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Com a chegada do primeiro EW/SIGINT MC-55A Peregrine, a Força Aérea Australiana começou a substituir os AP-3C Orion, retirados de serviço em 2023.

Avião executivo branco estacionado numa pista com três pessoas em uniforme a conversar.

No decorrer do último fim de semana, a Real Força Aérea Australiana (RAAF) anunciou a recepção do primeiro dos seus novos aviões MC-55A Peregrine, dedicados à guerra electrónica e à inteligência de sinais (EW/SIGINT). Estas aeronaves vão permitir acelerar a substituição dos AP-3C Orion, que foram retirados de serviço ao longo de 2023. Este aparelho é o primeiro de uma frota prevista de quatro unidades, permanecendo as três restantes nos Estados Unidos até às próximas entregas.

Primeiro MC-55A Peregrine chega à Base da RAAF de Edinburgh (Austrália Meridional)

Após a chegada do novo MC-55A Peregrine, o Governo australiano confirmou que a aeronave aterrou na Base da RAAF de Edinburgh, localizada na região da Austrália Meridional, onde está também instalado pessoal do Esquadrão N.º 10. O voo de entrega implicou uma deslocação prolongada, iniciada nas instalações da empresa norte-americana L3Harris, em Greenville (Texas), e exigiu um esquema logístico com quatro escalas:

  • Base Aérea de Davis-Monthan (Arizona)
  • Base Aérea de Hickam (Havai)
  • Ilha de Wake
  • Base Aérea de Andersen (Guam)

Este percurso evidencia a dimensão do apoio e do planeamento necessários para concretizar a transferência da aeronave para território australiano.

Plataforma Gulfstream G550 adaptada para EW/SIGINT e missões de longo alcance

Do ponto de vista técnico e estratégico, importa recordar que o MC-55A assenta numa plataforma baseada no fuselagem do Gulfstream G550, que é posteriormente submetido a um processo de integração de sistemas conduzido pela L3Harris, com vista a convertê-lo para a função EW/SIGINT. Concluída essa fase, o avião passa a dispor de capacidades destinadas a:

  • reconhecimento a longa distância
  • vigilância
  • apoio a operações de informações (intelligence) que venham a ser solicitadas

Numa perspectiva mais abrangente, cada MC-55A está pensado para operar integrado numa rede que inclui também os P-8A Poseidon e os MQ-4C Triton, reforçando a cobertura e a recolha de informação ao longo de áreas de interesse.

Integração com aliados e parceiros: MC-55A Peregrine na arquitectura de segurança

A propósito do reforço destas capacidades, o ministro da Defesa australiano, Richard Marles, afirmou:

“A introdução do MC-55A Peregrine representa um passo importante no fortalecimento da capacidade da Austrália para monitorizar e proteger os seus interesses estratégicos, incluindo os principais acessos marítimos. Esta capacidade será integrada de forma perfeita com os sistemas de aliados e parceiros, permitindo à Força Aérea e à ADF partilhar informações com parceiros de segurança como o Reino Unido e os Estados Unidos, reforçando a nossa segurança colectiva e melhorando a estabilidade regional.”

A natureza EW/SIGINT do MC-55A Peregrine torna-o particularmente relevante num contexto em que a consciência situacional e a partilha de informação em tempo útil são determinantes. Ao integrar-se com sistemas de países aliados e parceiros, a RAAF amplia a capacidade de produzir e disseminar inteligência operacional, contribuindo para uma postura de dissuasão e para a protecção dos interesses estratégicos australianos, incluindo rotas e acessos marítimos.

Do aval de 2017 ao Projecto AIR 555: programa AISREW e investimento

Vale também a pena recordar que a Austrália dispõe, desde 2017, de aprovação do Departamento de Estado para incorporar até cinco MC-55A com o objectivo de reforçar a RAAF. Contudo, foi apenas em 2019 que Camberra conseguiu confirmar o seu programa AISREW, que acabou por conduzir à aquisição agora em curso.

No caso concreto, é conhecido que, pelas quatro unidades efectivamente adquiridas, o país investiu mais de 1,6 mil milhões de dólares, no âmbito do chamado Projecto AIR 555.

Em paralelo com a aquisição, é expectável que a introdução do MC-55A Peregrine implique trabalho continuado ao nível de doutrina, treino e certificação de tripulações, bem como ajustamentos de infra-estruturas e procedimentos na Base da RAAF de Edinburgh, assegurando que a nova capacidade é sustentada e empregue de forma consistente com as necessidades operacionais.

Pacote de melhorias aprovado antes da entrega: mais de 404 milhões de dólares

Por fim, importa salientar que, ainda antes da chegada do primeiro aparelho à Austrália, o Governo dos Estados Unidos já tinha aprovado um pacote de melhorias para a frota de MC-55A, avaliado em mais de 404 milhões de dólares. Conforme foi noticiado em agosto do ano passado, este pacote contempla:

  • alterações de menor dimensão nas aeronaves
  • diversos consumíveis e acessórios
  • apoio técnico e logístico do fabricante, para garantir a sustentação e a disponibilidade da frota

Créditos das imagens: Ministério da Defesa da Austrália, L3Harris

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