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Renault quer democratizar a mobilidade elétrica com o motor E7A

Carro elétrico branco futurista Renault E7A 2027 em sala moderna com plantas ao fundo.

A Renault tem vindo a apostar em tornar a mobilidade elétrica cada vez mais acessível. Na perspetiva da marca, não se trata de uma tendência passageira, mas sim de um objetivo que o construtor francês persegue de forma ativa desde 2012, ano em que lançou o Zoe.

Essa estratégia passa por desenvolver tecnologia inteiramente francesa, desde as plataformas até aos motores elétricos, reforçando o controlo sobre toda a cadeia de valor e sobre a evolução dos seus modelos.

Os dados ajudam a perceber porquê: não existe motor mais eficiente do que o elétrico. Enquanto um motor a gasolina costuma apresentar uma eficiência térmica entre 35% e 40%, um motor elétrico pode atingir 90% ou mais. Para além disso, é mais compacto, mais potente e, consoante a origem da eletricidade, pode funcionar com emissões nulas. E ainda há margem para evoluir.

O novo motor E7A do Grupo Renault, desenvolvido em parceria com a Valeo - um dos maiores fornecedores da indústria automóvel -, quer ir ainda mais longe, combinando maior compacidade com mais potência e mais eficiência.

Renault E7A: sem terras raras no motor elétrico

Os automóveis elétricos são muitas vezes apresentados como soluções de “zero emissões”, mas também têm impacto ambiental, sobretudo na fase de produção, impacto esse que é depois compensado ao longo do seu ciclo de vida.

No caso dos motores, o maior desafio está nos ímanes permanentes - um dos elementos centrais dos motores elétricos -, que exigem um recurso significativo a terras raras. O Grupo Renault respondeu a essa questão com uma opção simples e eficaz: prescindir das terras raras.

Em vez de utilizar um rotor com ímanes permanentes, a Renault vai recorrer a um rotor bobinado, apoiando-se na sua experiência pioneira com motores síncronos excitados eletricamente (EESM) em automóveis de produção desde 2012, ano de estreia do Zoe.

Com esta solução, o E7A deverá reduzir a sua pegada carbónica em 30%, ao mesmo tempo que fortalece a segurança da cadeia de abastecimento e diminui a dependência de países produtores de terras raras e de ímanes.

Esta abordagem tem também outra vantagem importante: permite ao fabricante ganhar maior autonomia industrial num contexto em que a disponibilidade de matérias-primas estratégicas pode variar. Ao reduzir a exposição a esses constrangimentos, a Renault reforça a previsibilidade dos custos e a robustez do desenvolvimento tecnológico.

Mais de 200 kW de potência no motor elétrico Renault

A outra grande novidade ligada ao E7A prende-se com a sua arquitetura elétrica. Este motor elétrico de terceira geração da Renault vai ser integrado num sistema de 800 V, em vez dos atuais 400 V, o que deverá traduzir-se em tempos de carregamento mais curtos.

Em conjunto com o estator da Valeo, a parte fixa da máquina elétrica no interior da qual o rotor gira, esta solução permitirá elevar a potência e a eficiência do novo motor elétrico. A nova unidade chega aos 200 kW, equivalentes a 272 cv - atualmente o valor fica-se pelos 160 kW, ou 218 cv -, com a promessa de não aumentar o consumo de energia elétrica, tornando o conjunto ainda mais eficiente.

Na prática, uma arquitetura de 800 V também abre a porta a uma utilização mais conveniente em viagens longas, ajudando a reduzir o tempo parado nas estações de carregamento. Para o condutor, isso pode significar uma experiência mais próxima da de um automóvel convencional em termos de disponibilidade, mas com todas as vantagens da propulsão elétrica.

Produção do E7A começa em 2027

Ainda será preciso esperar alguns anos até ao lançamento do novo motor E7A. O arranque da produção está previsto para o final de 2027, na fábrica de Cléon, do Grupo Renault.

O E7A é uma das peças-chave da próxima geração de veículos elétricos da marca e a ambição é elevada: reduzir os custos em 40% face aos modelos atualmente disponíveis.

O essencial a reter é que a próxima vaga de elétricos do Grupo Renault promete representar um avanço relevante em vários planos, do preço à eficiência, sem esquecer o desempenho e a sustentabilidade.

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