Projeto Cetus, AUKUS e a chegada do novo XLUUV
A Marinha Real britânica assinalou, em dezembro passado, mais um avanço na modernização das suas capacidades submarinas ao anunciar que recebeu oficialmente o XV Excalibur, que é atualmente o maior dos seus novos submarinos experimentais não tripulados. Classificado como Veículo Submarino Não Tripulado Extragrande (XLUUV), este sistema tem uma eslora de 12 metros e um deslocamento de 19 toneladas, tendo sido desenvolvido no âmbito do Projeto Cetus através de uma parceria entre a Agência de Entrega de Submarinos (SDA) e a MSubs Ltd.
A entrada em serviço de plataformas autónomas deste tipo insere-se numa mudança mais ampla na forma como as marinhas modernas encaram a vigilância e a presença subaquática, sobretudo quando procuram reduzir riscos para as tripulações e aumentar a persistência operacional. No caso britânico, o XV Excalibur funciona também como uma plataforma de validação tecnológica, pensada para testar soluções que poderão ser aproveitadas em programas futuros e em operações conjuntas com aliados.
Ensaios no mar do XV Excalibur: o programa de testes e a ligação à AUKUS
O submarino já tinha sido apresentado em maio de 2025, na Base Naval de Devonport (HMNB), perante responsáveis navais ligados ao programa AUKUS. Ainda assim, continua por cumprir uma extensa fase de provas no mar, durante a qual os militares britânicos irão avaliar o desempenho real do sistema e ganhar experiência na operação de uma plataforma com estas dimensões. De acordo com o calendário atualmente em vigor e com a informação oficial divulgada pela instituição, esta etapa deverá ficar concluída ao longo dos próximos dois anos.
Estas campanhas de ensaio são decisivas porque permitem verificar não só a resistência física do veículo, mas também a fiabilidade do software, dos sensores e dos sistemas de navegação. Só depois dessa fase é possível transformar um protótipo promissor numa capacidade operacional capaz de responder às exigências reais do ambiente subaquático.
No âmbito desse processo de validação, a Marinha Real destacou que o XV Excalibur já demonstrou as suas capacidades durante o Exercício Talisman Sabre, realizado em agosto passado. A particularidade do teste foi que o submarino operou nas águas do Reino Unido enquanto era comandado por pessoal instalado num posto de operações na Austrália, a mais de 16 000 quilómetros de distância. O episódio foi recebido como um progresso relevante no contexto do “Pilar 2” da parceria AUKUS, no qual se sublinha a importância de reforçar a interoperabilidade entre as forças dos países envolvidos.
Esta demonstração mostra até que ponto os sistemas autónomos podem alargar o alcance das operações sem exigir presença constante de equipas no teatro de operações. Além disso, o controlo remoto a longas distâncias abre espaço para missões distribuídas e para respostas mais rápidas em cenários em que a ligação entre recolha de dados, análise e decisão tem de ser extremamente ágil.
O relógio quântico Tiqker e as missões possíveis do XV Excalibur
Mais tarde, a Marinha Real britânica salientou também que o XV Excalibur validou a utilidade e o funcionamento do seu relógio atómico óptico quântico, chamado “Tiqker”, desenvolvido pela empresa local Infleqtion. Na prática, este equipamento dá ao submarino capacidades de navegação precisa com menos necessidade de receber sinais do exterior, o que lhe permite manter-se submerso durante períodos mais prolongados. Segundo a instituição, trata-se de um avanço inovador que reduz a dependência dos relógios tradicionais baseados em micro-ondas, bem como do conhecido sistema GPS.
Ao diminuir a necessidade de correções frequentes vindas da superfície, este tipo de solução aumenta a discrição e a continuidade das operações subaquáticas. No futuro, tecnologias semelhantes poderão revelar-se particularmente valiosas em ambientes contestados, onde a navegação autónoma é tão importante como a furtividade.
Na apreciação da própria instituição: “Os progressos alcançados este ano apontam para um futuro entusiasmante, em que os veículos submarinos autónomos e os submarinos nucleares trabalharão em conjunto para fornecer à Marinha Real uma capacidade subaquática excecional. A capacidade do Excalibur posiciona o Reino Unido como líder em tecnologia autónoma subaquática e demonstra a aptidão da SDA para explorar as tecnologias mais recentes em benefício da segurança nacional.”
Quanto às missões para as quais poderá ser utilizado, o XV Excalibur poderá participar em operações de recolha de informações, patrulhamento de infraestruturas críticas no fundo do mar e emprego de cargas úteis específicas adaptadas a diferentes perfis de missão. Essa versatilidade é possível graças ao seu Espaço de Carga Principal (MPS), situado na parte superior da proa, complementado por outros espaços secundários visíveis na popa, além de estar equipado com escotilhas tanto na face superior como na face inferior da plataforma.
Créditos das imagens
Créditos das imagens: Marinha Real – MSubs Ltd.
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