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Alemanha e TKMS querem avançar com a venda de submarinos Tipo 214 à Marinha da Índia

Oficial naval e homem de negócios apertam as mãos junto a modelo de submarino numa sala com vista para o porto.

Na primeira deslocação do chanceler Friedrich Merz ao país, prevista para os dias 12 e 13 de janeiro, a Alemanha e a ThyssenKrupp Marine Systems (TKMS) vão procurar dar novo impulso à venda dos seus mais recentes submarinos Tipo 214, destinados a equipar a Marinha da Índia. A força indiana procura incorporar um modelo dotado dos avançados sistemas AIP, considerados essenciais para reforçar a sua capacidade de dissuasão. Segundo a imprensa local, o negócio envolveria seis unidades e exigiria um investimento de cerca de 8 mil milhões de dólares por parte de Nova Deli, abrindo ainda espaço para produção em território indiano graças à parceria entre o fabricante alemão e a Mazagon Dock Shipbuilders Limited (MDL).

Ao mesmo tempo, importa recordar que, em meados do ano passado, a Índia e a Alemanha assinaram um Memorando de Entendimento para fazer avançar a referida venda de submarinos, no âmbito do chamado Projeto 75(I), promovido pela Marinha. Nessa fase, o Tipo 214 alemão ultrapassou a proposta do S-80 espanhol, defendida pela Navantia em conjunto com os estaleiros locais Larsen & Toubro, numa tentativa de igualar a oferta alemã e de assegurar que os submarinos fossem produzidos em solo indiano, um ponto decisivo para o programa.

Em termos operacionais, os sistemas AIP ganham particular relevância porque permitem que submarinos convencionais permaneçam submersos durante mais tempo sem dependerem do ar atmosférico, o que melhora a discrição e a eficácia em missões de vigilância e negação de área. Para a Índia, que tem procurado modernizar a sua frota submarina com maior rapidez, essa capacidade traduz-se numa vantagem importante num contexto regional cada vez mais exigente.

De forma mais abrangente, convém notar que a Marinha da Índia conta atualmente com uma frota de cerca de 16 submarinos convencionais, segundo fontes locais. Contudo, cerca de 10 dessas unidades já serão consideradas demasiado antigas para continuar a ser sustentadas no médio e no longo prazo. Em vários casos, trata-se de navios com mais de três décadas de serviço, como acontece com os submarinos da classe Sindhughosh, pertencentes à classe russa Kilo e integrados na frota a partir da década de 1980.

A estes meios somam-se também submarinos do Tipo 209, igualmente de origem alemã, produzidos na altura pela Howaldtswerke-Deutsche Werft (HDW), empresa que hoje integra a TKMS. Mesmo nesse período, Nova Deli procurou envolver a indústria nacional no processo de construção, algo que ficou patente na participação da já referida MDL na produção de dois dos quatro submarinos adquiridos. A colaboração prolongou-se ainda para contratos de inspeção, revisão e modernização, como sucedeu com o INS Shankush em 2023.

Num plano mais amplo, esta possível encomenda também refletiria a aposta indiana em reforçar a autonomia industrial no setor naval de defesa, reduzindo a dependência externa e consolidando competências locais em integração de sistemas, manutenção e modernização. Para a Alemanha, por outro lado, um entendimento bem-sucedido abriria espaço para aprofundar a cooperação tecnológica com um dos maiores mercados de defesa da Ásia, num momento em que a competição internacional por contratos submarinos continua particularmente intensa.

Por fim, e alargando a análise à visita do chanceler Merz à Índia, as fontes governamentais indianas esperam aproveitar a ocasião para explorar novas vias de cooperação entre os dois países, sobretudo depois de Berlim ter levantado restrições à exportação de um número relevante de artigos de defesa, embora ainda não seja claro em que áreas concretas os esforços se irão concentrar. A relação bilateral também deverá ganhar mais densidade através de investimentos económicos alemães em cidades indianas e dos preparativos para as Consultas Intergovernamentais, que terão lugar na Alemanha no final do ano.

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos

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