Montanha 8. Está ainda prevista a recepção de um terceiro exemplar ao longo de 2026.

Bell 407 GXi: desempenho em altitude, aviónica e substituição dos SA-315B Lama

Concebido para operar em ambientes exigentes como os da Cordilheira dos Andes, o Bell 407 GXi distingue-se por: - aviónica Garmin G1000H NXi; - motor Rolls-Royce 250-C47E/4, com desempenho reforçado; - célula reforçada, adequada a operações em altitude e sob temperaturas extremas.

Este conjunto de características posiciona-o como substituto natural dos veteranos SA-315B Lama, helicópteros que, durante décadas, asseguraram missões críticas em zonas de montanha.

Com uma cabina de 2,4 m³, capacidade para cinco passageiros e dois tripulantes, o Bell 407 GXi pode ser configurado para múltiplas tarefas, incluindo: - evacuação sanitária; - transporte de pessoal; - busca e salvamento; - vigilância; - combate a incêndios.

Além disso, pode receber equipamentos como guinchos de salvamento, gancho de carga externa, sistemas electro-ópticos e helibaldes - valências que estão agora a ser comprovadas num cenário operacional real.

Apoio aéreo alargado: UH-1H e Huey II no transporte e logística

O contributo aéreo do Exército Argentino nas províncias afectadas não se esgota nos Bell 407 GXi. Também foram mobilizados helicópteros Bell UH-1H da Secção de Aviação do Exército 11 e UH-1H Huey II do Batalhão de Helicópteros de Assalto 601, empregues em: - transporte de brigadistas; - reconhecimento aéreo; - apoio logístico.

Estes meios complementam a resposta conjunta destinada a conter os incêndios em áreas como o Parque Nacional Los Alerces (Chubut) e nas imediações de El Chaltén (Santa Cruz).

Sustentação, segurança e impacto operacional no combate às chamas

Num teatro como o da Patagónia, a eficácia do dispositivo aéreo depende tanto das largadas como da sustentação: reabastecimento, pontos de captação de água, manutenção programada e gestão de fadiga das equipas. A selecção de zonas de operação e de trajectos de aproximação é feita para reduzir a exposição a turbulência, fumo denso e alterações repentinas de vento, factores que podem degradar a visibilidade e afectar a estabilidade da carga suspensa.

Há igualmente um impacto directo na capacidade de resposta em terra: quando o apoio aéreo consegue “segurar” o avanço do fogo em determinados flancos, as equipas de combate no solo ganham tempo para consolidar linhas de contenção, proteger infra-estruturas e reforçar perímetros, sobretudo nas zonas com vegetação densa e acessos limitados.

Uma estreia que reforça a protecção civil e valida a modernização

O destacamento actual na Patagónia é, ao mesmo tempo, uma contribuição concreta para a emergência em curso e o “baptismo” operativo de uma nova geração de helicópteros na Direcção de Aviação do Exército. Na prática, começa a ficar demonstrado no terreno o retorno de um investimento pensado tanto para a defesa como para o apoio efectivo à comunidade.

Um exemplo recente dessa versatilidade ocorreu poucas semanas antes, quando um Bell 407 GXi da Secção de Aviação do Exército de Montanha 8 participou em operações de busca e salvamento em Mendoza, confirmando a amplitude de missões para as quais a plataforma foi adquirida.

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