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Volkswagen aumenta vendas, mas a rentabilidade afunda com o peso dos elétricos

Automóvel elétrico Volkswagen futurista verde exposto num espaço moderno com janelas grandes e carregador na parede.

A Volkswagen fechou o primeiro trimestre de 2025 com um crescimento de 4,6% nas vendas, totalizando 726 267 automóveis vendidos, sem contar com a China, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Ainda assim, este é um daqueles casos em que vender mais não se traduziu automaticamente em melhores resultados.

Apesar da subida das vendas e de um reforço de 10,2% na receita - que atingiu 21,2 mil milhões de euros -, a margem operacional recuou de 3,9% para uns preocupantes 0,5%. Parte desta aparente contradição está ligada ao forte aumento da procura pelos seus modelos 100% elétricos.

Na Europa, os elétricos da Volkswagen mais do que duplicaram as vendas no trimestre, com um avanço de 157% face ao período homólogo, impulsionados pelo desempenho muito forte de modelos como o ID.4 e o ID.7. Esse resultado permitiu até à marca ultrapassar a Tesla em números absolutos, com 65 679 unidades contra 53 237. O benefício estendeu-se também ao grupo, cuja quota de mercado nos elétricos passou de 9% para 19%.

Contudo, ao contrário dos modelos com motor de combustão, os elétricos continuam a ter custos de fabrico mais elevados e margens de lucro mais reduzidas. Em muitos casos, a passagem para a mobilidade elétrica exige investimentos pesados em plataformas, software, baterias e adaptação industrial, o que comprime a rentabilidade no curto prazo, mesmo quando o volume de vendas cresce de forma expressiva.

Isso ajuda a explicar, em parte, a queda do resultado operacional da Volkswagen em 84,9%, para 112 milhões de euros. O construtor acrescenta ainda que este recuo foi agravado por “custos extraordinários”, incluindo provisões associadas às metas de emissões da União Europeia, encargos legais ligados ao Dieselgate e custos adicionais de transporte de viaturas, já relacionados com as tarifas de importação introduzidas pelos Estados Unidos no início de abril.

Mesmo com a margem operacional reduzida para apenas 0,5%, a Volkswagen mantém a meta de chegar aos 4% até ao final deste ano. Já o objetivo mais ambicioso, de alcançar uma margem de 6,5%, foi adiado de 2026 para 2029.

Volkswagen elétricos e os planos para o futuro

Apesar dos resultados pouco animadores, o fabricante alemão não ficou parado. A Volkswagen e as restantes marcas do grupo Core - SEAT, CUPRA, Škoda e Volkswagen Veículos Comerciais - pretendem aumentar a eficiência através de mais cooperação e integração, com maior concentração dos centros de desenvolvimento técnico e uma otimização das unidades de produção.

Nos próximos anos, a prioridade passará pela nova família de modelos urbanos elétricos, que começará a chegar ao mercado em 2026 com o lançamento do Volkswagen ID.2, cujo preço deverá arrancar nos 25 mil euros. Logo a seguir surgirão o CUPRA Raval, o Škoda Epiq e o Volkswagen ID.2X. Só este projeto poderá gerar poupanças na ordem dos 650 milhões de euros.

Outro lançamento em carteira é o ID.EVERY1, previsto para 2027, que deverá custar menos de 20 mil euros e será produzido na fábrica da Autoeuropa, em Portugal.

Entretanto, a marca assinalou recentemente a produção do seu milhão de elétricos na fábrica de Zwickau, na Alemanha - um ID.3 GTX. Ainda assim, a celebração acabou por ficar em segundo plano face ao impacto financeiro que estes modelos estão a ter na rentabilidade do grupo.

Nos próximos trimestres, a grande questão para a Volkswagen será equilibrar o crescimento dos volumes com uma melhoria real das margens. Para isso, a marca terá de continuar a reduzir custos, simplificar a oferta e acelerar a eficiência industrial, sem perder competitividade num mercado elétrico cada vez mais disputado.

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