Na quinta-feira, o Ministério da Defesa russo confirmou que utilizou o míssil balístico hipersónico de alcance intermédio Oreshnik numa nova série de ataques contra alvos considerados críticos na Ucrânia, no contexto da guerra que teve início em 2022.
Segundo a nota divulgada por Moscovo, as forças russas executaram, nas primeiras horas da manhã, um ataque em larga escala com armamento terrestre e naval de longo alcance e alta precisão, ao qual se juntaram drones de ataque.
De acordo com a mesma comunicação, a operação foi apresentada como resposta ao que a Rússia descreve como um ataque terrorista do regime de Kiev contra a residência do presidente russo na região de Novgorod, ocorrido em 29 de dezembro de 2015. O ministério acrescentou que os alvos atingidos incluíram instalações ligadas à produção de drones usados nesse ataque e também infraestruturas energéticas que sustentam o funcionamento do complexo militar-industrial ucraniano.
O ministério concluiu que o objetivo da ofensiva foi cumprido e deixou o aviso de que qualquer ato terrorista atribuído ao regime ucraniano continuará a merecer retaliação.
Oreshnik: implantação do sistema na Bielorrússia
Em paralelo, o Ministério da Defesa da Rússia comunicou recentemente que o sistema de mísseis balísticos hipersónicos Oreshnik passou a integrar oficialmente o serviço operacional na Bielorrússia, assinalando mais um avanço na cooperação militar entre Moscovo e Minsk.
Na declaração oficial divulgada a 30 de dezembro, foi referida uma cerimónia solene na República da Bielorrússia para a entrada em serviço da unidade equipada com o sistema móvel Oreshnik. Após a conclusão do ritual militar de incorporação, foi hasteada a bandeira das Forças de Mísseis Estratégicos.
A presença do Oreshnik em território bielorrusso reforça o peso estratégico deste sistema e aumenta a atenção dada às capacidades de dissuasão russas na fronteira oriental da NATO. Num contexto de guerra prolongada, a mobilidade destes sistemas e a combinação com drones de ataque ampliam a pressão sobre as defesas aéreas e sobre a proteção de infraestruturas sensíveis.
Contexto sobre a utilização do míssil Oreshnik
O Oreshnik tornou-se conhecido do público pela primeira vez em novembro de 2024, quando as Forças de Mísseis Estratégicos russas atingiram a cidade ucraniana de Dnipro. As primeiras informações apontavam para um RS-26 Rubezh, mas, mais tarde, tanto o governo dos Estados Unidos como o presidente russo, Vladimir Putin, confirmaram que tinha sido usado um novo sistema experimental designado Oreshnik.
Na altura, Putin afirmou que o emprego destes mísseis surgira como resposta à utilização de armamento norte-americano e britânico em 21 de novembro de 2024. Segundo a sua explicação, as forças russas tinham então realizado um ataque combinado contra uma instalação do complexo industrial de defesa da Ucrânia, que serviu também de teste em combate a um dos mais recentes sistemas de alcance intermédio da Rússia, um míssil balístico não nuclear com tecnologia hipersónica.
Reações da Ucrânia e da comunidade internacional
Depois dos ataques mais recentes, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sybiha, escreveu na rede social X que uma ofensiva deste tipo, junto à fronteira da União Europeia e da NATO, constitui uma ameaça séria para a segurança europeia e um teste à comunidade transatlântica. O governante acrescentou que é necessária uma resposta firme às ações que classificou como imprudentes por parte da Rússia.
Moscovo voltou a insistir que a operação foi desencadeada em reação a uma alegada tentativa ucraniana de atingir a residência utilizada por Putin. Contudo, responsáveis norte-americanos indicaram que a avaliação da CIA concluiu que a Ucrânia não tinha como alvo uma residência associada ao presidente russo.
Os ataques ocorreram num momento em que decorrem negociações conduzidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelos seus enviados, com o objetivo de terminar o conflito. A ofensiva surgiu também poucas horas depois de Moscovo advertir que qualquer militar europeu destacado para a Ucrânia no âmbito de um acordo de paz seria considerado um alvo legítimo, e depois de os Estados Unidos terem avançado com a apreensão de um petroleiro de bandeira russa.
Por seu lado, a Força Aérea da Ucrânia informou que, na noite de quinta-feira, a Rússia lançou no total 36 mísseis e 242 drones, numa das maiores ofensivas aéreas registadas nas últimas semanas.
Imagens apenas ilustrativas.
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