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Coreia do Sul prepara a transferência de um protótipo do KF-21 Boramae para a Indonésia

Dois pilotos militares a caminhar perto de um caça moderno estacionado numa pista de aeroporto.

KF-21 Boramae, Indonésia e transferência de protótipo no acordo bilateral

A Coreia do Sul vai ceder à Indonésia um protótipo do caça KF-21 Boramae no âmbito do acordo do programa, no quadro da cooperação bilateral para o desenvolvimento conjunto da nova aeronave de combate. A decisão foi formalizada depois de um entendimento alcançado a nível técnico entre os dois países, com o objetivo de organizar o esquema de contributos, tecnologia e compensações associado ao projeto do KF-21.

Segundo a Administração do Programa de Aquisição de Defesa da Coreia do Sul (DAPA), o entendimento define um pacote de transferência avaliado em 600 mil milhões de won, um valor que corresponde à contribuição final que a Indonésia se comprometeu a assumir no programa de desenvolvimento. Os documentos apresentados à Comissão de Defesa Nacional indicam que este montante inclui a transferência do quinto protótipo do KF-21, um modelo monoposto, bem como dados de desenvolvimento, custos de investigação e componentes tecnológicos associados.

O quinto protótipo do KF-21, avaliado em cerca de 350 mil milhões de won, realizou o seu primeiro voo em maio de 2023 e, desde então, tem servido para validar sistemas essenciais, incluindo o radar de varrimento eletrónico ativo e os ensaios de reabastecimento em voo. O pacote contempla ainda 174,2 mil milhões de won destinados à transferência de tecnologia e ao financiamento de pessoal de investigação local, além de 75,8 mil milhões de won correspondentes à documentação técnica do programa.

A Indonésia tinha inicialmente aceitado financiar cerca de 20% do custo total de desenvolvimento, o que ascendia a aproximadamente 1,6 biliões de won; contudo, adiou os pagamentos devido à sua situação económica interna. Em consequência, a Coreia do Sul redefiniu a contribuição indonésia para 600 mil milhões de won e ponderou a possibilidade de incluir a entrega de um protótipo como mecanismo de compensação. Até ao momento, Jacarta já pagou 536 mil milhões de won e prevê liquidar os 64 mil milhões em falta antes de junho.

Quando o pagamento total estiver confirmado, a DAPA pretende definir o calendário para a transferência do protótipo e do conjunto completo de dados de desenvolvimento. Essa transferência fará parte do encerramento administrativo do esquema de cooperação industrial e tecnológica estabelecido pelos dois países para o programa KF-21, considerado um dos projetos de defesa mais relevantes da Coreia do Sul.

Além do valor financeiro, a entrega do protótipo e da documentação técnica tem também um peso estratégico. Em programas desta natureza, o acesso a dados de desenvolvimento e a componentes tecnológicos permite aos parceiros manter capacidade de acompanhamento industrial e reforçar a base de conhecimentos acumulada durante o projeto, o que ajuda a sustentar a cooperação a longo prazo.

Em paralelo com o processo de compensação, a Coreia do Sul e a Indonésia têm continuado a negociar a exportação de 16 caças KF-21, uma operação que representaria o primeiro contrato internacional de venda deste modelo desenvolvido pela Indústrias Aeroespaciais da Coreia (KAI). A compra, que surge depois de altos e baixos na participação da Indonésia no programa, marcaria também uma nova etapa na relação de defesa entre Jacarta e Seul.

Em linha com estes desenvolvimentos, no final de março a KAI apresentou oficialmente o primeiro KF-21 de série destinado à Força Aérea da Coreia do Sul, consolidando uma nova fase dentro do programa. Durante a cerimónia, o Governo sul-coreano sublinhou a importância do marco com a afirmação: “Para além dos céus da Coreia, rumo aos céus do mundo.” Também assinalou que o desenvolvimento da aeronave foi o resultado de “25 longos anos e do esforço e dedicação de muitas pessoas”, destacando que os novos sistemas “protegerão o espaço aéreo da República da Coreia” e contribuirão para a estabilidade regional, no âmbito de uma estratégia orientada para o reforço da “defesa nacional autónoma”.

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.

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