F-16V de Taiwan: busca ao piloto e investigação técnica após o acidente
Ontem, a Força Aérea de Taiwan confirmou a perda de um dos seus caças F-16V durante uma missão de treino nocturno agendada sobre águas próximas do condado de Hualien. Perante o incidente, a força aérea suspendeu todas as operações da frota para efectuar uma avaliação exaustiva das possíveis causas e verificar se outras aeronaves poderão estar a apresentar falhas técnicas semelhantes. Segundo a comunicação social local, acredita-se que o piloto Hsin Po-Yi se tenha ejetado em segurança, de acordo com o protocolo, estando ainda em curso as operações de busca e salvamento.
A Força Aérea de Taiwan reuniu os jornalistas para esclarecer mais pormenores e explicou que o voo decorreu com chuva ligeira e visibilidade estimada em cerca de 9 km. Foi igualmente referido que a aeronave emitiu alertas repetidos de ejeção logo após a detecção das avarias, mas a recuperação do piloto ficou dificultada porque o sinal do localizador instalado no seu assento não estava a ser recebido. Assim, as equipas de socorro ficaram apenas com uma estimativa da área onde ele poderá encontrar-se. No total, foram mobilizados 11 navios e 13 aeronaves para a operação.
A decisão de parar temporariamente toda a frota tem também uma dimensão preventiva: num caso como este, os técnicos costumam cruzar dados de manutenção, registos de missão e informações dos sistemas de bordo para distinguir entre falha mecânica, erro electrónico ou influência do ambiente operacional. Esse tipo de verificação é particularmente importante quando se trata de aviões modernizados, porque uma anomalia isolada pode, em teoria, revelar um problema mais amplo de configuração ou integração de sistemas.
Na análise das possíveis origens do acidente, a instituição indicou que a hipótese de fadiga do piloto provocada pelo treino foi afastada, tendo em conta que o militar tinha estado recentemente de férias de Ano Novo e que a missão estava previamente marcada; por isso, não se tratava de uma deslocação de emergência. Acresce que foi referido que o F-16 com o número de identificação 6700 tinha cumprido toda a manutenção de rotina e que, desde a sua entrega, não havia qualquer registo de avaria técnica relevante.
De acordo com o que foi avançado pela imprensa local, as duas explicações mais prováveis são uma eventual explosão do motor ou uma falha no computador de bordo. Para a Força Aérea, contudo, a principal teoria é a segunda: foram detectadas várias anomalias que privaram o piloto de dados essenciais, como a altitude, o que acabaria por conduzir ao acidente. A informação foi transmitida pelo coronel Chou Ming-ching, em resposta a uma pergunta colocada na internet durante uma conferência de imprensa, numa divulgação que apontava para uma tendência de avarias técnicas na frota de caças F-16 modernizados para o Bloco 70 no âmbito do programa Peace Phoenix Rising.
Modernização do F-16V e novas medidas de segurança
Na mesma linha, o Inspector-Geral da Força Aérea de Taiwan, Chiang Yi-cheng, afirmou que decorrem conversações com os EUA sobre melhorias no sistema de alerta de colisão e sobre o fornecimento de informação relevante que ajude a evitar incidentes semelhantes no futuro, uma vez que os F-16 Block 70 também integram a Força Aérea norte-americana. Chiang declarou:
“Vamos instar os americanos a concluírem o trabalho nos sistemas o mais depressa possível. Esperamos que o processo avance dentro do calendário previsto, ou até antes do prazo, para que possamos receber o Auto-GCAS e os equipamentos associados até ao final do ano.”
Por fim, importa sublinhar que não ficará apenas a frota de F-16V em terra: todos os seus pilotos também serão abrangidos. Segundo a Força Aérea, estes militares vão passar por treino adicional intensivo em simulador, centrado em procedimentos de resposta a possíveis falhas da aeronave e em desorientação espacial, incluindo operações nocturnas nas mesmas condições verificadas no dia do acidente. Além disso, Taipé está a avaliar, à semelhança dos seus homólogos norte-americanos, a compra de novos relógios de uso militar equipados com altímetros e GPS, para oferecer aos seus pilotos uma ajuda suplementar à navegação durante os voos.
As imagens utilizadas servem apenas para fins ilustrativos.
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