O Exército do Chile concluiu mais uma edição do Curso de Paraquedista Básico Militar, formação que culminou com a graduação de uma nova turma de militares qualificados como paraquedistas, tradicionalmente designados por “Boinas Negras”. A cerimónia decorreu no Campo Militar de Peldehue, assinalando o término de um ciclo de instrução reconhecido pela sua elevada exigência física, técnica e psicológica.
Ministrado pela Escola de Paraquedistas e Forças Especiais (ESCPAR), o curso teve a duração de três semanas e afirma-se como uma especialidade secundária orientada para reforçar as capacidades aerotransportadas do Exército, com particular relevância em cenários de deslocação rápida e operações especiais.
Estrutura do curso e progressão da instrução
A formação foi organizada em duas etapas sequenciais, concebidas para desenvolver competências de forma gradual e segura, antes da passagem para o ambiente operacional.
Fase de Terra: técnicas essenciais e padronização de procedimentos
Na Fase de Terra, o foco incidiu na aprendizagem e uniformização dos procedimentos técnicos indispensáveis ao salto de paraquedas. Os formandos foram instruídos e avaliados em diferentes áreas de treino especializadas, incluindo:
- Arnês suspenso
- Arnês de baloiço
- Técnicas de queda e aterragem
- Avião simulado
- Torre de salto
Este conjunto de exercícios permitiu consolidar a execução correcta dos procedimentos individuais, mitigando riscos e reforçando a confiança antes da transição para a componente aérea.
Além da vertente técnica, a progressão é sustentada por rotinas rigorosas de segurança e verificação: preparação do equipamento, controlo de procedimentos e acompanhamento permanente por instrutores, garantindo que cada etapa é cumprida com disciplina e consistência.
Fase de Ar (Curso de Paraquedista Básico Militar): cinco saltos em condições reais
Ultrapassada a fase inicial, os alunos avançaram para a Fase de Ar, considerada o marco central do Curso de Paraquedista Básico Militar. Nesta etapa, realizaram cinco saltos a partir de aeronaves, em condições diurnas e nocturnas, com e sem equipamento de combate, aplicando em cenário real as técnicas treinadas em terra.
A fase culminou com o salto efectuado no próprio dia da cerimónia de graduação: os formandos lançaram-se de uma aeronave CASA-212 a uma altitude aproximada de 366 metros. A actividade foi acompanhada por autoridades militares, instrutores e familiares, funcionando como validação final do processo de instrução.
O emprego de meios aéreos de asa fixa e a realização de saltos com diferentes níveis de equipamento contribuem para que o Exército mantenha e projete capacidades aerotransportadas alinhadas com as exigências operacionais actuais.
Exigência física e robustez psicológica
O Alferes Blanco Araneda salientou o nível de dificuldade da formação, referindo que “o processo foi duro e muito exigente, tanto no plano físico como no mental. É um curso que obriga a enfrentar e superar medos, sobretudo no momento do salto, e que representa um objectivo há muito ambicionado ao longo da carreira militar”.
Por sua vez, o Cabo Diego Ortega destacou o peso do factor psicológico, afirmando que “a força mental é decisiva. Com a instrução progressiva e o apoio constante dos instrutores, constrói-se a confiança necessária para executar os procedimentos com segurança”.
Num contexto operacional, esta componente traduz-se numa maior capacidade para actuar sob pressão, cumprir tarefas com precisão e manter a concentração em ambientes de elevada incerteza - competências especialmente valorizadas em missões de resposta rápida e acções especiais.
Impacto institucional
O Curso de Paraquedista Básico Militar contribui directamente para o reforço das capacidades operacionais do Exército do Chile, ao mesmo tempo que promove a coesão e o espírito de corpo entre os participantes. Paralelamente, consolida a Escola de Paraquedistas e Forças Especiais (ESCPAR) como eixo central na formação de militares aptos a integrar unidades de alta exigência e com projecção estratégica.
Com cada nova turma, o Exército assegura a disponibilidade de efectivos preparados para operar em ambientes complexos, mantendo padrões de treino ajustados aos desafios presentes e futuros da defesa nacional.
Fotografias: Exército do Chile.
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