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Exército Argentino em 2025-2026: blindados, artilharia e modernização

Coluna de veículos militares tanques e camião em terreno seco, com drone a sobrevoar ao fundo.

O levantamento realizado por Zona Militar e Stratbridge sobre a composição do Exército Argentino em 2025-2026 permite traçar um retrato bastante nítido das suas capacidades atuais. A espinha dorsal da componente blindada continua a ser o Tanque Argentino Médio (TAM) e as suas variantes sobre chassis comum, enquanto o programa de modernização fechou 2024 com a entrega do primeiro esquadrão. Em paralelo, começou já a transição - ainda em fase inicial - para o veículo de combate blindado sobre rodas, com os primeiros VCBR 8×8 M1126 Stryker em dotação ativa.

A aposta em famílias de viaturas com base comum também tem impacto direto na logística. Ao concentrar a frota em plataformas aparentadas, o Exército reduz a variedade de peças sobressalentes, simplifica a manutenção e torna mais fácil a preparação técnica das equipas de apoio. Ainda assim, a convivência entre material envelhecido e sistemas recentemente modernizados obriga a uma gestão apertada da disponibilidade e da cadeia de abastecimento.

Exército Argentino e a família TAM sobre lagartas

O componente sobre lagartas continua organizado em torno da família TAM, concebida sobre o chassis do Marder alemão e produzida localmente desde o início da década de 1980. O inventário inclui todas as suas variantes operacionais: o VC TAM como tanque, o VCTP para transporte de pessoal, o VCTM para morteiros, o VCPC como posto de comando, o VCRT como viatura de recuperação de tanques, além do VCA Palmaria, o obuseiro autopropulsado de 155 mm que equipa a artilharia mecanizada.

A novidade mais relevante dos últimos anos neste segmento é o TAM 2C-A2, uma versão modernizada com sistema digitalizado de controlo de tiro, mira panorâmica estabilizada Coaps-L, capacidade de combate em todo-o-tempo e sistema de seguimento automático de alvos, desenvolvido em parceria com a Elbit Systems de Israel. Em dezembro de 2024, o Ministério da Defesa formalizou a entrega do primeiro esquadrão de dez viaturas ao Regimento de Cavalaria de Tanques 8, em Magdalena. A meta original prevê mais de sete dezenas de viaturas, num universo total de 231 TAM.

A passagem para as rodas: Stryker e viaturas ligeiras

A mudança para a mobilidade sobre rodas arrancou em 2025 com a receção dos primeiros VCBR 8×8 M1126 Stryker da General Dynamics, no âmbito da modernização da Força de Desdobramento Rápido e da X Brigada Mecanizada. No fecho do levantamento, havia oito unidades em serviço - entregues em duas remessas de quatro - e as guarnições tinham sido formadas nos EUA através de cursos ministrados pela própria General Dynamics.

Em paralelo, o Exército enviou uma comissão a Fort Cavazos e ao Anniston Army Depot para avaliar a entrada de mais de meia centena de viaturas adicionais através do programa de excedentes de defesa (EDA), incluindo as variantes M1134 ATGM anticarro, M1130 CV como posto de comando e M1133 MEV ambulância, além de mais M1256 ICVV para transporte de pessoal. No segmento de viaturas ligeiras de menor porte, o inventário passou a incluir os Polaris MRZR D4 como viaturas táticas ultraleves em 2024-2025, enquanto o contrato com a Mercedes-Benz para um lote de UNIMOG U4000 dará início à substituição progressiva dos veteranos UNIMOG 416, com várias décadas de serviço. Os AM General HMMWV, os Agrale Marruá, os Oshkosh FMTV M1085 e M1148 e os Ford Ranger nas suas diferentes configurações completam o quadro de mobilidade ligeira e média. Para condições de neve e ambiente antártico, foi incorporado em 2024 o Tucker Sno-Cat 1642.

A coexistência de plataformas tão distintas - desde viaturas ultraleves até blindados 8×8 - mostra que a modernização não depende apenas de aquisições isoladas. O desafio passa também por integrar doutrinas de emprego, harmonizar comunicações e garantir que as novas viaturas entram numa estrutura que ainda precisa de manter prontidão em grandes distâncias e em terrenos muito diversos.

Artilharia, defesa antiaérea e vigilância aérea

O componente de artilharia mantém ao serviço o sistema de lançamento múltiplo de foguetes sobre chassis IVECO/CITEDEF, incorporado entre 2015 e 2018, bem como os obuseiros de 155 mm como artilharia rebocada de longo alcance. O OTO Melara Mod 56 de 105 mm continua a sustentar a artilharia de campanha das unidades de montanha.

A defesa antiaérea de ponto opera com os GDF de 35 mm, em conjunto com os respetivos diretores de tiro e com o Oerlikon DA 004, complementados ao nível MANPADS pelo Saab/Bofors Dynamics RBS 70 NG. Para vigilância aérea, o Exército dispõe do radar AN/TPS-44 Alert MK II e do TPA-300M.

TAM 2C-A2, Stryker e a modernização da força blindada

O TAM 2C-A2 e o Stryker são os dois grandes vetores do processo de modernização da força. O primeiro prolonga a vida operacional do material já existente; o segundo introduz uma plataforma de nova geração, destinada a redefinir a doutrina de mobilidade blindada. A velocidade com que ambos os programas avançarem em 2026 será decisiva para perceber se o Exército consegue manter a trajetória de recuperação de capacidades iniciada nos últimos anos.

Infografia: equipa Zona Militar e Stratbridge. Dados recolhidos periodicamente e publicados nos anuários específicos.

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