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Os F-16 dinamarqueses para a Argentina podem chegar mais cedo

Piloto militar caminha perto de caça F-16 estacionado em pista com três jatos a voar ao fundo.

Possível alteração no calendário de receção dos caças F-16

Enquanto os voos de ensaio continuam na Área de Material de Rio Cuarto, existem sinais de que o Ministério da Defesa e a Força Aérea Argentina poderão rever o calendário de incorporação dos caças F-16 provenientes da Dinamarca. De acordo com as fontes consultadas pela Zona Militar, essa eventual atualização não apontaria para qualquer recuo, mas sim para a possibilidade de antecipar a chegada do segundo lote de aeronaves, que tinha como referência inicial o final de 2026.

Até ao momento, o plano oficial divulgado pelas autoridades ministeriais - e também refletido nos relatórios da Chefia de Gabinete de Ministros apresentados ao Congresso - previa a entrega de lotes de seis aeronaves cada. A Argentina já recebeu o primeiro conjunto no final de 2025 e, segundo o esquema original, seguir-se-iam entregas anuais em 2026, 2027 e 2028, até perfazer o total de 24 F-16A/B MLU adquiridos.

Na prática, a Real Força Aérea da Dinamarca já dispõe dos aparelhos destinados à transferência, depois da recente retirada de serviço dos F-16 associados aos compromissos com a Argentina e com a Ucrânia. Antes de serem entregues, esses aviões ainda têm de passar por manutenção e pelos trabalhos de preparação necessários para a sua passagem para a Força Aérea Argentina. Este enquadramento já fazia parte dos entendimentos entre os dois países e ganhou novo impulso com o avanço da transição dinamarquesa para o F-35, num contexto marcado pela persistência da guerra na Ucrânia, que continua sem uma solução previsível a curto prazo.

Apesar disso, a boa vontade dinamarquesa e o interesse argentino ainda terão de superar dois obstáculos. O primeiro passa pela formação do pessoal da Força Aérea, que prossegue de forma constante em Rio Cuarto e também na VI Brigada Aérea, em Tandil, na província de Buenos Aires, onde foram recentemente inauguradas instalações específicas para este processo. O segundo, e mais sensível, prende-se com a necessidade de assegurar os recursos indispensáveis para receber seis aeronaves numa data que deverá ser definida nos próximos meses.

Esse aspeto é particularmente relevante, tendo em conta a programação orçamental e financeira da Força Aérea Argentina em particular, e da pasta da Defesa em geral. Caso seja necessário, o governo nacional terá de autorizar ajustes e reforços nas verbas, uma vez que continuará a ter a decisão final sobre estas matérias.

Uma eventual antecipação do segundo lote teria também efeitos práticos na consolidação do programa. Um intervalo mais curto entre remessas permitiria manter o ritmo de adaptação das tripulações e das equipas de manutenção, ao mesmo tempo que facilitaria a organização da cadeia logística, do apoio em terra e da integração operacional dos novos caças.

No plano estratégico, a Argentina procura recuperar capacidade aérea supersónica com um sistema já maduro e amplamente utilizado, enquanto a Dinamarca continua a modernizar a sua frota de combate. Essa convergência de interesses ajuda a explicar porque razão o calendário pode ser ajustado, desde que a preparação técnica e o financiamento acompanhem o andamento da transferência.

Fotografias: Zona Militar.

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