Os caças F-16 Block 70 da Força Aérea Real do Barém conseguiram os seus primeiros abates contra drones lançados pelo Irão. Este marco não só torna o Barém o primeiro operador do Block 70 a somar vitórias aéreas, como também representa o batismo de fogo do caça-bombardeiro produzido pela Lockheed Martin.
Segundo a informação divulgada pela Lockheed Martin nas suas redes sociais, “um avião de combate F-16 Block 70 operado pela Força Aérea Real do Barém obteve as suas primeiras vitórias aéreas, intercetando e destruindo dois veículos aéreos não tripulados hostis”.
As vitórias aéreas terão sido alcançadas no dia 1 de abril, antes do início da trégua negociada entre os Estados Unidos e o Irão. Os F-16 Block 70 da Força Aérea Real do Barém terão sido obrigados a intervir depois de os veículos aéreos não tripulados terem conseguido ultrapassar as defesas antiaéreas terrestres locais, de acordo com a Aviation Week.
Entre 1 e 2 de abril, as Forças de Defesa do Barém abateram 10 veículos aéreos não tripulados, bem como dois mísseis balísticos lançados pelo Irão. Pelo menos dois desses drones terão sido destruídos pela ação dos caças F-16 Block 70. Várias fontes indicaram que os abates foram efetuados com mísseis ar-ar AIM-9 Sidewinder e AIM-120 AMRAAM.
F-16 Block 70 da Força Aérea Real do Barém: evolução, modernização e primeira utilização em combate
O Reino do Barém foi o primeiro operador do F-16 Fighting Falcon na região do Golfo Pérsico, depois de adquirir F-16C/D Block 40 em dois lotes. O primeiro, composto por 12 caça-bombardeiros, foi acordado em 1987 no âmbito do programa Peace Crown I. Em 1998, foram encomendadas mais 10 unidades, num processo conhecido como Peace Crown II. O batismo de fogo destes aviões ocorreu durante as operações aéreas de Desert Shield/Desert Storm.
Com o passar dos anos, o Barém avançaria com uma nova proposta de aquisição aos Estados Unidos para o então F-16V. O pedido, apresentado em 2017, incluía 19 F-16V; 22 motores F-110-GE-129; 22 radares Northrop Grumman SABR AESA AN/APG-83; 22 computadores modulares de missão; 22 sistemas GPS LN260 EGI; 22 geradores de apresentação IPDG e 38 lançadores LAU-129. O equipamento adicional abrangia ainda um pod de guerra eletrónica Harris AN/ALQ-211 AIDEWS; 42 rádios Raytheon AN/ARC-238 SINCGARS; 22 sistemas IFF avançados AN/APX-126; e 38 lançadores LAU-118A.
A Força Aérea Real do Barém voltaria a abrir caminho com o Fighting Falcon ao formalizar com a Lockheed Martin a compra de 16 exemplares já correspondentes ao atual Block 70, encomenda que foi sendo concretizada ao longo dos últimos anos. As primeiras aeronaves entraram oficialmente ao serviço em março de 2024.
O F-16 Block 70 modernizado aproxima-se do patamar de um caça de quarta geração graças à sua avionica avançada, a um conjunto de sensores que inclui o radar AESA Northrop Grumman AN/APG-83 SABR e o sistema de guerra eletrónica Viper Shield, a uma propulsão mais eficiente e a uma vida útil de 12 000 horas de voo. Além disso, integra o Sistema Automático de Evitamento de Colisão com o Solo (Auto-GCAS), que assume o controlo da aeronave quando deteta um risco iminente de impacto com o terreno e o piloto se encontra incapacitado.
No capítulo ofensivo, o F-16 Block 70 dispõe de um vasto leque de armamento, que inclui mísseis ar-ar e ar-superfície, mísseis de cruzeiro, bombas guiadas e convencionais, rockets de 70 mm, entre outros.
Este episódio reforça também a importância crescente de plataformas multirole modernizadas em cenários de ameaça assimétrica. Em ambientes onde drones e mísseis balísticos podem surgir em simultâneo, a combinação entre radar AESA, guerra eletrónica e armamento de resposta rápida torna-se determinante para defender o espaço aéreo com maior eficácia.
Para o Barém, estas primeiras vitórias aéreas têm ainda um valor simbólico adicional: demonstram a maturidade operacional de uma frota recente e sublinham o peso que um pequeno Estado do Golfo pode ganhar quando integra aviões de combate atualizados numa arquitetura de defesa aérea mais ampla.
Imagem de capa ilustrativa. Créditos: USAF – Richard Gonzalez
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