No âmbito da lista de acordos assinados até 30 de janeiro, o Governo dos Estados Unidos anunciou que a Boeing vai avançar com a modernização dos caças F-15K da Força Aérea da Coreia do Sul, na sequência da atribuição de um novo contrato avaliado em mais de 2,8 mil milhões de dólares. Trata-se de um conjunto de trabalhos que já tinha autorização do Departamento de Estado desde novembro de 2024, altura em que Washington aprovou um pacote de actualizações e de apoio logístico para os “Slam Eagle” operados por Seul.
O que abrange o contrato e quem o executa
Segundo a comunicação oficial do Pentágono, a modernização inclui o “desenho e desenvolvimento de um conjunto integrado de sistemas de aeronaves para apoiar a modificação do avião F-15K”, alinhando a aeronave com os requisitos da Força Aérea sul-coreana e da DAPA (Administração do Programa de Aquisição de Defesa da Coreia do Sul).
A Boeing irá realizar estas tarefas na sua unidade industrial de St. Louis (Missouri). Quanto ao calendário, o prazo indicado para a conclusão do contrato estende-se até Dezembro de 2037.
Principais eixos de modernização dos F-15K
Com base no que já vinha sendo divulgado sobre a evolução do programa, as melhorias previstas para os F-15K organizam-se em três áreas centrais.
1) Radar: de AN/APG-63(V)1 para AN/APG-82 (AESA)
O primeiro eixo passa pela substituição dos radares de varrimento mecânico AN/APG-63(V)1 por radares AESA AN/APG-82, mais actuais e mais potentes. Esta alteração deverá traduzir-se numa melhoria clara:
- na detecção e seguimento de alvos;
- na resistência a interferência electrónica (jamming), sobretudo em ambientes com elevada densidade de defesas inimigas.
2) Cabina: integração do Large Area Display (LAD)
O segundo pilar é a actualização da cabina, com a instalação de um novo ecrã a cores de maiores dimensões, designado Large Area Display (LAD). O objectivo é elevar a consciência situacional do piloto, tanto em condições diurnas como nocturnas, ao concentrar e apresentar informação de missão de forma mais eficiente.
3) Autodefesa: AN/ALQ-250 EPAWSS
Por fim, está prevista a incorporação de um novo sistema de autodefesa, o AN/ALQ-250 Eagle Passive Active Warning Survivability System (EPAWSS). Este equipamento deverá reforçar a capacidade de alerta radar com geolocalização, oferecendo uma protecção mais eficaz contra ameaças:
- aéreas (por exemplo, radares e plataformas de caça);
- de superfície (incluindo sistemas de defesa antiaérea).
Síntese das alterações previstas
| Área | Sistema actual | Sistema/solução prevista | Benefício esperado |
|---|---|---|---|
| Radar | AN/APG-63(V)1 | AN/APG-82 (AESA) | Melhor detecção e maior resistência a interferência electrónica |
| Cabina | - | Large Area Display (LAD) | Maior consciência situacional de dia e de noite |
| Autodefesa | - | AN/ALQ-250 EPAWSS | Aviso radar geolocalizado e maior sobrevivência face a ameaças aéreas e de superfície |
Enquadramento no programa FMS e financiamento inicial
Foi igualmente indicado que se trata de um contrato de aquisição com fornecedor único, enquadrado no programa Foreign Military Sales (FMS). Além disso, foi comunicado que, no momento da adjudicação, já estavam comprometidos mais de 540 milhões de dólares em financiamento.
A entidade responsável pela contratação é o Centro de Gestão do Ciclo de Vida da Força Aérea, sediado na Base Aérea Wright-Patterson (Ohio).
Impacto operacional e integração do pacote de modernização
Apesar de o anúncio se focar nos elementos técnicos e contratuais, um programa desta natureza tende a ter implicações directas na forma como a frota é empregue: a combinação de um radar AESA, melhorias de apresentação de informação na cabina e um sistema como o EPAWSS favorece operações em cenários contestados, com maior densidade de sensores e ameaças, reduzindo vulnerabilidades durante missões de patrulhamento, defesa aérea e interdição.
Em paralelo, o pacote associado ao apoio logístico é normalmente determinante para assegurar disponibilidade ao longo dos anos, incluindo a gestão de peças, suporte técnico e actualizações de software, factores essenciais num calendário de execução que se prolonga até 2037.
Imagens utilizadas apenas a título ilustrativo.
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