O principal operador de telecomunicações da Ucrânia vai tornar-se o primeiro na Europa a disponibilizar a receção da rede Starlink, da SpaceX, diretamente no smartphone. Esta novidade procura responder a uma necessidade imediata: manter a população ligada apesar de falhas graves provocadas pelos ataques russos a infraestruturas críticas.
A Starlink está a expandir o aguardado serviço «direct-to-cell», que permite ligar o telemóvel à Internet através dos satélites colocados em órbita pela SpaceX. Pela primeira vez em território europeu, a operadora ucraniana Kyivstar vai passar a oferecer este serviço aos seus clientes, segundo informação conhecida esta segunda‑feira, 24 de novembro.
Em comunicado, a Kyivstar sublinhou que esta parceria deverá reforçar a proteção das comunicações de milhões de telemóveis ucranianos, numa altura em que a intensificação das ações militares russas tem deixado as infraestruturas mais vulneráveis - com impacto direto nas redes de telefonia e de Internet.
Resiliência da rede na Ucrânia com Kyivstar e Starlink «direct-to-cell»
Numa fase inicial, a oferta Starlink «direct-to-cell» na Ucrânia ficará limitada ao envio de SMS. Já no próximo ano, deverão ser acrescentados dados móveis para Internet e chamadas de voz, na sequência de um entendimento entre o CEO da SpaceX, Elon Musk, e o grupo Veon, proprietário da Kyivstar.
«Na Ucrânia, manter-se ligado é manter-se em segurança», afirmou o líder da Kyivstar, Oleksandr Komarov. De acordo com a contagem mais recente, a operadora tem 22,5 milhões de clientes móveis. Para enfrentar os apagões associados ao conflito armado com a Rússia, a Kyivstar já tinha instalado geradores para alimentar a infraestrutura em caso de falha elétrica, assegurando autonomia até 10 horas, se necessário.
Além do impacto na vida quotidiana, uma ligação mínima via SMS pode ser determinante em situações de emergência: permite coordenar deslocações, confirmar o estado de familiares e receber instruções essenciais quando o acesso à Internet falha. Também abre caminho a maior redundância nas comunicações em zonas onde as estações base ficam inoperacionais por falta de energia ou danos.
A adoção deste tipo de conectividade depende, contudo, de fatores práticos como compatibilidade de equipamentos, atualizações de software e condições de cobertura. À medida que o serviço evoluir para dados e voz, deverão ganhar relevância aspetos como a experiência de utilização em interiores, a gestão de consumo de bateria e as políticas de priorização em cenários de elevada procura.
Starlink «direct-to-cell» ainda deixa a União Europeia de fora
Perante as dificuldades no terreno, a Ucrânia recorreu rapidamente às soluções da Starlink, nomeadamente às antenas/terminais para manter o acesso à Internet. No país, estarão ativos 50 000 terminais, segundo fontes oficiais citadas pela Reuters.
A nível global, 8 milhões de pessoas já subscreveram a oferta Starlink «direct-to-cell», atualmente disponível nos Estados Unidos e no Canadá, no Japão, no Chile e na Austrália.
Na Europa, o serviço direct-to-cell também já foi anunciado para o Reino Unido e para a Suíça. Ainda assim, nenhum país da União Europeia foi, até ao momento, confirmado para este formato de ligação direta ao telemóvel. Em França, a proposta da Starlink continua focada apenas em antenas de receção, que podem substituir a fibra em casa, com subscrições tanto para particulares como para profissionais. Clique aqui para ler a nossa experiência após um ano com a Starlink (ou veja o vídeo abaixo).
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