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Coreia do Sul inicia a montagem final do primeiro C-390 Millennium ao abrigo do programa LTA-II

Dois engenheiros analisam planos junto a um avião numa hangar de manutenção com bandeiras do Brasil e Coreia.

No âmbito do programa LTA-II do Ministério da Defesa da Coreia do Sul, a Embraer anunciou o arranque da montagem final do primeiro avião de transporte táctico C-390 Millennium destinado à Força Aérea da República da Coreia. A confirmação pública foi feita no Singapore Airshow 2026, onde foi indicado que a aeronave entrou na fase final de integração e nos ensaios de pré-voo, antes da realização do seu voo inaugural.

LTA-II (“Large Transport Aircraft II”): investimento e decisão estratégica de Seul

A escolha do C-390, formalizada em dezembro de 2023, enquadra-se no concurso “Large Transport Aircraft II” (LTA-II), através do qual Seul decidiu aplicar 544,4 milhões de dólares norte-americanos (USD) para reforçar a sua frota de transporte aéreo. A preferência pela solução da Embraer face a propostas de outros grandes fornecedores internacionais evidencia a confiança sul-coreana na capacidade tecnológica e no desempenho operacional do fabricante brasileiro.

Este passo assume ainda um significado particular para a cooperação bilateral entre o Brasil e a Coreia do Sul, ao posicionar o país asiático como o primeiro operador regional do C-390 Millennium.

C-390 Millennium na Força Aérea da República da Coreia: integração, ensaios e preparação para o primeiro voo

Ao divulgar o avanço do programa, o Presidente e CEO da Embraer Defense & Security, Bosco da Costa Junior, sublinhou a relevância do marco, referindo que o progresso do primeiro C-390 Millennium da Coreia do Sul “demonstra a eficiência e a maturidade da nossa linha de produção, bem como a força da nossa parceria com a DAPA, a Força Aérea da República da Coreia e os nossos fornecedores coreanos”. Acrescentou ainda que a cooperação industrial com a Coreia do Sul está a evoluir de forma consistente, reforçando a cadeia global de fornecimento da Embraer num período particularmente importante de aumento de cadência produtiva.

Para além do simbolismo industrial, a fase de integração e testes de pré-voo é determinante para validar sistemas, processos e procedimentos que antecedem a campanha de ensaios em voo, garantindo que a aeronave cumpre os requisitos definidos no programa LTA-II e as necessidades operacionais do utilizador final.

Memorando de Entendimento na ADEX 2025 e cooperação industrial com a DAPA

A parceria entre a Embraer e a Coreia do Sul ganhou um impulso decisivo em outubro de 2025, quando foi assinado um Memorando de Entendimento durante a ADEX 2025. O acordo, celebrado entre a Defense Acquisition Program Administration (DAPA) e a Embraer, estabeleceu as bases para uma cooperação tecnológica e industrial de longo prazo.

Entre os pontos centrais, ficou prevista a participação de empresas sul-coreanas na cadeia de produção do C-390, bem como o desenvolvimento conjunto de competências em áreas essenciais, incluindo manutenção, formação e apoio logístico. Este modelo de colaboração procura aumentar a autonomia de suporte ao longo do ciclo de vida e consolidar capacidades locais alinhadas com os objectivos do programa.

Um aspecto particularmente relevante deste tipo de acordos é a criação de rotinas de interoperabilidade e de sustentação, que tendem a reduzir tempos de indisponibilidade e a facilitar a operacionalização de novas plataformas, sobretudo quando acompanhadas por planos de treino e por estruturas de suporte bem definidas.

Expansão internacional do C-390 e impacto para a indústria aeroespacial brasileira

A entrada do C-390 Millennium na Força Aérea da República da Coreia soma-se a uma lista crescente de países que seleccionaram a aeronave: Brasil, Portugal, Hungria, Países Baixos, Áustria, Chéquia, Suécia, Uzbequistão, Eslováquia e Lituânia. Este conjunto de escolhas reforça o sucesso de exportação do produto da Embraer e constitui um marco de relevo para a indústria aeroespacial brasileira.

Ao mesmo tempo, a adopção do C-390 por um novo operador numa região com elevadas exigências operacionais tende a contribuir para a consolidação do programa, ao ampliar a base de utilizadores, estimular sinergias de suporte e dar maior escala às redes de fornecimento e manutenção associadas à aeronave.

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