A Indra apresentou na Feira Internacional do Ar e do Espaço (FIDAE) 2026 os seus principais sistemas de defesa aérea, capacidades antidrone, tecnologias espaciais e soluções de sustentação dirigidas às Forças Armadas da região. A demonstração, realizada em Santiago do Chile, reuniu veículos aéreos não tripulados, satélites, sistemas de gestão do espaço aéreo e ferramentas avançadas de apoio técnico, consolidando a presença da empresa no setor aeroespacial da América Latina. A participação da Indra cobriu várias áreas tecnológicas com o propósito de reforçar a autonomia operacional dos exércitos e impulsionar o desenvolvimento industrial local.
Num contexto em que cresce a necessidade de proteger infraestruturas críticas, grandes eventos e corredores aéreos congestionados, a proposta da Indra procurou mostrar que a defesa moderna depende cada vez mais da integração entre sensores, comando e controlo e sistemas de resposta rápida. Essa abordagem multidomínio responde a cenários em que a identificação precoce de ameaças e a coordenação entre diferentes plataformas se tornam decisivas para a segurança.
Indra na FIDAE 2026: antidrone, defesa aérea e espaço
Um dos pontos centrais foi a integração do sistema antidrone C-UAS CROW no dispositivo oficial de segurança da FIDAE, operado pela Força Aérea do Chile, que o utilizará para detetar e neutralizar aeronaves não tripuladas sem autorização. A empresa agendou visitas guiadas ao posto de comando de segurança para demonstrar o funcionamento do sistema, que já dispõe de experiência operacional em diferentes países e foi colocado em serviço pelo Exército do Ar e do Espaço de Espanha. Este mesmo sistema foi utilizado durante a cerimónia de tomada de posse presidencial no Chile, a 11 de março, como parte do dispositivo de segurança do evento.
Como novidade tecnológica, a Indra apresentou a integração do C-UAS com os sistemas convencionais de gestão de tráfego aéreo e de gestão de drones (ATM-UTM), o que melhora a distinção entre voos autorizados e ameaças reais. Esta capacidade combinada permite reforçar a vigilância do espaço aéreo em ambientes complexos e em áreas com grande movimento de aeronaves. A empresa salientou que o sistema é utilizado por Forças Armadas de vários países e que a sua implementação em cenários operacionais contribuiu para aperfeiçoar a sua arquitetura de defesa face a ameaças emergentes.
Radares Lanza 3D, AirDef e controlo do espaço aéreo
No domínio da defesa aérea, a empresa expôs a sua família de radares Lanza 3D, reconhecida internacionalmente pelo desempenho na vigilância e no controlo do espaço aéreo. Entre os equipamentos apresentados destacaram-se os radares LTR-20 e LTR-25, sendo este último integrado no componente destacável da NATO e utilizado por países como Espanha, o Reino Unido e as Forças Armadas da Ucrânia. A Indra mostrou também o seu sistema de comando e controlo aéreo AirDef, que oferece elevados níveis de interoperabilidade com aeronaves de última geração através de ligações táticas de dados como o Link 16, e que foi apresentado numa sala imersiva que reproduz condições reais de operação de um centro de controlo.
Centros de Apoio em Serviço e sustentação 4.0
Outro elemento relevante da presença da Indra na FIDAE foi a implementação de Centros de Apoio em Serviço (ISSC) em vários países latino-americanos, com o objetivo de reforçar a autonomia técnica e a disponibilidade operacional de equipamentos militares. Estes centros prestam serviços de engenharia, manutenção e apoio logístico avançado, permitindo reduzir dependências externas e aumentar a eficiência operacional dos utilizadores finais. Além disso, integram soluções de sustentação 4.0, como o assistente remoto com óculos holográficos, que facilita a colaboração de especialistas na reparação de sistemas e plataformas complexas.
Esta aposta em sustentação avançada também é relevante para as forças que operam em áreas extensas ou afastadas dos principais centros logísticos. Ao aproximar a assistência técnica do local de operação, a Indra procura reduzir tempos de imobilização, melhorar a prontidão dos meios e apoiar programas de modernização com maior continuidade ao longo do ciclo de vida dos equipamentos.
VANT TARSIS, comunicações por satélite e satélite Vorax
No segmento dos sistemas aéreos não tripulados, a Indra apresentou o drone TARSIS do tipo ISTAR, isto é, de inteligência, vigilância, aquisição de alvos e reconhecimento, que se distingue pela sua modularidade e pela capacidade de adaptação a diferentes perfis de missão. Na área das comunicações por satélite, a empresa mostrou os seus terminais desenvolvidos para garantir conectividade segura e resiliente em cenários operacionais exigentes. Apresentou ainda o satélite Vorax, concebido para operar em órbitas baixas (LEO), com uma arquitetura versátil orientada para melhorar as comunicações, a observação da Terra e a soberania digital europeia.
A exposição destas tecnologias sublinha a convergência entre defesa e espaço, um campo onde a disponibilidade de dados fiáveis e a continuidade das comunicações são tão importantes como a capacidade cinética. Em ambientes contestados, a resiliência das ligações e a autonomia dos ativos espaciais tornam-se fatores determinantes para apoiar operações militares, missões de vigilância e gestão de crises.
Capacidades terrestres, BMS e inteligência artificial IndraMind
Por fim, a Indra expôs capacidades associadas ao domínio terrestre e à inteligência multidomínio aplicada à defesa, incluindo o seu sistema de missão para veículos militares, o Battlefield Management System (BMS), o periscópio para veículos blindados, o radar Nemus e as suas soluções de defesa eletrónica terrestre. A empresa realizou ainda uma demonstração imersiva da IndraMind, a sua plataforma de inteligência artificial orientada para otimizar a tomada de decisão e a eficiência operacional em contextos críticos, com aplicações em VANTs, comando e controlo, vigilância marítima, simulação e manutenção de ativos estratégicos. Com a sua presença na FIDAE 2026, a empresa reafirmou o seu papel como parceiro tecnológico para a defesa e a segurança na América Latina.
Cooperação regional e autonomia operacional
A estratégia apresentada em Santiago do Chile também reforça uma tendência mais ampla: a procura de soluções que possam ser integradas em ecossistemas de defesa já existentes sem criar novas dependências tecnológicas. Para muitos países da região, a combinação entre interoperabilidade, formação técnica e capacidade de manutenção local é essencial para garantir que os investimentos em defesa se traduzem em maior prontidão, menor custo operacional e mais soberania tecnológica.
Ao apostar simultaneamente em sensores, plataformas não tripuladas, espaço, sustentação e inteligência artificial, a Indra posiciona-se para responder a missões cada vez mais complexas, nas quais a vantagem operacional depende da ligação entre todos os domínios.
Imagens da Zona Militar.
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