No âmbito do vasto programa de modernização das suas Forças Armadas, a Grécia recebeu recentemente uma proposta da empresa francesa Naval Group para equipar a sua Marinha com os novos submarinos Blacksword Barracuda, encarados como uma possível substituição para a frota de submarinos Type 209, de conceção alemã, em serviço há várias décadas, bem como como complemento para os seus modelos Type 214. De acordo com a informação disponível, a empresa respondeu ao pedido de informação apresentado por Atenas com uma oferta que prevê, no total, quatro submarinos, considerando que esse número e este projeto correspondem às necessidades atuais da instituição.
Blacksword Barracuda: o submarino da Marinha grega em análise
Convém destacar que este projeto é uma variante derivada do Barracuda original, que está a ser integrado na Marine nationale francesa no âmbito do seu próprio plano de modernização, embora apresente uma diferença fundamental: não utiliza propulsão nuclear e recorre, em vez disso, a um sistema convencional. Para esse efeito, o submarino Blacksword Barracuda está equipado com baterias modernas de iões de lítio de elevada capacidade, o que lhe permite permanecer submerso durante longos períodos e, ao mesmo tempo, manter um nível muito elevado de discrição.
Este conceito foi também escolhido pela Marinha dos Países Baixos para estruturar a sua futura capacidade submarina, tendo sido sublinhado que as baterias de iões de lítio oferecem maior flexibilidade operacional do que soluções concorrentes baseadas em sistemas de propulsão independente do ar (AIP), sobretudo porque estas últimas precisam de regressar ao porto para recarregar.
Outro ponto relevante prende-se com o possível envolvimento da indústria local no fabrico dos novos submarinos Blacksword Barracuda. A Naval Group parte com vantagem graças aos vários laços que mantém através de uma rede de parceiros em território grego, originalmente criada para a construção das fragatas da classe Kimon (FDI HN). No que diz respeito, em particular, às empresas que poderão participar na construção dos submarinos, importa salientar a parceria existente entre a empresa francesa e a METLEN, como potencial fabricante de secções do casco, bem como com os estaleiros navais de Skaramangas, que poderão assumir as tarefas de montagem.
Também é importante recordar que um programa desta natureza exigiria uma cadeia logística sólida, formação específica para as tripulações e um esforço continuado de manutenção ao longo do ciclo de vida. Para a Grécia, a combinação entre transferência parcial de trabalho industrial e capacidade de apoio local pode revelar-se decisiva, não apenas para reduzir dependências externas, mas também para reforçar a autonomia operacional da frota submarina no Mediterrâneo oriental.
Neste momento, o processo de seleção inclui uma lista considerável de concorrentes que procuram apresentar os seus projetos como futuros submarinos da Marinha grega. A avaliação ainda se encontra numa fase inicial, com o objetivo de dispor dos primeiros submarinos por volta de 2035, embora isso dependa do tempo necessário para assinar o contrato correspondente. Neste contexto, Atenas enfrenta propostas potenciais da Naval Group, da alemã TKMS, da sueca Saab, da italiana Fincantieri e da sul-coreana Hanwha Systems.
Por fim, numa visão resumida das características com que o Blacksword Barracuda pretende afirmar-se como o novo submarino da Marinha grega, importa referir que desloca cerca de 3 300 toneladas e mede 82 metros de comprimento. Graças ao seu sistema de propulsão baseado em baterias de iões de lítio, cada unidade pode permanecer até 70 dias no mar e atingir velocidades de até 20 nós. Em termos de armamento, o projeto integra até seis tubos de torpedo de 533 mm e capacidade para armazenar até 30 armas, desde torpedos a mísseis de cruzeiro e minas navais, sendo ainda complementado pela possibilidade de lançar drones navais.
Imagens usadas apenas para fins ilustrativos
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