Através da publicação de uma série de novas imagens nos seus canais oficiais nas redes sociais, a empresa estatal Chengdu deu a conhecer ao público o ponto de situação na fabricação do novo caça furtivo de quinta geração J-20A. As fotografias mostram várias células recentemente saídas da linha de montagem, o que aponta para o arranque da produção em série e para as subsequentes entregas à Força Aérea Chinesa.
Esta divulgação surge poucas semanas depois de a China ter tornado públicos novos pormenores sobre esta variante, no âmbito do 15.º aniversário do voo inaugural do J-20 - uma ocasião em que também foram partilhadas informações adicionais sobre a versão biposto, designada J-20S.
J-20A: imagens recentes e sinais de produção em série
Em esclarecimentos adicionais, a empresa referiu nos seus canais oficiais que os novos J-20A visíveis nas imagens integraram um programa de ensaios de voo e treino de pilotos realizado em cinco localizações diferentes, envolvendo dez tipos distintos de aeronaves, incluindo sistemas não tripulados. Embora as fotografias mostrem os aparelhos na pista e em voo, foi igualmente indicado que, antes dessas actividades, foram efectuados testes em ambiente interior para garantir a operacionalidade de todos os sistemas.
Com base em declarações oficiais divulgadas no mesmo contexto:
“Esta iniciativa, alcançada através de organização científica e coordenação global, integra todos os elementos, como vários tipos de aeronaves, condições de ensaio de voo, recursos de tripulação e capacidades de apoio. Promove o desenvolvimento de ‘duas novas integrações’: produtividade de novo tipo e capacidades de combate de novo tipo, e representa uma tentativa sólida de ensaio de voo rumo à aplicação sistemática de equipamento moderno de aviação.”
Alterações externas no J-20A face ao J-20
Importa recordar que os J-20A são apresentados como uma evolução do J-20 monolugar original, incorporando várias mudanças facilmente identificáveis no desenho exterior. Entre as alterações mais evidentes destaca-se a adição de uma nova secção elevada na zona de junção imediatamente atrás da parte traseira do cockpit. Esta modificação deverá reduzir o arrasto aerodinâmico e, por consequência, melhorar o desempenho em voo supersónico, ao mesmo tempo que cria espaço adicional para uma eventual instalação de um depósito de combustível extra ou de novos sistemas.
Além disso, a posição do cockpit foi ajustada para ficar mais elevada, o que se espera que tenha um efeito positivo no campo de visão do piloto.
Propulsão: WS-15 no J-20A e implicações futuras
Por fim, ainda que tal não seja possível distinguir com clareza nas novas fotografias, é expectável que os caças J-20A venham equipados com os novos motores WS-15, de produção nacional, para proporcionar maior impulso do que o gerado pelos WS-10 actualmente utilizados - ou pelos Saturn AL-31 que, numa fase inicial, foram empregados para propulsar a plataforma.
Este ponto é particularmente relevante, tendo em conta que se prevê o desenvolvimento de tecnologias adicionais para integração futura no caça, o que tende a aumentar as necessidades de geração de energia a bordo para suportar essas evoluções. Para já, um destes aparelhos já foi observado com o WS-15 instalado no mês de Dezembro, assinalando um avanço significativo para a indústria aeronáutica chinesa.
A transição para um novo motor, contudo, não se resume ao ganho de desempenho: tipicamente implica também a consolidação de cadeias de abastecimento, a adaptação de procedimentos de manutenção e a validação de fiabilidade em diferentes regimes de operação - factores que ajudam a explicar a ênfase em campanhas de ensaio e treino distribuídas por múltiplos locais.
Em paralelo, os indícios de produção em série sugerem uma fase em que a prioridade passa a ser a padronização e a cadência de entrega, com impacto directo na capacidade de formar tripulações, expandir infra-estruturas de apoio e acelerar a incorporação operacional do J-20A em unidades da Força Aérea Chinesa.
Créditos das imagens: AVIC
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