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Bélgica avança com a retirada dos helicópteros NH90 NFH

Helicóptero militar cinzento estacionado com piloto de equipamento de voo a aproximar-se na pista de um aeroporto.

NH90 NFH e a modernização da asa rotativa belga

Por fim, e ao encerrar um capítulo particularmente problemático, o Ministério da Defesa e a Força Aérea da Bélgica confirmaram que também vão avançar com a futura retirada dos helicópteros NH90 NFH, especializados em operações navais e em busca e salvamento (SAR) em alto mar, repetindo assim o que tinha sucedido meses antes com os NH90 TTH.

Antes da decisão agora tomada relativamente a estes helicópteros problemáticos, a frota NH90 da Força Aérea da Bélgica era composta por oito aeronaves no total: quatro da versão TTH (Tactical Transport Helicopter) e quatro da versão NFH (NATO Frigate Helicopter), utilizadas, respetivamente, para transporte de tropas e para missões SAR. Ambas as variantes enfrentaram problemas estruturais graves, que se refletiram numa baixa taxa de disponibilidade ao longo da sua vida operacional, chegando por vezes a valores inferiores a 40%.

A retirada dos NH90 TTH foi anunciada em julho de 2025, tendo já sido definido o seu substituto através da adoção, atualmente em curso, dos helicópteros Airbus H145M, uma aeronave mais leve e fiável para transporte tático e apoio. No entanto, no caso dos NH90 NFH, apesar da confirmação da sua próxima retirada, ainda não existe um substituto definido para assumir as funções de SAR que desempenham. O Ministério da Defesa belga indicou que serão avaliadas alternativas e propostas nos próximos meses, com o objetivo de garantir um substituto o mais rapidamente possível, assegurando ao mesmo tempo a continuidade das operações a partir da Base Aérea de Koksijde.

A persistente baixa disponibilidade de uma frota tão reduzida tem um impacto direto no planeamento operacional. Quando poucos aparelhos têm de responder a missões muito diferentes, qualquer limitação técnica traduz-se rapidamente em maior pressão sobre as equipas de manutenção, maior desgaste logístico e menos margem para cumprir a missão com regularidade.

A relação problemática do NH90 com os seus operadores não é exclusiva da Bélgica. A Noruega cancelou o seu programa em 2022 e encontra-se atualmente a negociar compensações com a NHIndustries pela integração falhada, enquanto a Austrália também decidiu retirar a sua frota de MRH-90 Taipan, substituindo-a pelos helicópteros UH-60M Black Hawk de origem norte-americana, considerados mais fiáveis para operações navais e transporte de tropas.

No caso belga, a comparação entre as duas variantes é clara: os NH90 TTH, dedicados ao transporte tático, já têm substituto no H145M, enquanto os NH90 NFH, orientados para operações marítimas e SAR, ainda não têm sucessor definido. A decisão de retirar ambas as versões assinala o fim de uma experiência complexa com esta plataforma e abre uma nova fase na modernização das capacidades aéreas de asas rotativas do país.

Esta transição também deverá influenciar a forma como a Bélgica organiza o treino das tripulações e a cadeia de apoio técnico. A substituição por plataformas diferentes pode simplificar a sustentação da frota, reduzir tempos de indisponibilidade e permitir uma melhor adaptação às missões realmente prioritárias, sobretudo quando a fiabilidade operacional passa a ser tão importante como o desempenho teórico da aeronave.

Fotografias utilizadas apenas para fins ilustrativos - Créditos: Força Aérea/Ministério da Defesa da Bélgica.

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