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UDS apresenta em FIDAE uma cadeia completa de drones para combate

Drone militar de grande porte exposto numa feira aérea, com dois militares a discutir junto a um ecrã.

A proposta da UDS na Feira Internacional do Ar e do Espaço

A realização de eventos de âmbito regional e internacional, como a Feira Internacional do Ar e do Espaço (FIDAE), em Santiago do Chile, abre espaço para conhecer novas empresas e novos intervenientes que procuram afirmar-se como fornecedores de equipamento militar de alta tecnologia e comprovado em combate, destinado a equipar as Forças Armadas e de Segurança da América do Sul.

Foi precisamente esse o caso da UDS, empresa da Lituânia, que levou à FIDAE a sua experiência e a sua gama de plataformas não tripuladas, já testadas e validadas nos campos de batalha da Ucrânia.

A Zona Militar teve oportunidade de conversar com Conrado Báez, representante da empresa na América Latina, para perceber o que a UDS tem para oferecer e de que forma pretende apoiar o processo de modernização das Forças Armadas num segmento cada vez mais determinante, como é o emprego em larga escala de drones com diferentes tipos e funções.

Ao apresentar a UDS, Conrado Báez explicou que a empresa está a mostrar um produto integrado, que define como uma cadeia completa de abate. Em termos práticos, trata-se de um conjunto que utiliza drones desde a deteção e o seguimento até à destruição do alvo e à avaliação dos danos, num cenário de combate pensado para os níveis de batalhão e companhia.

O Forecaster e a munição merodeadora Avenger 5

Em maior detalhe, a empresa deu destaque ao drone de inteligência, vigilância, reconhecimento e aquisição de alvos Forecaster, que opera em conjunto com a munição merodeadora Avenger 5. Ambos continuam em desenvolvimento e avaliação permanentes, numa lógica de sistema aperfeiçoado com base na experiência real de guerra.

Segundo a UDS, trata-se de um sistema “testado e continuamente desenvolvido por operadores da empresa na Ucrânia, num cenário em que não é apenas o caso de o GPS sofrer interferências: simplesmente não há GPS. Não se opera com GPS”.

No caso do Forecaster, este veículo aéreo não tripulado tem uma autonomia de quatro horas e meia e pode transportar diferentes cargas úteis. Ainda que disponha de GPS, a operação em ambientes contestados obrigou ao recurso a tecnologias e funcionalidades associadas que lhe permitem atuar nestas condições.

Conforme explicou Báez à Zona Militar, quando o sistema “começa a detetar que a sua posição inercial se afasta da posição GPS, abandona automaticamente o GPS e prossegue a navegação de forma inercial, corrigindo a posição através de câmaras eletro-ópticas”.

O responsável acrescentou ainda: “O sistema está testado e é desenvolvido de forma permanente por operadores da empresa na Ucrânia, num cenário em que não é apenas o caso de o GPS ser perturbado: simplesmente não existe GPS. Não se utiliza GPS para operar”.

Por sua vez, o Forecaster funciona em combinação com outros meios de ação, como a munição merodeadora - vulgarmente conhecida como drones kamikaze -, que tem uma autonomia de 90 minutos.

“Lança-se a munição com alvos pré-definidos, principais e secundários, ou, em alternativa, redirecionam-se os alvos quando já está em voo. Assim, dispõe-se de uma hora e meia para determinar qual será o alvo mais eficaz para essa munição, em função do tipo de objetivo e das diferentes ogivas explosivas que as munições transportem”, explicou a UDS.

Experiência de combate e interesse para a modernização regional

A participação da UDS na FIDAE 2026 tem também uma dimensão estratégica de entrada no mercado regional. Conrado Báez sintetizou que a presença da empresa procura torná-la mais conhecida na região, abrindo caminho à possibilidade de equipar Forças Armadas e de Segurança.

“A empresa é recente na região e queremos que nos conheçam. Queremos que conheçam não só o produto, mas também a sua qualidade, e que percebam que a empresa traz consigo uma experiência real de combate. Não oferece soluções que não saiba que funcionam. Sabe que funcionam, estão comprovadas e são atualizadas de forma contínua.”

“A expectativa é que cresça bastante, porque hoje apresenta preços extremamente razoáveis. Além disso, existe uma lacuna em toda a América Latina. Há muitos drones de uso dual, civis, que não chegam a ser totalmente militares. Não me interessa falar de modelos, mas, na prática, há muito disso”, afirmou.

Num contexto em que vários países sul-americanos procuram reduzir dependências externas e ganhar autonomia tecnológica, a combinação entre vigilância persistente, ataque de precisão e avaliação de danos torna-se especialmente relevante para missões em fronteira, apoio a operações conjuntas e proteção de infraestruturas críticas.

Outro fator decisivo é a adaptação doutrinária. A eficácia de sistemas não tripulados depende não apenas do equipamento em si, mas também da formação das equipas, da integração com os centros de comando e controlo e da capacidade de manter operações sustentadas em ambientes com forte contestação eletrónica.

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