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China entrega corvetas à Marinha do Camboja e reforça cooperação naval em Ream

Dois oficiais navais de farda branca apertam as mãos junto a um navio de guerra atracado numa doca.

Corvetas Tipo 056C da China e o apoio militar ao Camboja

A China continua a ampliar a sua presença naval no Sudeste Asiático através da entrega de novos navios de guerra à Marinha do Camboja. A primeira corveta, baseada no desenho da classe Tipo 956, chegou a 4 de abril de 2026 à base naval de Ream, no Camboja, no âmbito de um programa de cooperação militar bilateral que tem vindo a ganhar maior profundidade nos últimos anos.

De acordo com informação divulgada por meios de comunicação regionais e mais tarde confirmada pelo Ministério da Defesa da China, a integração destas unidades faz parte de um programa de cooperação entre as duas forças armadas. O porta-voz Zhang Xiaogang sublinhou que esse entendimento “não está orientado contra qualquer terceira parte” nem responde à conjuntura regional actual. A cerimónia oficial de incorporação da primeira unidade decorreu ontem, enquanto uma segunda corveta já se encontra na fase final de preparação e deverá ser entregue em junho.

As embarcações entregues correspondem a uma versão evoluída do projeto chinês Tipo 056, designada Tipo 056C, que incorpora melhorias nos sensores e nos sistemas de defesa. Entre as principais capacidades destaca-se o radar SR2410C AESA, igualmente utilizado em fragatas de maiores dimensões, como as Tipo 054AP, bem como a instalação do sistema de defesa Tipo 63OB CIWS, um canhão Gatling com alimentação por duplo tambor que reforça a resposta contra ameaças de curto alcance.

Com um deslocamento de cerca de 1.500 toneladas, estas corvetas foram pensadas como plataformas multifunções para operações em águas costeiras, incluindo patrulhamento, vigilância, controlo marítimo e missões de segurança. Apesar do porte relativamente reduzido, dispõem de armamento composto por mísseis antinavio de alcance considerável, sistemas de defesa aérea de curto alcance, artilharia naval e capacidades limitadas de guerra antissubmarina, o que lhes confere um perfil de combate equilibrado para cenários litorais.

Num contexto marítimo como o do Sudeste Asiático, onde coexistem rotas comerciais intensas, zonas de pesca e áreas de interesse estratégico, este tipo de navio tem utilidade particular. A sua dimensão, associada a sensores modernos e a um conjunto de armas diversificado, permite responder com agilidade a tarefas de presença naval, dissuasão e segurança, sem exigir a mesma estrutura logística que unidades de maior tonelagem.

Por fim, a informação disponível indica que a entrega destes navios está estreitamente ligada ao desenvolvimento do Centro Conjunto de Apoio e Treino China-Camboja em Ream, inaugurado em abril de 2025. Esta instalação permite a realização de exercícios combinados, ações de formação e operações logísticas. Nesse quadro, a cooperação entre os dois países evoluiu a partir de exercícios conjuntos - como o “Dragão Dourado” - para uma integração mais profunda, que já inclui transferência de equipamento tecnológico.

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