Com a modernização da sua frota de superfície como prioridade, a Marinha Real Canadiana está a avançar com a construção do primeiro dos novos contratorpedeiros da classe River, o futuro HMCS *Fraser. Os trabalhos decorrem no estaleiro da *Irving Shipbuilding, em **Halifax (Nova Escócia, Canadá), no âmbito da Estratégia Nacional de Construção Naval (NSS). Nesta fase, o navio encontra-se em montagem, com progressos relevantes na integração de secções estruturais críticas na popa, onde ficarão instalados os sistemas de propulsão e de governo.
Este avanço assinala um momento decisivo no processo de substituição das fragatas da classe Halifax e dos contratorpedeiros da classe Iroquois, já retirados do serviço, consolidando o programa como o mais ambicioso esforço naval levado a cabo pelo Canadá desde a Segunda Guerra Mundial.
Contratorpedeiros da classe River: evolução do antigo Projecto do Combatente de Superfície Canadiano
O programa dos contratorpedeiros da classe River, anteriormente designado Projecto do Combatente de Superfície Canadiano, prevê a construção de quinze navios de nova geração, com base no projecto da fragata Type 26 desenvolvido pela BAE Systems. Estas unidades foram concebidas para actuar num leque muito amplo de cenários, desde operações em alto-mar até ambientes litorais de elevada complexidade.
Em termos de emprego operacional, os navios vão integrar capacidades combinadas de: - guerra antiaérea - guerra anti-submarina - guerra de superfície - busca e salvamento - assistência humanitária - operações de segurança marítima
Primeiras unidades e calendário previsto
O primeiro trio de navios será composto por HMCS *Fraser, *HMCS Saint-Laurent** e HMCS *Mackenzie, nomes escolhidos em homenagem a três grandes rios associados aos espaços Atlântico, Pacífico e Árctico. A entrega do * Fraser ** está prevista para o início da década de 2030, abrindo uma nova etapa na renovação da frota canadiana.
Estado da construção em Halifax
No estaleiro de Halifax, a construção do HMCS *Fraser* já entrou na fase de montagem, com destaque para a integração de componentes estruturais na zona de popa. É nessa área que serão acomodados os equipamentos ligados à propulsão e ao sistema de governo, pelo que a evolução desta etapa representa um indicador importante da maturidade do processo industrial do programa.
Características técnicas e sistemas de combate
Os contratorpedeiros da classe River terão:
- comprimento total: 151 metros
- deslocamento: 7 800 toneladas
- autonomia: 7 000 milhas náuticas (cerca de 13 000 km)
A propulsão assentará num sistema CODLOG (diesel-eléctrico combinado ou turbina a gás), com motores eléctricos e turbinas a gás Rolls-Royce MT30.
No domínio dos sensores e guerra electrónica, estão previstos: - sistema de combate AEGIS - radar de vigilância aérea SPY-7, desenvolvido pela Lockheed Martin - sonares de casco e rebocado da Ultra Electronics - um conjunto completo de guerra electrónica
O armamento principal incluirá: - mísseis superfície-ar SM-2 e ESSM - mísseis de ataque a terra Tomahawk - mísseis antinavio NSM - canhão naval Leonardo de 127 mm para combate de superfície
Impacto estratégico e ganhos para as próximas unidades
O HMCS *Fraser* é o primeiro passo concreto na materialização desta nova classe, cuja entrada ao serviço permitirá à Marinha Real Canadiana sustentar uma frota moderna e polivalente nas próximas décadas. A experiência adquirida ao longo da sua construção deverá servir de base para afinar processos, reduzir custos e aumentar a previsibilidade industrial nas unidades seguintes, reforçando um programa estratégico orientado para elevar as capacidades operacionais e tecnológicas do Canadá no mar ao longo do século XXI.
Para além da vertente operacional, a cadência de produção prevista no âmbito da NSS tende a gerar efeitos relevantes na base industrial e na mão-de-obra especializada, ao criar continuidade de trabalho, estabilizar cadeias de fornecimento e promover transferência de conhecimento entre projecto, construção, integração de sistemas e manutenção.
A integração de sensores, mísseis e arquitectura de combate de referência também deverá facilitar a interoperabilidade com aliados, sobretudo em contextos multinacionais, onde comunicações, partilha de dados e coordenação de defesa aérea e anti-submarina são determinantes para a eficácia do grupo naval.
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