Se não quer passar todos os fins de semana de joelhos a mondar, há uma forma bem mais inteligente de manter o jardim quase limpo de infestantes: cobrir o solo com plantas que ocupam o espaço antes delas.
Em vez de andar sempre a encher cestos com ervas espontâneas, cada vez mais jardineiros amadores apostam num tapete vivo de vivazes. Quando se escolhem espécies certas e se plantam com a densidade adequada, os cobertos do solo fazem o trabalho que normalmente ficaria para a enxada e para a mão - e março é, de longe, a melhor altura para começar.
Porque é que as ervas daninhas voltam sempre, apesar de andar sempre a mondar
No solo existe uma enorme reserva de sementes adormecidas. Os jardineiros chamam-lhe “banco de sementes”. Sementes acumuladas ao longo de anos podem ficar ali à espera de luz, humidade e ar para arrancarem. É aí que o problema começa.
Quando se cava fundo ou se deixam os canteiros muito tempo descobertos, essas sementes vêm para a superfície. Apanham luz, germinam - e a mondadura recomeça do zero. Cada lavoura mais agressiva, no fundo, volta a abrir essa conta das sementes.
Um solo nu durante muito tempo é praticamente um convite às espontâneas. Cada falha acaba ocupada - ou por plantas que lá coloca, ou pelo que considera erva daninha.
Além disso, nem todas as plantas incómodas se comportam da mesma forma. As anuais, como a mordidela ou o beldroegão, aparecem sobretudo por semente. Já as vivazes com raiz pivotante, como o dente-de-leão ou o amor-de-hortelão, enraízam fundo e rebentam outra vez a partir de restos de raiz.
Estratégias diferentes para ervas diferentes
Se quer dar menos trabalho ao jardim, convém ter uma ideia geral do que está a combater. Na prática, esta divisão costuma chegar:
- Ervas espontâneas anuais: germinam por semente, florescem, morrem e deixam novas sementes
- Vivazes de raiz profunda: formam raízes fortes e voltam a rebentar a partir de pedaços de raiz
- Plântulas lenhosas: pequenas árvores e arbustos que, se forem removidos tarde demais, só saem com grande esforço
As anuais devem ser cortadas rente ao solo, sem remexer demasiado. Assim elimina a planta sem trazer para cima sementes novas que estejam em profundidade.
As vivazes de raiz profunda pedem outro método: o solo deve estar húmido, mas não encharcado. Nessa altura, as raízes pivotantes soltam-se com maior facilidade com um extrator de ervas ou uma pá estreita. Quanto menos fragmentos de raiz ficarem no chão, menor a probabilidade de a planta reaparecer.
Também são críticas as pequenas plântulas de ácer, faia ou arbustos ornamentais. Se as deixar andar, dentro de poucos anos terá um problema sério de raízes no canteiro. O ideal é arrancá-las logo no primeiro ano; mais tarde, já terá de cavar.
Cobertura viva: quando as vivazes simplesmente abafam as ervas
A solução clássica contra o crescimento espontâneo é a cobertura morta de casca de pinheiro. Esta tapa o solo e trava muitas sementes, mas precisa de reposição regular, retira algum azoto ao decompor-se e nem sempre encaixa no aspeto do jardim.
Muito mais interessante é a chamada “cobertura viva”. Falamos de cobertos do solo vivazes que se espalham como uma manta verde e florida sobre a terra. Fazem sombra ao solo, tiram luz às plântulas e consomem água e nutrientes antes de as “indesejadas” lá chegarem.
Um tapete denso de vivazes deixa passar muito pouca luz até ao solo - para as plântulas, a hipótese de vingarem fica praticamente nula.
Estas plantas trazem várias vantagens ao mesmo tempo:
- Mantêm o solo mais fresco e húmido.
- Protegem contra o encharcamento superficial e a erosão em chuva forte.
- Dão pólen, néctar e refúgio aos insetos.
- Poupa-se muito tempo a longo prazo, porque quase não é preciso mondar.
Brunnera macrophylla – a estrela dos cobertos do solo de primavera
Entre profissionais, a miosótis-do-cáucaso (Brunnera macrophylla) é vista como uma verdadeira máquina de trabalho para zonas sombrias e de meia-sombra. Forma tufos densos, expande-se por vontade própria e, na primavera, dá um sinal de cor muito marcado.
Características típicas desta vivaz:
| Característica | Brunnera macrophylla |
|---|---|
| Local | Meia-sombra a sombra, solo húmido e rico em húmus |
| Época de floração | Cerca de meados de março a meados de maio |
| Cor das flores | Azul vivo, semelhante ao miosótis |
| Crescimento | Forma tapetes densos e semeia-se facilmente |
| Particularidade | Existem também variedades com folhas riscadas de prata |
Especialmente em canteiros sombrios, sob arbustos ou na borda de zonas arborizadas, esta vivaz transforma um solo sem graça num tapete leve de flores. Onde antes era preciso andar constantemente a mondar entre plantas soltas, mais tarde basta um olhar rápido para ver se algum intruso teimoso se está a abrir caminho.
