A ofensiva dos construtores chineses de automóveis no mercado da Europa está a intensificar-se: em agosto, as vendas de modelos oriundos da China foram duas vezes superiores às registadas no mesmo mês de 2024. Este é, além disso, o quarto mês consecutivo em que a quota de mercado de automóveis chineses se mantém acima dos 5% nas vendas europeias.
Elétricos, híbridos plug-in e híbridos convencionais: como mudou a procura
Mesmo com a pressão regulatória e comercial, os elétricos continuam a ser a principal escolha entre as motorizações chinesas vendidas na Europa. Em agosto, foram comercializadas 14 473 unidades, o que corresponde a uma subida de 57%.
Ainda assim, o salto mais expressivo veio dos híbridos plug-in, que tiveram uma evolução particularmente acentuada: cresceram 1271%, atingindo 10 406 unidades. Também os híbridos convencionais (sem necessidade de ligação à corrente) avançaram a um ritmo superior ao dos elétricos, com +190%, totalizando 7176 unidades.
Taxas de importação da União Europeia e impacto na mistura de motorizações
Uma parte do reforço dos sistemas híbridos face aos elétricos está associada às taxas de importação aplicadas pela União Europeia (UE) aos elétricos chineses. Desde o final do ano passado, os elétricos produzidos na China passaram a pagar tarifas adicionais de 35,3%, que acrescem aos 10% já em vigor.
De acordo com dados da DataForce, divulgados pela publicação Notícias Automóveis Europa, os elétricos representaram 35% das vendas das marcas chinesas na Europa em agosto, quando no ano anterior tinham valido 44%. Já os híbridos plug-in deram um salto no seu peso relativo, passando de 4% para 25%.
Quanto aos modelos a gasolina, mantiveram-se em agosto como a segunda motorização mais vendida entre as marcas chinesas, mas perderam expressão: a sua participação caiu de 35% para 21%. Em sentido inverso, os híbridos convencionais aumentaram a sua fatia, subindo de 12% para 17%.
Construtores chineses de automóveis na Europa: as marcas que lideraram em agosto
Entre as marcas chinesas com melhor desempenho no mercado europeu durante agosto, destacaram-se três nomes: MG (hoje integrada no grupo chinês SAIC), BYD e Chery.
| Marca | Vendas em agosto (unid.) | Variação vs. 2024 | Modelo/impulso principal | Jan–ago (unid.) | Variação jan–ago |
|---|---|---|---|---|---|
| MG | 15 627 | +46% | SUV HS (4490 unid. em agosto) | 191 440 | - |
| BYD | 10 498 | +230% | Maior crescimento mensal entre marcas chinesas | 94 667 | +287% |
| Chery | 7094 | +471% | SUV compacto Jaecoo 7 | 54 674 | +1100% |
A MG voltou a ser a marca chinesa com mais matrículas na Europa, somando 15 627 unidades em agosto (+46%). Este resultado foi sobretudo suportado pelo seu SUV HS (modelo em destaque), que por si só contabilizou 4490 unidades no mês.
No acumulado de janeiro a agosto, a MG alcançou 191 440 unidades matriculadas e tudo indica que irá ultrapassar as 200 mil ainda durante este mês.
A BYD foi a marca com a maior taxa de crescimento em agosto: avançou 230% em relação ao ano anterior, para 10 498 unidades. A empresa reforçou o peso dos híbridos plug-in nas suas vendas para 38%, enquanto os elétricos ficaram com 62%, um valor 93% abaixo do registado em 2024.
Nos primeiros oito meses do ano, a BYD acumulou um crescimento de 287%, com 94 667 unidades vendidas. A expectativa é que a marca ultrapasse as 100 mil no mercado europeu já em setembro.
Já a Chery teve um mês de forte aceleração: em agosto, as suas vendas na Europa aumentaram 471%, chegando às 7094 unidades, puxadas pelo SUV compacto Jaecoo 7. No acumulado do ano, a marca cresceu 1100% (beneficiando de uma base de comparação muito reduzida), para 54 674 unidades.
Em conjunto, MG, BYD e Chery representaram 79% de todas as vendas de marcas chinesas na Europa nos primeiros oito meses do ano. Entre os restantes fabricantes com números relevantes surgem a Geely (40 032 unidades) e a DR (18 439 unidades). As cerca de 30 mil unidades remanescentes repartiram-se por aproximadamente 20 marcas.
Quota de mercado e contexto do mercado europeu
Em agosto, a quota de mercado dos fabricantes chineses na Europa subiu para 5,4%, quando no mesmo mês do ano anterior estava abaixo dos 3%, concretamente em 2,9%.
Para enquadramento, o mercado europeu no seu conjunto cresceu 4,5% em agosto, com 769 083 unidades comercializadas.
O que pode determinar os próximos passos
Com tarifas mais pesadas nos elétricos, torna-se mais provável ver as marcas chinesas a ajustarem a oferta na Europa, privilegiando híbridos plug-in e híbridos convencionais para manterem competitividade de preço e volumes, enquanto procuram optimizar logística, versões e posicionamento.
Em paralelo, factores como a rapidez de expansão das redes de concessionários, a capacidade de pós-venda, as garantias e a confiança do consumidor (incluindo desempenho em segurança e assistência) podem ganhar ainda mais peso na forma como estas marcas consolidam a sua presença nos diferentes mercados europeus.
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