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Coreia do Norte acelera desenvolvimento de ICBMs com MIRV e fibra de carbono

Homem de azul observa modelo de foguetão numa secretária com janelas para uma plataforma de lançamento ao fundo.

À medida que as tensões na Península Coreana continuam a agravar-se e o programa de armamento do país mantém actividade constante, a Coreia do Norte estará a avançar no desenvolvimento de uma nova geração de mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) capazes de transportar várias ogivas. De acordo com avaliações recentes dos serviços de informação sul-coreanos e com dados provenientes de fontes abertas, esse movimento poderá representar um salto significativo nas capacidades estratégicas de Pyongyang.

As análises indicam que a utilização de fibra de carbono permitiria reduzir o peso dos mísseis, o que, por sua vez, aumentaria o alcance e melhoraria a capacidade de transportar carga útil. Especialistas referem que esta evolução está directamente associada ao desenvolvimento de veículos de reentrada múltipla e independentemente direccionáveis (MIRVs), uma tecnologia que possibilita a um único míssil levar várias ogivas capazes de atingir alvos distintos, tornando muito mais complexos os sistemas de defesa antimíssil.

Este possível reforço das capacidades norte-coreanas surge depois de uma sequência de testes e demonstrações recentes. No final de março, Kim Jong-un supervisionou ensaios de armamento que incluíram sistemas ligados às forças especiais e novos desenvolvimentos militares, no âmbito de um aumento contínuo da actividade de testes do país.

Nos últimos anos, a Coreia do Norte tem sinalizado de forma repetida a ambição de alcançar capacidades MIRV, em paralelo com a produção de mísseis de maior alcance e maior precisão. Se vier a concretizar-se plenamente, essa aptidão poderá reforçar a eficácia da dissuasão nuclear de Pyongyang, ao dificultar a intercepção dos seus mísseis pelos sistemas de defesa colocados pelos Estados Unidos e pelos seus aliados.

As consequências regionais de um eventual avanço deste tipo seriam consideráveis, sobretudo porque obrigariam os países vizinhos a reverem as suas estratégias de vigilância, detecção e resposta. Ao mesmo tempo, a combinação entre maior alcance, maior sobrevivência em voo e múltiplas ogivas pode reduzir a margem de erro dos sistemas defensivos existentes, aumentando a pressão sobre os mecanismos diplomáticos já frágeis na região.

Por fim, as avaliações sul-coreanas reforçam as preocupações em torno da evolução do programa de mísseis da Coreia do Norte, que continua a incorporar melhorias tecnológicas destinadas a ampliar tanto o alcance como a capacidade de penetração face às defesas antimíssil, num cenário regional marcado por tensões persistentes.

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