O estaleiro da Navantia em Puerto Real (Cádis) deu início aos trabalhos associados ao programa Fleet Solid Support (FSS), que prevê a construção de três navios de apoio logístico para o Ministério da Defesa do Reino Unido, através da sua subsidiária Navantia UK. Este passo representa mais um avanço relevante do programa, três anos após a assinatura do contrato e depois do arranque da construção do primeiro navio em solo britânico.
A primeira unidade FSS começou a ser construída a 3 de dezembro, no estaleiro da Navantia UK em Appledore, no sudoeste de Inglaterra, numa cerimónia conduzida pelo ministro britânico da Indústria da Defesa, Luke Pollard. Nessa ocasião, foi realizado o primeiro corte de aço naval, formalizando o arranque de um programa considerado essencial para assegurar o apoio logístico da Royal Fleet Auxiliary (RFA) e dos grupos de combate de porta-aviões da Royal Navy.
Navantia e o programa Fleet Solid Support (FSS): arranque de produção em Puerto Real
O início das actividades em Puerto Real foi assinalado por um acto de corte de aço com a presença do adido de Defesa do Reino Unido em Espanha, o capitão-de-mar-e-guerra Antony Crabb, e do director de Operações e Negócios da Navantia, Gonzalo Mateo-Guerrero. O momento simboliza a passagem do programa da fase de concepção e engenharia para a produção industrial.
Antony Crabb sublinhou, em síntese, que o Reino Unido valoriza o empenho continuado da Navantia em cumprir prazos e orçamento no Fleet Solid Support (FSS). Acrescentou que o arranque em Puerto Real constitui um marco importante, na continuidade do corte de aço realizado em Appledore no mês de dezembro, materializando a transição para a construção. Indicou ainda que os módulos fabricados em Espanha serão posteriormente transferidos para o estaleiro de integração em Belfast, manifestando expectativa de manter a cooperação até à entrega destes navios à Royal Fleet Auxiliary.
Já Gonzalo Mateo-Guerrero destacou que o começo dos trabalhos em Puerto Real evidencia o compromisso da Navantia com um cliente estratégico. Referiu também que a empresa está a colocar as suas melhores capacidades ao serviço do programa, com foco em níveis elevados de exigência e qualidade.
O que prevê o programa Fleet Solid Support
Os três navios FSS serão operados por militares e civis da RFA e terão como missão garantir apoio logístico ao Grupo de Porta-Aviões da Royal Navy em mar aberto. Entre as funções previstas contam-se o fornecimento de munições, peças sobresselentes, víveres e outros recursos críticos, permitindo que as unidades britânicas prolonguem as operações sem necessidade de regressar a porto.
Cada navio terá 216 metros de comprimento e um deslocamento aproximado entre 39 000 e 40 000 toneladas, passando a figurar como os segundos maiores navios ao serviço da Defesa do Reino Unido, apenas atrás dos porta-aviões HMS Queen Elizabeth e HMS Prince of Wales.
Para além da capacidade de transporte e abastecimento, o desenho e a integração dos sistemas do FSS exigem compatibilidade com procedimentos de reabastecimento no mar e padrões de interoperabilidade usados em operações multinacionais. Este tipo de navio é determinante para manter a cadência operacional dos grupos navais, sobretudo em missões de longo curso e em teatros afastados das bases logísticas.
Cooperação industrial entre o Reino Unido e Espanha
O FSS está a ser executado de forma coordenada entre os estaleiros da Navantia UK em Appledore e Belfast, com a participação dos centros da Navantia em Espanha, responsáveis pela construção de módulos e blocos que serão enviados para a montagem final, ensaios e entrega em Belfast. Para lá do fabrico estrutural, os centros espanhóis contribuem com actividades de maior valor acrescentado ligadas a sistemas, integração e transferência de conhecimento.
Em paralelo, decorrem trabalhos de modernização no estaleiro de Belfast, que assumirá um papel central como plataforma de integração do programa. O centro de Methil participa na construção de uma barcaça dedicada à movimentação de blocos e avança com a preparação das suas capacidades industriais. Já os centros de Methil e Arnish, com historial no sector offshore, surgem igualmente como base para futuros projectos, com destaque para oportunidades na energia eólica offshore.
O modelo industrial distribuído também tende a alargar a cadeia de fornecimento nos dois países, criando espaço para a participação de PME e para a qualificação de mão de obra em áreas como soldadura especializada, montagem modular, cablagem, integração de sistemas e testes. Este efeito multiplicador é frequentemente decisivo para garantir ritmo de produção e resiliência de fornecimentos num programa com elevada exigência técnica.
Como nasceu o programa
O FSS tem origem em novembro de 2022, quando o Ministério da Defesa britânico adjudicou o contrato ao consórcio Team Resolute, formado por Navantia UK, Harland & Wolff e BMT. A decisão procurou assegurar uma solução robusta de apoio logístico para sustentar operações de longo alcance dos porta-aviões britânicos.
Ao longo de 2024, a Navantia avançou no processo de aquisição de activos produtivos da Harland & Wolff, operação que ficou concluída em janeiro de 2025 com a integração na Navantia UK. O movimento incluiu um investimento de 77 milhões de libras e a criação de cerca de 2 000 postos de trabalho, reforçando a base industrial necessária para executar o programa no Reino Unido.
No primeiro aniversário dessa integração, o presidente da Navantia, Ricardo Domínguez, salientou que a Navantia UK está a desenvolver capacidades à altura dos desafios, acrescentando valor ao mercado britânico e a outros programas internacionais, ao mesmo tempo que reforça a presença e a credibilidade da Navantia no panorama global.
Um programa que avança conforme o planeamento
Assim, o arranque dos trabalhos em Puerto Real enquadra-se num programa que progride de acordo com o calendário previsto, consolidando uma arquitectura industrial repartida entre Espanha e Reino Unido para construir os novos navios logísticos Fleet Solid Support (FSS) destinados à Royal Fleet Auxiliary.
Imagem de capa meramente ilustrativa.
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