Compra do F-15EX pela Força Aérea da Indonésia fica praticamente abandonada
Poucos dias depois de ter confirmado a receção dos seus primeiros caças Rafale fabricados em França, a Força Aérea da Indonésia terá decidido não avançar com a compra de novos F-15EX Águia II construídos pela Boeing, com a empresa norte-americana a tratar agora o negócio como praticamente morto após mais de dois anos de negociações bloqueadas. A evolução foi revelada por Bernd Peters, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócio e Estratégia da Boeing, que, durante o Salão Aeronáutico de Singapura, afirmou que a venda da aeronave ao país asiático já não constitui uma “campanha ativa”.
Convém recordar que, desde 2022, a Força Aérea da Indonésia tinha autorização do Departamento de Estado dos EUA para avançar com a aquisição de caças F-15EX, enquanto, em 2023, o acordo parecia encaminhar-se firmemente para a conclusão, com o compromisso formal de Jacarta para comprar uma frota de 24 aeronaves. A Indonésia chegou mesmo a assinar um Memorando de Entendimento durante uma visita de altos responsáveis indonésios à unidade de produção da Boeing em St. Louis, no Missouri, o local onde os aviões teriam sido fabricados.
Por outro lado, embora não tenha sido emitida qualquer declaração formal pelo governo indonésio sobre o assunto, analistas norte-americanos começaram a especular sobre as razões que poderão ter levado ao insucesso da compra. Entre as principais hipóteses está o facto de a recente aquisição de 42 Rafale poder ter esgotado a capacidade financeira do país para avançar em paralelo com uma compra de F-15EX, enquanto os prazos de entrega também são vistos como outro possível ponto de atrito - podendo até inviabilizar uma aquisição repartida de ambas as plataformas em números mais reduzidos.
Além disso, importa assinalar que, no final de janeiro, o país recebeu os seus primeiros três Rafale F4, depois de concluído o longo voo de transferência a partir de França, permitindo oficialmente à Força Aérea iniciar a incorporação da nova frota, que acabará por totalizar 30 aeronaves monoposto e 12 biposto. Esta frota irá complementar uma força atualmente composta sobretudo por F-16 modernizados para o padrão Viper, bem como por caças Su-27 e Su-30, que alegadamente enfrentam constrangimentos operacionais devido às sanções impostas à Rússia pela guerra na Ucrânia. Ainda assim, estas capacidades colocam a Indonésia entre os países do Sudeste Asiático com o poder aéreo mais robusto.
Por fim, como outro fator que poderá ter enfraquecido as perspetivas do F-15EX na Indonésia, vale a pena recordar que o país também reafirmou o seu compromisso de adquirir até 48 caças TAI KAAN de quinta geração, produzidos pelo complexo industrial de defesa da Turquia, que espera receber nos próximos 120 meses. Além disso, diz-se que a Indonésia continua interessada no caça KF-21 da Coreia do Sul, o que representaria, sem dúvida, um pesado encargo para as finanças públicas e para as cadeias logísticas necessárias para operar uma gama tão vasta de tipos de aeronaves.
Imagens usadas apenas para fins ilustrativos
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