Como parte da sua primeira deslocação à América do Sul no âmbito da missão humanitária Harmonia-2025, um dos navios-hospital Tipo 920 da Marinha chinesa, a Arca da Rota da Seda, atracou na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. A viagem, iniciada em 2025 após a partida do porto de Quanzhou, na província de Fujian, integra uma operação médica e diplomática mais ampla, que também inclui escalas no Chile e no Uruguai.
Durante a permanência no Brasil, a Arca da Rota da Seda ficará no Rio de Janeiro entre 8 e 15 de janeiro, cumprindo uma agenda alargada de cooperação médica e de atividades conjuntas com a Marinha do Brasil. Para além de prestar assistência médica gratuita à população local, o navio abrirá as suas portas ao público e destacará equipas de especialistas para o Hospital Naval Marcílio Dias e para o Centro Médico Operacional da Marinha brasileira, com o objetivo de promover trocas profissionais. Em paralelo, representantes do Departamento de Saúde Naval do Brasil visitarão o navio-hospital chinês, participando em atividades de intercâmbio académico e numa demonstração conjunta de salvamento de vítimas em combate a bordo da embarcação.
A presença desta unidade hospitalar na América do Sul tem como objetivo assegurar cuidados médicos sem custo e reforçar a cooperação em saúde entre a China e os países visitados. Antes de chegar à região, o navio passou por Nauru, Fiji, Tonga, México, Nicarágua, Jamaica e Barbados, onde a sua guarnição de 378 elementos - composta por médicos, enfermeiros e técnicos do Comando do Teatro de Operações do Sul da Marinha chinesa - realizou um vasto trabalho humanitário. Na escala na Jamaica, por exemplo, foram registadas 7 536 consultas médicas, 715 intervenções cirúrgicas e 50 internamentos, números que constituíram um máximo histórico para a embarcação numa única paragem.
Além do impacto assistencial imediato, este tipo de missão também funciona como uma ponte entre sistemas de saúde e marinhas de diferentes países. A partilha de protocolos clínicos, a observação de procedimentos de emergência e o contacto direto entre equipas médicas ajudam a criar confiança institucional e a melhorar a resposta a catástrofes, acidentes e outras situações que exijam apoio humanitário rápido.
Posteriormente, o navio-hospital seguirá para o porto de Montevideu, onde fará uma escala técnica entre 20 e 24 de janeiro de 2026, autorizada pelo Poder Executivo do Uruguai. Durante a estadia na capital uruguaia, oferecerá cuidados médicos gratuitos, consultas especializadas e contactos profissionais com pessoal de saúde local. Por fim, a embarcação rumará ao Chile, com uma visita prevista ao porto de Valparaíso, encerrando assim a sua rota regional.
A Arca da Rota da Seda é o segundo navio-hospital oceânico Tipo 920. Com um deslocamento de 14 000 toneladas, dispõe de 14 serviços clínicos, sete unidades auxiliares de diagnóstico, oito salas de operações e uma capacidade total de 300 camas, incluindo 20 para cuidados intensivos. Este conjunto é complementado por equipamento médico moderno, que permite realizar entre 40 e 60 cirurgias por dia, bem como exames de radiografia, tomografia computorizada, ecografia, hemodiálise e tratamentos de medicina tradicional chinesa. Na popa, o navio conta ainda com um convés de voo e um hangar para um helicóptero Z-8JH, utilizado em evacuações médicas.
A presença da Arca da Rota da Seda em águas latino-americanas evidencia o reforço do papel da China na diplomacia médica e humanitária à escala global. Através da sua participação na missão Harmonia-2025, a Marinha chinesa procura consolidar laços de cooperação com países sul-americanos, disponibilizando recursos de saúde, apoio técnico especializado e assistência às comunidades.
Pode interessar-lhe: a Marinha chinesa poderá dispor de uma frota de nove porta-aviões até 2035, alerta os Estados Unidos
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário