Os planos da BYD estão cada vez mais arrojados: segundo a Reuters, o fabricante chinês definiu como meta que, até 2030, metade das suas vendas seja realizada fora da China.
Trata-se de um objetivo muito exigente. Em 2024, das 4,27 milhões de unidades vendidas pela BYD em todo o mundo, cerca de nove em cada dez foram colocadas no mercado chinês. Isso significa que, para chegar a essa fasquia, a marca terá de aumentar de forma muito significativa as vendas no resto do globo.
Não ficou claro se a empresa comunicou aos investidores uma estimativa concreta para o número total de automóveis que pretende comercializar a nível mundial no final da década. Ainda assim, se projetarmos os resultados de 2024 para os próximos anos e o plano for bem-sucedido, a BYD poderá aproximar-se dos níveis da Toyota e do Grupo Volkswagen, que hoje ocupam os lugares cimeiros entre os maiores construtores automóveis do mundo.
Segundo uma fonte próxima da empresa, a BYD acredita dispor dos modelos certos para repetir, noutros mercados, o sucesso que já alcançou na China.
A expansão internacional da BYD passa pela Europa e pela América Latina
Apesar da ambição, o plano parece ter sido preparado com cuidado. Fontes ouvidas indicam que o crescimento internacional da BYD deverá assentar sobretudo na Europa e na América Latina, com a presença europeia a assumir um papel central nesta estratégia.
Para tornar essa aposta viável, a marca terá de combinar produção local, adaptação dos produtos e uma rede comercial mais robusta. Em mercados tão competitivos como os europeus, não basta vender carros: é também necessário garantir assistência pós-venda, disponibilidade de peças e uma imagem de marca capaz de inspirar confiança junto dos consumidores.
Recentemente, a BYD ajustou a sua abordagem na Europa. Segundo a Automotive News Europe, além de veículos elétricos, a empresa passará também a produzir híbridos recarregáveis nas duas fábricas que irá ter na Hungria e na Turquia.
Essa mudança surge em resposta ao aumento da procura por esta motorização. Só no primeiro trimestre de 2025, os híbridos recarregáveis representaram 38% das vendas da marca na Europa, de acordo com a Dataforce.
A BYD já indicou que todos os modelos vendidos na região terão uma variante híbrida até 2026. Além disso, a empresa quer reduzir para três a quatro meses o intervalo entre o lançamento das versões elétricas e híbridas e, mais tarde, encurtá-lo ainda mais.
Os números da BYD mostram a dimensão do desafio
Independentemente da via escolhida, a BYD tem apresentado um crescimento muito forte nos últimos anos. Em 2020, tinha vendido menos de 430 mil veículos; em 2024, ultrapassou os 4,27 milhões, tornando-se já o quarto maior fabricante automóvel do mundo.
Na Europa, as vendas quadruplicaram no primeiro trimestre de 2025, o que permitiu à marca alcançar uma quota de 4,1% no mercado de veículos elétricos, segundo a Rho Motion.
Fontes próximas da empresa asseguram que a confiança da BYD nesta nova meta assenta no crescimento explosivo registado na China ao longo dos últimos cinco anos. No ano passado, a marca ultrapassou a Volkswagen e passou a liderar as vendas no país.
Se conseguir manter este ritmo de expansão e consolidar a sua presença fora da China, a BYD poderá redefinir o equilíbrio do setor automóvel global. Mas a passagem de uma liderança doméstica para uma afirmação verdadeiramente mundial raramente é simples: exige escala, investimento contínuo e capacidade de adaptação a mercados muito diferentes.
Conseguirá a BYD cumprir o objetivo traçado para 2030?
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