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Coreia do Norte volta a testar mísseis a partir do contratorpedeiro Choe Hyon

Navio militar a lançar míssil enquanto dois oficiais observam com binóculos no convés sobre o mar.

Contratorpedeiro Choe Hyon e ensaios de mísseis da Coreia do Norte sob observação de Kim Jong-un

A Coreia do Norte efectuou mais uma ronda de ensaios de mísseis lançados a partir do seu novo contratorpedeiro da classe Choe Hyon, uma embarcação com cerca de 5.000 toneladas de deslocamento, no âmbito de testes concebidos para medir a eficiência operacional e os sistemas de combate do navio, informou hoje a agência estatal KCNA. A operação foi acompanhada pelo líder norte-coreano Kim Jong-un, que esteve ladeado por altos responsáveis militares, numa nova avaliação do processo de incorporação do navio e do desempenho dos seus sistemas de armamento.

Os ensaios decorreram em 13 de abril de 2026, nas águas da costa ocidental do país, e incluíram o lançamento de dois mísseis de cruzeiro e três mísseis antinavio. O objectivo passou por confirmar o correcto funcionamento do sistema integrado de comando e controlo de armas e, ao mesmo tempo, treinar as tripulações nos procedimentos de lançamento.

Segundo os dados divulgados, os mísseis de cruzeiro mantiveram trajectórias de voo entre 7,869 e 7,920 segundos, enquanto os mísseis antinavio voaram durante 1,960 e 1,973 segundos, atingindo os respectivos alvos com aquilo que foi descrito como “exactidão extrema”. Estes testes também procuraram validar melhorias nos sistemas de navegação, em especial no que toca à resistência a interferências electrónicas e à precisão de guiamento - factores essenciais para o emprego de mísseis em cenários de guerra electrónica.

O Choe Hyon, apresentado oficialmente em 25 de abril de 2025 no estaleiro de Nampho, é o primeiro exemplar de uma nova classe de contratorpedeiros com mísseis guiados para a Marinha da Coreia do Norte. Apesar de o seu deslocamento o aproximar da categoria de fragata multifunções, Pyongyang descreve a embarcação como um destróier, devido às suas capacidades de defesa aérea, ataque a alvos de superfície e ataque terrestre.

No que toca à configuração, o navio integra um canhão naval montado na proa, estimado em 127 mm, vários sistemas de armamento para defesa aproximada (CIWS), incluindo montagens semelhantes à versão navalizada do Pantsir-ME, bem como canhões automáticos AK-630 de 30 mm. Contudo, a sua principal característica é o sistema de lançamento vertical (VLS), composto por várias células - calculadas em mais de 70 no total e de diferentes dimensões - que permitem o emprego de mísseis de defesa aérea, de cruzeiro e, potencialmente, até balísticos.

Desde a sua apresentação, o contratorpedeiro da classe Choe Hyon tem passado por várias fases de testes, incluindo avaliações de navegação, verificação dos sistemas de combate e lançamentos de mísseis de cruzeiro, como o Hwasal-2, tudo isto integrado no processo de pré-incorporação.

Num plano mais amplo, estes ensaios indicam que a Coreia do Norte continua a apostar na modernização da sua frota de superfície, privilegiando navios com maior capacidade de projecção de fogo e de dissuasão. A combinação entre sensores, comando centralizado e uma bateria diversificada de mísseis sugere uma tentativa de aproximar o navio de padrões mais actuais de guerra naval, mesmo num contexto de limitações industriais e tecnológicas.

Em paralelo, as autoridades norte-coreanas confirmaram avanços na construção de pelo menos mais dois contratorpedeiros desta classe, o que revela um esforço contínuo para consolidar uma força naval de superfície com capacidade de mísseis, alinhada com a estratégia de modernização marítima do país. Segundo o que foi igualmente confirmado, tratam-se da terceira e quarta unidades da classe Choe Hyon, cujos sistemas de armas já se encontram em fase de planeamento e desenvolvimento.

Importa ainda recordar que a segunda unidade desta classe sofreu danos durante uma manobra de lançamento falhada em março de 2025, o que acabou por atrasar ensaios posteriores e a respectiva entrada ao serviço.

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