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Epirus, GDLS e Kodiak AI lançam o Leonidas AGV

Soldado operativo controla drones com tablet perto de veículo militar com equipamento tecnológico em terreno árido.

Leonidas AGV: veículo autónomo contra UAS com interesse crescente na América Latina

Três empresas de referência no setor da defesa - Epirus, General Dynamics Land Systems (GDLS) e Kodiak AI - juntaram esforços para criar uma nova viatura autónoma destinada a missões de combate a veículos aéreos não tripulados: o Leonidas Autonomous Ground Vehicle (AGV). O sistema foi dado a conhecer na mais recente AUSA Global Force Symposium & Exhibition, no Alabama. A Zona Militar falou com Andrew Wargofchik, porta-voz da Epirus, sobre o Leonidas AGV e sobre os planos da empresa para a América Latina.

No caso da Colômbia, Wargofchik explicou que a Epirus mantém conversações com o Ministério da Defesa colombiano sobre o “potencial de integração” da plataforma de micro-ondas de alta potência (HPM) da empresa no “escudo contra UAS” do país.

A empresa acredita que outras forças armadas e entidades de segurança da América Latina também poderão demonstrar interesse nas soluções da Epirus para enfrentar drones utilizados por organizações criminosas e grupos narco-insurgentes. Estes chamados narcodrones podem transportar explosivos, droga ou ser usados em missões de vigilância. A plataforma de micro-ondas de alta potência Leonidas consegue apoiar iniciativas latino-americanas contra UAS concebidas para neutralizar este tipo de ameaça. Segundo Wargofchik, a tecnologia da empresa é “escalável e modular” e opera através da injeção de elevados níveis de energia de micro-ondas num volume preciso de espaço, acoplando-se diretamente à eletrónica das ameaças que se aproximam.

As forças armadas latino-americanas têm revelado um interesse significativo em tecnologias de defesa contra UAV. A Colômbia, por exemplo, procura desenvolver um “escudo nacional” contra UAV, enquanto a Força Aérea do Equador concluiu recentemente um curso de formação dedicado a missões contra UAV.

Num contexto em que as ameaças aéreas de baixo custo se tornam cada vez mais difíceis de rastrear e abater, a mobilidade ganha um peso decisivo. Plataformas capazes de se deslocar com rapidez entre posições, proteger colunas ou reforçar perímetros temporários oferecem uma vantagem clara em territórios extensos, onde a defesa fixa nem sempre responde com a velocidade exigida pelo terreno e pela evolução das rotas de ataque.

A isso junta-se a necessidade de reduzir a exposição das equipas humanas. Um sistema autónomo ou teleoperado pode levar a capacidade de defesa a zonas mais avançadas sem obrigar militares ou agentes de segurança a permanecerem permanentemente na linha da frente. Em cenários de proteção de infraestruturas críticas, aeródromos ou bases expedicionárias, essa combinação de mobilidade, autonomia e potência dirigida pode tornar-se particularmente valiosa.

No que respeita ao Leonidas AGV, a plataforma reúne tecnologias das três empresas: a GDLS fornece a base de camião de utilização comercial, a Kodiak AI disponibiliza o sistema de condução autónoma e a carga útil corresponde ao sistema Leonidas de micro-ondas de alta potência da Epirus, concebido para contrariar ameaças UAV. Num comunicado conjunto, as empresas descrevem o AGV como uma “capacidade móvel contra UAS que pode operar sem intervenção humana ou ser teleoperada para alargar a linha de defesa contra UAS em missões tanto em localizações fixas como em desdobramentos expedicionários”.

O Leonidas AGV pode neutralizar ataques de drones isolados, em enxame ou controlados por fibra ótica, sendo especialmente indicado para proteger múltiplas localizações, incluindo instalações militares e bases operacionais avançadas. De acordo com a Epirus, a integração dos sistemas e das plataformas das três empresas demorou menos de quatro meses.

Quanto ao futuro do Leonidas AGV, Wargofchik confirmou à Zona Militar que as três empresas “planeiam realizar eventos de teste do Leonidas AGV nos próximos meses para continuar a amadurecer o sistema e demonstrar as suas capacidades contra UAS e de tiro em movimento”, sem revelar pormenores adicionais. O porta-voz confirmou ainda que a Epirus estará presente na próxima exposição Sea Air Space, em National Harbor, Maryland, perto de Washington, D.C., para apresentar os seus sistemas à Marinha dos Estados Unidos.

A Zona Militar também quis saber qual tem sido a reação das Forças Armadas dos Estados Unidos ao Leonidas AGV. Em síntese, a resposta foi “esmagadoramente positiva” devido à mobilidade, à autonomia e aos prazos de desenvolvimento comercial do sistema, fatores que “respondem diretamente aos apelos de modernização do Departamento da Guerra e do Exército dos Estados Unidos”. Wargofchik explicou que o “Leonidas AGV é adequado para uma variedade de missões conjuntas, incluindo aplicações de defesa do território nacional no âmbito da JIATF-401”, bem como para a defesa de ativos da Força Aérea dos Estados Unidos e de instalações militares.

A empresa tem continuado a testar e a demonstrar as capacidades do Leonidas através de várias apresentações e ensaios, incluindo uma demonstração com fogo real em dezembro de 2025, num campo de provas do governo norte-americano não identificado. O alvo foi um UAV guiado por fibra ótica, tecnologia que ganhou grande notoriedade na guerra em curso entre a Rússia e a Ucrânia.

Além disso, no ano passado, a 26 de agosto de 2025, a empresa realizou outra demonstração, desta vez contra um enxame de UAV. Segundo a própria companhia, o Leonidas foi testado contra 61 drones em cinco cenários de voo operacionalmente relevantes. O resultado foi considerado muito bem-sucedido, uma vez que o sistema conseguiu inutilizar 61 de 61 drones e derrotar um enxame composto por 49 drones.

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