Saltar para o conteúdo

O exercício CANDU IV mostrará a importância, bem como as capacidades, de que as Forças Armadas precisam para proteger alvos estratégicos.

Militar em uniforme com headset analisa modelo tridimensional iluminado de cidade numa sala de comando.

A nova edição do exercício CANDU volta a colocar em destaque um ponto central: a proteção de alvos estratégicos exige meios, preparação e coordenação à altura da ameaça. No CANDU IV, o movimento de pessoal e de meios terá lugar em vários pontos da província de Buenos Aires, com foco na infraestrutura crítica ali instalada.

Com a legislação em vigor, as Forças Armadas ganharam mais margem para atuar na proteção de objetivos de valor estratégico, essenciais para a normalidade da vida nacional. Essa tarefa não é feita isoladamente; pelo contrário, é habitual a atuação em conjunto com várias agências federais com jurisdição sobre estas infraestruturas de valor crítico.

Foi assim que, ao longo de 2025, as Forças Armadas argentinas, e em particular a Força de Desdobramento Rápido do Exército Argentino, executaram uma série de manobras em torno de diversos objetivos de valor estratégico (OVE) em diferentes pontos do país: o Complexo Nuclear Atucha, em Buenos Aires; a Central Nuclear Embalse, em Córdoba; o Centro Espacial Teófilo Tabanera e a FM Río Tercero, em Córdoba; vários complexos hidroelétricos em Córdoba, entre outros.

A evolução natural do exercício aponta para que o CANDU deva avançar para outras áreas de alto valor estratégico para a Argentina, como a Patagónia ou o noroeste, por exemplo.

Energia, tecnologia e comunicações

CANDU I, II e III centraram-se sobretudo na recuperação de objetivos de valor ligados à produção de energia ou à gestão de tecnologia estratégica, como a aeroespacial. Para o CANDU IV, o cenário de trabalho aponta para a proteção de nós de comunicação. Neste caso, a estação de aterragem dos cabos submarinos em Las Toninas é um exemplo claro de OVE sobre o qual um potencial adversário poderia atuar.

Neste quadro, espera-se que os vários elementos da Força de Desdobramento Rápido (FDR) desenvolvam uma série de ações complementares, o que permitirá abordar diferentes frentes e momentos. Tendo em conta que na zona estão sediadas unidades blindadas e mecanizadas do Exército Argentino, é possível que essas forças complementem a FDR nos esforços previstos para o CANDU IV.

Sem entrar em detalhes sobre quantidades de meios e de pessoal, o CANDU IV marcará um marco com a eventual participação destas frações de cavalaria e infantaria mecanizada, elementos pesados que não estiveram presentes nas edições anteriores. Isto mostra, além das ações executadas pela FDR, um aumento da complexidade dos exercícios. Vale também destacar o esforço logístico que o CANDU IV exigirá, devido ao deslocamento e ao apoio no terreno de unidades sediadas a centenas de quilómetros dos objetivos.

À espera de novas capacidades

Exercícios como o CANDU IV também servem para evidenciar a necessidade de incorporar novas capacidades, iniciativas que deverão concretizar-se no âmbito de um processo amplo e contínuo de modernização das Forças Armadas. Nestas ocasiões, apesar do esforço de meses que depois se traduz em exercícios como o CANDU, ficam igualmente expostas as limitações com que é preciso trabalhar. Entraves que muitas vezes ultrapassam o trabalho e a vontade demonstrados pelo pessoal no terreno.

A incorporação das primeiras remessas de caças F-16 e de VCBR 8×8 Stryker pode ser vista como um passo inicial, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Numa visão atual, muitos perguntar-se-ão por capacidades hoje consideradas básicas, como defesa antiaérea de muito curto, curto e médio alcance, sistemas anti-drones, bem como o uso de veículos não tripulados de todos os tipos, comunicações, ciberdefesa, guerra eletrónica, meios para reforçar a capacidade de combate noturno, entre outras.

Sem ir mais longe, o desdobramento da Aviação do Exército expõe uma necessidade urgente no que diz respeito a meios de asas rotativas, face ao desgaste inevitável e ao custo cada vez mais elevado de operar os veteranos Bell UH-1H. Em cada edição do CANDU, os helicópteros têm demonstrado a utilidade deste tipo de plataforma, sobretudo pela sua flexibilidade.

É por esta razão que o CANDU IV volta a ganhar relevância, não apenas pela dimensão do desdobramento e pelo empenho investido, mas também pelo seu impacto mediático ao expor perante a opinião pública e o poder político porque é necessário contar com Forças Armadas MOTIVADAS, TREINADAS e BEM EQUIPADAS. Poucas vezes por ano surgem estas oportunidades, pelo que desperdiçá-las seria mesquinho.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário