A empresa turca Havelsan apresentou as suas tecnologias de defesa na Feira Internacional do Ar e do Espaço - FIDAE 2026, um dos principais encontros aeroespaciais, de defesa e segurança da América Latina, realizado em Santiago do Chile. Nesta edição, a companhia mostrou o seu portefólio de soluções, que inclui sistemas de comando e controlo, tecnologias de simulação e treino, bem como sistemas autónomos e não tripulados.
Soluções integradas para os novos desafios da defesa moderna
Neste contexto, a Havelsan tem vindo a desenvolver soluções integradas de elevada tecnologia para responder às necessidades em constante mudança dos ambientes de defesa modernos, em linha com a evolução do cenário operacional atual. Partindo desta lógica, a procura já não se resume à introdução de novas plataformas; exige também uma abordagem centrada na interoperabilidade entre os sistemas existentes e na aceleração dos processos de decisão.
A empresa sublinha ainda que a integração entre plataformas, sensores e redes de comando permite reduzir tempos de resposta, aumentar a consciência situacional e facilitar a coordenação entre forças em cenários complexos. Esta orientação ganha particular relevância em operações conjuntas, onde a capacidade de ligar meios diferentes num único ecossistema operacional pode fazer a diferença entre uma atuação reativa e uma resposta verdadeiramente antecipada.
Havelsan e a Força Digital: sistemas autónomos e não tripulados
No domínio dos sistemas autónomos, a empresa apresentou o conceito de “Força Digital”, que integra vários meios não tripulados numa arquitetura em rede. Entre os sistemas em destaque encontram-se os veículos aéreos não tripulados (UAV) BAHA, BOZBEY e BULUT, o veículo terrestre não tripulado (UGV) BARKAN e o veículo de superfície não tripulado armado (AUSV) SANCAR. Este ecossistema permite uma atuação coordenada entre plataformas tripuladas e não tripuladas, reforçando a flexibilidade operacional e a eficácia em missões exigentes.
SANCAR AUSV: capacidade naval em rede e autonomia operacional
No segmento naval, a Havelsan apresentou o SANCAR AUSV, um veículo de superfície não tripulado armado concebido para operar em ambientes de elevada complexidade. Equipado com sensores avançados e capacidades autónomas, pode executar missões de vigilância, patrulhamento, guerra de superfície e contramedidas antiminas sem intervenção direta de pessoal. Integrado segundo padrões da OTAN e assente no sistema ADVENT C4ISR, o SANCAR permite operações em rede e coordenação com plataformas tripuladas.
BARKAN: apoio tático no terreno, vigilância e logística
No domínio terrestre, o UGV BARKAN foi apresentado como uma solução orientada para missões de reconhecimento, vigilância e apoio logístico. O seu desenho modular e a aposta na potência de fogo permitem-lhe desempenhar tarefas como vigilância tática, evacuação médica e deteção CBRN.
Além disso, a arquitetura modular do BARKAN facilita a adaptação a diferentes perfis de missão, permitindo integrar cargas úteis e configurações específicas consoante o tipo de operação. Esta versatilidade é particularmente útil em cenários em que a mobilidade, a proteção da guarnição e a capacidade de operar em zonas de risco são fatores decisivos.
BAHA: vigilância aérea autónoma com capacidade VTOL
No domínio aéreo, a Havelsan apresentou o UAV BAHA, um sistema autónomo com capacidade VTOL otimizado para missões ISR. A sua arquitetura modular e a capacidade de operar em ambientes sem sinal GPS tornam-no adequado para cenários complexos, enquanto a integração com outros sistemas não tripulados reforça o seu papel em operações coordenadas e em rede.
Presença regional e cooperação de longo prazo
A participação da Havelsan na FIDAE 2026 insere-se numa estratégia regional destinada a reforçar a sua presença na América Latina, promovendo a cooperação de longo prazo, a transferência de tecnologia e a adaptação das suas soluções aos requisitos específicos dos utilizadores locais.
Ao apostar numa relação mais próxima com os mercados latino-americanos, a empresa procura também criar bases para projetos conjuntos, formação operacional e apoio técnico continuado. Esta abordagem pode contribuir para acelerar a adoção de tecnologias avançadas e para consolidar capacidades de defesa com maior autonomia e sustentabilidade na região.
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