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MUAV KUS-FS: a ROKAF avança com o novo drone MALE sul-coreano

Dois militares controlam remotamente um drone de grande porte numa pista de aeroporto com montanhas ao fundo.

A Força Aérea da Coreia do Sul (ROKAF) deu mais um passo na integração de capacidades não tripuladas ao apresentar o primeiro exemplar de produção do MUAV KUS-FS, um veículo aéreo não tripulado da categoria MALE (Medium Altitude Long Endurance) desenvolvido no país e cuja entrada ao serviço operacional está prevista para o início de 2027.

O sistema, concebido pela Korean Air em conjunto com a Administração do Programa de Aquisições de Defesa (DAPA), foi mostrado oficialmente numa cerimónia de apresentação, ou rollout, que assinalou a saída de fábrica do primeiro aparelho de série. Este marco abre a fase de produção e a futura incorporação do modelo na ROKAF, no contexto do reforço das suas capacidades ISR e de operações não tripuladas.

O maior drone MALE da Coreia do Sul até agora

O KUS-FS destaca-se como uma plataforma de grande dimensão no seu segmento, com um peso estimado superior a 5,7 toneladas, comparável ao do MQ-9 Reaper. Isso coloca-o entre os UAV mais volumosos desenvolvidos pela Coreia do Sul. Foi pensado para voar até 12.000 metros de altitude e cumprir missões com até 24 horas de autonomia contínua, dois atributos essenciais para tarefas de vigilância persistente.

O programa começou em 2012, mas enfrentou vários atrasos ao longo do percurso. Em 2020, a Coreia do Sul retomou o desenvolvimento desta aeronave não tripulada de forma mais estruturada. Mais tarde, em dezembro de 2023, a DAPA assinou um contrato de produção no valor de 471,7 mil milhões de won sul-coreanos, o equivalente aproximado a 352,8 milhões de dólares, com a Korean Air - a maior companhia aérea do país - e com duas empresas de defesa especializadas: a LIG Nex1 e a Hanwha Systems. A produção em série iniciou-se oficialmente em janeiro de 2024.

Sensores, vigilância e apoio à consciência situacional

No que toca às capacidades, o drone integra um conjunto de sensores que inclui radar, sistemas electroópticos (EO) e infravermelhos (IR), permitindo-lhe executar missões de reconhecimento e vigilância a distâncias de até 100 quilómetros. A plataforma gera informação em tempo real para ser distribuída por diferentes unidades, uma função que é fundamental para reforçar a consciência situacional em operações conjuntas.

Além da recolha de dados, a combinação destes sensores favorece a deteção de alvos em diferentes condições meteorológicas e de luminosidade, o que aumenta a utilidade do MUAV KUS-FS em cenários de patrulhamento prolongado. Para uma força aérea que procura ampliar a persistência no ar sem depender exclusivamente de aeronaves tripuladas, este tipo de sistema oferece uma resposta mais flexível e menos exposta ao risco.

O aparelho também deverá facilitar a integração com cadeias de comando e controlo mais modernas, permitindo uma circulação mais rápida da informação entre os vários escalões operacionais. Esse aspeto é particularmente relevante em missões de fronteira, monitorização marítima e apoio a operações interarmas.

Parte de uma estratégia maior da ROKAF

O MUAV integra uma estratégia mais ampla da Força Aérea sul-coreana para criar um ecossistema de sistemas não tripulados e de operações combinadas tripuladas-não tripuladas (MUM-T). Em paralelo com o KUS-FS, e com base em informações disponibilizadas por várias fontes abertas, a Coreia do Sul também avança noutros programas, como o KUS-LW (LOWUS), o KUS-FX e ainda os sistemas AAP-150, AAP-220 e MUCCA, todos orientados para expandir as suas capacidades em diferentes segmentos do universo UAV.

Com a saída deste primeiro exemplar e a sua futura entrada em operação, a Coreia do Sul dá um passo importante na consolidação da sua indústria de defesa e na criação de uma frota de drones de grande autonomia. O movimento acompanha a evolução observada em conflitos recentes, onde os sistemas não tripulados assumiram um papel central na condução das operações militares.

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