Como fazer a plantação em março, passo a passo
Março é ideal porque, normalmente, o solo já secou um pouco, mas ainda conserva frescura. As plantas têm uma época inteira para se estabelecerem antes do inverno seguinte.
Preparar o solo
Num dia sem geada, retire bem as ervas espontâneas com a raiz. Limite-se a soltar a camada superior, sem cavar fundo, para não pôr novas sementes a germinar.Incorporar composto
Espalhe uma camada fina de composto bem decomposto e incorpore-a de forma superficial com o ancinho. Assim dá nutrientes ao solo sem o agitar demasiado.Reduzir a distância de plantação
Os cobertos do solo plantam-se de propósito mais juntos do que as vivazes normais. Conforme a espécie, 20–30 centímetros costumam fazer sentido. O objetivo é que as folhas se toquem ao fim de um a dois anos.Regar bem após plantar
Depois de colocar cada planta, regue generosamente para assentar a terra. Isso elimina bolsas de ar entre raízes e solo e ajuda no enraizamento.Acompanhar a primeira estação
No primeiro ano, regue de vez em quando, sobretudo em períodos secos, e retire cedo as poucas ervas espontâneas que consigam passar.
Março é o verdadeiro “sinal de partida”: planta-se bem uma vez e, com o tempo, são as vivazes que assumem a maior parte do trabalho de mondar.
Que vivazes fecham o solo de forma duradoura
A Brunnera macrophylla é apenas um exemplo. Para diferentes zonas do jardim existem cobertos do solo adequados que trabalham de forma igualmente fiável.
Espécies adequadas para sombra e meia-sombra
- Miosótis-do-cáucaso: floresce cedo e gosta de solo húmido e rico em húmus.
- Epimedium: flores delicadas na primavera, com uma tolerância surpreendente à secura sob árvores e arbustos.
- Waldsteinia: perene, com flores amarelas, indicada para cantos mais difíceis sob árvores.
Zonas soalheiras: flores em vez de gravilha
Onde há sol pleno, precisa de espécies robustas, capazes de suportar calor e secura:
- Tomilho e outras aromáticas de tapete: perfumam, floriram e atraem abelhas; ideais para bordaduras e muros secos.
- Sedum e outras sempre-vivas suculentas: aguentam solos pobres e guardam água nas folhas.
- Cultivares de gerânio vivaz: formam tapetes soltos, mas bastante fechados, e dão muita cor ao canteiro.
O importante é plantar várias unidades da mesma espécie e não misturar tudo ao acaso. Um bloco maior da mesma vivaz fica mais calmo visualmente e fecha o solo melhor do que um amontoado de exemplares isolados.
Dicas para manter o tapete florido sempre fácil de cuidar
Mesmo uma cobertura viva não se trata sozinha. Com algumas regras simples, o trabalho continua baixo:
- Não remexer o solo sem necessidade: quanto menos cavar, mais estável fica o “banco de sementes” no solo.
- Vigiar as bordaduras: se os cobertos do solo ficarem demasiado vigorosos, basta cortar o excesso com a pá e oferecer ou transplantar as divisões.
- Ter atenção à luz disponível: em sombra, as vivazes tendem a ficar mais altas e soltas. Em sombra muito cerrada, compensa juntar espécies diferentes.
- Adubar com moderação e de forma dirigida: uma vez por ano, um pouco de composto costuma chegar para a maioria dos jardins.
Se tiver dúvidas sobre o comportamento de uma espécie, pode testá-la primeiro numa área pequena. Assim vê depressa se o porte, a altura e a floração combinam com o estilo do seu jardim.
O que está mesmo por trás de expressões como “cobertura viva”
A expressão “cobertura viva” descreve, no fundo, uma ideia simples: em vez de pôr material orgânico como casca de árvore sobre a terra, é uma camada de plantas que faz a mesma função - mas com muito mais vida e cor.
Para o solo, isso significa menos oscilações de temperatura, atividade biológica mais constante e maior conforto para minhocas e microrganismos. Com o tempo, isso melhora a estrutura do terreno. A água infiltra-se melhor e tanto o encharcamento como a secura extrema tornam-se menos frequentes.
Os riscos são reduzidos, desde que não escolha espécies extremamente invasoras. Quem plantar cobertos do solo demasiado expansivos - como algumas formas de hera ou de grama - terá de intervir mais tarde. O melhor é optar por espécies que fechem o solo, mas ainda possam ser controladas.
O conceito também é interessante em combinação com hortas. Entre culturas de maior porte podem colocar-se plantas baixas e resistentes ao pisoteio que protegem o solo. Exemplos: variedades baixas de tomilho nas margens ou trevo em zonas mais calmas. Assim cria-se um sistema em que plantas úteis e cobertos do solo trabalham em conjunto - e o cesto da monda fica muito mais pequeno.
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