No final de dezembro passado, a Marinha Italiana iniciou formalmente o procedimento de aquisição para a construção de dois novos contratorpedeiros com mísseis guiados (DDX), um programa que implicará um investimento na ordem dos 2,7 mil milhões de euros por parte de Roma. De acordo com documentação oficial disponível publicamente, o arranque do concurso está marcado para 18 de fevereiro e, à semelhança de outros programas de equipamento do ramo, a Organisation for Joint Armament Cooperation (OCCAR) surge como entidade compradora, em conjunto com a Direzione Nazionale degli Armamenti (DNA).
DDX da Marina Militare: evolução tecnológica e substituição de navios antigos
Os novos navios previstos para a Marina Militare são apresentados, nos documentos oficiais, como uma evolução tecnológica dos navios FREMM EVO. A sua missão passa, desde logo, por substituir unidades já envelhecidas: o ITS Mimbelli e o ITS Durand de la Penne, que entraram ao serviço no início da década de 1990.
Caso o programa avance sem sobressaltos, os dois DDX reforçarão a componente de contratorpedeiros italiana ao lado do ITS Andrea Doria e do ITS Caio Duilio, ambos da classe Orizzonte, introduzida nos anos 2000. Numa perspetiva de médio/longo prazo, é igualmente admitida a possibilidade de aquisição de mais duas unidades DDX, com o objetivo de, mais tarde, virem também a substituir a própria classe Orizzonte.
Origem do programa e financiamento inicial
A intenção de desenvolver e operar novos contratorpedeiros, para robustecer as capacidades de superfície da Itália, remonta ao Documento de Planeamento Plurianual da Defesa publicado em 2020. Esse documento definiu linhas de equipamento e de financiamento para as Forças Armadas no triénio seguinte e, a partir daí, Roma desencadeou estudos para o desenvolvimento e aquisição das embarcações em causa.
Entre as verbas identificadas na fase inicial, constava financiamento proveniente do orçamento regular da defesa, incluindo cerca de 4,5 milhões de euros destinados a atividades de redução de risco.
Calendário revisto e principais características conhecidas
O roteiro inicial apontava para a assinatura de um contrato de produção até 2023 e para a conclusão do primeiro navio em 2028. Contudo, devido à elevada complexidade do esforço de conceção e aos custos associados, esses marcos não foram cumpridos como previsto.
Atualmente, sabe-se que cada navio deverá ter um deslocamento aproximado de 14 000 toneladas e que o foco principal será a defesa aérea. Por esse motivo, uma das características centrais será a instalação de um número elevado de células de sistema de lançamento vertical (VLS) para emprego de mísseis. Segundo informações locais, poderão ser instaladas até 80 células, estando confirmados como lançadores principais os sistemas A-70 e A-50.
Dimensões, guarnição, propulsão, aviação e sensores
Analistas apontam que os navios deverão ter aproximadamente 175 metros de comprimento total, 24 metros de boca e um calado na ordem dos 9 metros. Com estas dimensões, cada unidade poderá acomodar uma guarnição até 300 militares e contar com uma configuração de propulsão CODOGAL, permitindo velocidades a rondar os 30 nós.
Na componente aérea, os DDX deverão dispor de um convés de voo à popa apto a operar um helicóptero EH101. Já no domínio dos sensores, é expectável a integração de um radar rotativo de longo alcance em banda L, semelhante ao instalado no ITS Trieste.
Aspetos complementares: integração operacional e ciclo de vida
Sendo plataformas vocacionadas para defesa aérea, é plausível que o desenho dos DDX privilegie não apenas a potência de fogo proporcionada por VLS, mas também a capacidade de atuar como “nó” de coordenação em cenários de elevada densidade de ameaças, assegurando vigilância, acompanhamento e gestão do espaço aéreo em missões prolongadas no mar. Nessa lógica, o equilíbrio entre sensores, comunicações e combate colaborativo tende a ser tão determinante quanto o número de células disponíveis.
Em paralelo, programas desta dimensão costumam exigir planeamento detalhado para o ciclo de vida (manutenção, disponibilidade e modernizações), bem como uma transição faseada de tripulações e doutrina a partir das classes que os DDX irão substituir. A harmonização de formação, sobressalentes e processos de sustentação pode ter impacto direto na prontidão, sobretudo durante o período em que navios antigos e novos coexistem na força naval.
Imagens usadas para fins ilustrativos – contratorpedeiro da classe Orizzonte Andrea Doria (D 553)
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