NRP Tridente da classe Tridente reforça a vigilância marítima aliada
Na terça-feira, 14 de abril, a Marinha Portuguesa comunicou que o submarino NRP Tridente deixou a Base Naval de Lisboa para integrar a Operação Escudo Brilhante da OTAN, uma missão concebida para intensificar a vigilância e a segurança marítimas em zonas consideradas estratégicas para a Aliança. Esta saída enquadra-se no contributo nacional para as missões aliadas, num momento em que aumenta a atividade em vários espaços marítimos de elevada relevância.
Num contexto em que o domínio subaquático assume um peso crescente na segurança coletiva, a presença de um submarino como o Tridente representa uma capacidade particularmente valiosa. A sua discrição, autonomia e aptidão para recolher informação tornam este tipo de plataforma essencial para operações de vigilância, dissuasão e acompanhamento de movimentos em áreas onde a deteção precoce pode fazer a diferença.
A cerimónia de despedida foi presidida pelo Chefe do Estado-Maior da Marinha, Almirante Jorge Nobre de Sousa, que destacou o valor operacional deste destacamento. Sublinhou que, ao participar na Operação Escudo Brilhante, o Tridente irá contribuir para a vigilância e para a segurança de áreas centrais para os objetivos da Aliança, garantindo uma presença credível e fortalecendo a capacidade de monitorizar as atividades dos intervenientes relevantes.
O almirante dirigiu-se igualmente à guarnição, enaltecendo o nível de preparação e a dedicação profissional da tripulação. Manifestou ainda total confiança na competência, na formação e na disciplina do pessoal embarcado, frisando que os militares representarão Portugal com dignidade, responsabilidade, zelo, aptidão e integridade ao longo de toda a missão.
Além do valor da missão em si, este tipo de destacamento permite consolidar procedimentos essenciais para operações conjuntas. A coordenação entre meios submarinos, unidades de superfície e plataformas aéreas é determinante para garantir deteção, seguimento e avaliação eficazes de potenciais ameaças, sobretudo em cenários multinacionais em que a interoperabilidade é um fator crítico.
Como parte deste destacamento, o submarino da Marinha Portuguesa participará no exercício Dynamic Mongoose, considerado um dos principais exercícios da OTAN dedicados à guerra antissubmarina. Também tomarão parte nas manobras a fragata D. Francisco de Almeida, integrada no Grupo Naval Permanente 1 (SNMG1) da OTAN, e uma aeronave P-3 da Força Aérea Portuguesa, o que permitirá testar e reforçar a coordenação multinacional em operações de deteção e seguimento de ameaças submarinas.
Para além da participação nos exercícios, o NRP Tridente apoiará durante duas semanas o programa de Formação e Normas Operacionais da Frota (FOST) da Marinha Real Britânica. Este tipo de treino procura avaliar e melhorar a interoperabilidade e o grau de prontidão das unidades navais que operam de acordo com os padrões da OTAN.
O desdobramento do submarino português ocorre em simultâneo com outras contribuições aliadas em diferentes teatros de operações marítimas, incluindo a espanhola no Mediterrâneo. O submarino Galerna, da Marinha Espanhola, iniciou recentemente a sua participação na Operação Escudo Nobre da OTAN, depois de ter partido de Cartagena e substituído o Isaac Peral, reforçando assim a presença aliada numa área de grande importância estratégica para a segurança marítima europeia.
Características do submarino da classe Tridente
O NRP Tridente pertence à classe Tridente, concebida para missões de longa duração e dotada de capacidades avançadas de furtividade e combate. Tem um deslocamento à superfície de 1 842 toneladas e um deslocamento submerso de 2 020 toneladas. Mede 68 metros de comprimento, 6,35 metros de boca e 6,6 metros de calado, o que lhe permite operar a profundidades superiores a 300 metros.
No que diz respeito aos seus sistemas, está equipado com um radar de navegação Kelvin Hughes KH-1007 e com um sistema de combate Atlas Elektronik GmbH ISUS 90-50, que integra sensores e funcionalidades de gestão tática. O seu armamento inclui 12 torpedos e até 6 mísseis Harpoon UGM-84, enquanto o sistema de propulsão combina dois motores diesel MTU 16V396 TB-94, um motor elétrico Siemens Permasyn e dois geradores de propulsão independente do ar (AIP) Siemens Sinavy, permitindo-lhe atingir velocidades de até 20 nós em imersão.
Imagens cedidas pela Marinha Portuguesa.
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