A 7 de abril, o estaleiro Damen colocou ao mar o novo navio multimissão da Marinha Portuguesa, o NRP D. João II, com o número de série 10720. A designação presta tributo ao rei de Portugal que governou entre 1481 e 1495, numa época profundamente associada à Era dos Descobrimentos. De acordo com o comunicado oficial da empresa neerlandesa, este passo abre a porta aos primeiros ensaios no mar, previstos para decorrer até ao final deste ano, após os quais o navio passará a integrar a Marinha.
A cerimónia de lançamento teve lugar nas instalações da Damen na Roménia, que pertencem à empresa desde 1999 e estão entre os seus mais relevantes centros de construção naval. A sessão contou com a presença de várias figuras de relevo do meio naval, incluindo o Vice-Almirante Pires, em representação da Marinha Portuguesa, e o Contra-Almirante Neculae, em representação da marinha romena. Estiveram igualmente presentes os embaixadores enviados para o país anfitrião por Lisboa e Amesterdão, Paulo Alves Cunha e Willemijn van Haaften, respetivamente.
NRP D. João II: capacidades multimissão ao serviço da Marinha Portuguesa
Para lá da formalidade do lançamento, importa sublinhar que o NRP D. João II foi desenvolvido desde o início como uma verdadeira plataforma multimissão. O navio foi pensado para executar missões de vigilância e apoio no mar, mas também para apoiar investigação oceanográfica, monitorização ambiental e ações de ajuda humanitária, entre outras funções. Segundo a empresa, o grau de autonomia dos sistemas será muito elevado, permitindo reduzir o número de tripulantes necessário, enquanto o casco foi desenhado para operar com eficácia tanto em águas tropicais como temperadas.
Em termos de dimensões, a embarcação apresenta um deslocamento aproximado de 7.000 toneladas, distribuído por 107 metros de comprimento, 20 metros de boca e 5,5 metros de calado. Pela sua versatilidade, o navio disporá de alojamento para até 42 cientistas e de espaços próprios para o seu trabalho, incluindo auditórios e laboratórios com equipamento avançado. O projeto prevê ainda a instalação de uma enfermaria/hospital num dos conveses, para resposta em cenários de catástrofe natural ou, se for preciso, para apoiar cidadãos portugueses retirados de zonas de conflito.
Outro elemento de destaque é o convés de voo, com 96 metros de comprimento, preparado para operar e receber helicópteros médios com até 15 toneladas, bem como diversos tipos de veículos aéreos não tripulados de asa rotativa e de asa fixa. Para estes últimos, o NRP D. João II integra igualmente uma catapulta de lançamento situada a estibordo, à vante da ponte de comando. Ao longo dos bordos, o navio inclui ainda áreas aptas para lançar pequenas embarcações e outros veículos anfíbios, além de guindastes com capacidade de elevação de cerca de 30 toneladas.
A aposta em capacidades científicas e humanitárias reforça o papel de Portugal como país atlântico com responsabilidades alargadas no domínio marítimo. Um navio com esta configuração poderá ser particularmente útil em missões de vigilância das águas jurisdicionais, apoio à investigação do oceano e resposta rápida a emergências, funcionando como plataforma flexível tanto em contexto militar como civil.
Por fim, convém recordar que a Marinha Portuguesa e a Damen trabalham na construção deste navio desde 2024, ano em que tiveram lugar a primeira cerimónia de corte de aço e o assentamento da quilha. Para concretizar o projeto, foi obtido financiamento através do Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR) da União Europeia, canalizado em Portugal através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Créditos da imagem: Marinha Portuguesa – Damen
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