O Governo dos Estados Unidos deu luz verde à possível venda de terminais de comunicação multibanda destinados a equipar os novos submarinos nucleares de mísseis balísticos da classe Dreadnought do Reino Unido, actualmente em fase de construção para a Marinha Real. A informação consta da mais recente notificação do Departamento de Estado ao Congresso dos EUA, no âmbito do programa de Vendas Militares Estrangeiras (FMS), com um valor estimado em 200 milhões de dólares (US$).
Classe Dreadnought: o futuro pilar da dissuasão estratégica do Reino Unido
Com um deslocamento previsto de 17 000 toneladas, a classe Dreadnought está concebida para assumir o papel de elemento central da dissuasão estratégica britânica nas próximas décadas, reforçando a postura de segurança do país a partir das profundezas do oceano.
A classe será composta por quatro submarinos e foi planeada para substituir os actuais submarinos da classe Vanguard ao serviço da Marinha Real. A construção decorre em várias unidades industriais no Reino Unido, sob liderança da BAE Systems.
Entre os desenvolvimentos mais recentes, registam-se: - o assentamento da quilha do primeiro navio da série, o HMS Dreadnought, no início de Março; - o arranque da construção do quarto submarino, o HMS King George VI, a 23 de Setembro, numa cerimónia oficial em Barrow-in-Furness.
Pedido britânico de AEHF e terminais multibanda adicionais (RTX Corporation)
De acordo com um relatório divulgado a 24 de Novembro pela Agência de Cooperação de Segurança de Defesa (DSCA), o Governo britânico solicitou aos Estados Unidos a aquisição de seis terminais marítimos avançados multibanda adicionais de frequência extremamente alta (AEHF). Este pedido junta-se a dois pedidos anteriores, elevando para oito o total de sistemas de comunicação solicitados para os submarinos - todos fornecidos pela RTX Corporation.
Além dos terminais, o pacote integra diversos itens e serviços de apoio, incluindo: - sistemas de comunicações seguras KGV-136R; - mastros; - contentores; - serviços de instalação e integração; - formação e apoio do fabricante.
Num plano operacional, soluções baseadas em AEHF são normalmente associadas a comunicações por satélite mais resilientes e seguras, permitindo manter ligações críticas mesmo em cenários exigentes. Em programas desta natureza, a compatibilidade entre aliados é frequentemente um requisito central, sobretudo quando se pretende garantir continuidade de comunicações entre plataformas navais e infra-estruturas em terra.
Declarações do Departamento de Estado e interoperabilidade com a OTAN
O Departamento de Estado afirmou:
“Esta venda proposta apoiará a política externa dos EUA e os objectivos de segurança nacional, reforçando a segurança de um aliado fundamental da OTAN, que é uma força importante para a estabilidade política e o progresso económico na Europa.”
Acrescentou ainda:
“A venda proposta aumentará a capacidade do Reino Unido de lidar com ameaças actuais e futuras, garantindo a interoperabilidade das comunicações. O Reino Unido não terá dificuldades em integrar estes itens e serviços nas suas forças armadas. A Marinha Real instalará o sistema NMT a bordo de submarinos da classe Dreadnought para permitir comunicações via satélite AEHF entre instalações terrestres da Marinha Real e do Ministério da Defesa, bem como com navios e submarinos, num ambiente livre de ameaças.”
Em termos de processo, notificações ao Congresso no quadro FMS representam uma etapa formal de supervisão e transparência, enquadrando aquisições internacionais de material de defesa e serviços associados. Este mecanismo tende a facilitar a padronização e a integração de sistemas, sobretudo quando o objectivo passa por assegurar comunicações interoperáveis no seio da OTAN.
Fotografias utilizadas apenas para fins ilustrativos.
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