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A partir desta idade, homens e mulheres são considerados verdadeiramente maduros.

Casal sentado no chão a planear finanças em casa, felizes, com calendário e calculadora na mesa de madeira.

Muitos casais não discutem por causa do dinheiro ou da casa, mas por causa de algo que não se vê: a maturidade interior. Uma sondagem antiga, frequentemente citada, tem alimentado debates há anos porque apresenta um número muito claro - e uma diferença marcada entre homens e mulheres. Ao mesmo tempo, descobertas mais recentes da investigação cerebral mostram que, por detrás da sensação de “imaturidade emocional”, há mais do que simples comodismo.

O que significa, afinal, maturidade emocional

Antes de falar de números, é preciso esclarecer o conceito: o que queremos dizer quando afirmamos que alguém é “emocionalmente maduro”? Não se trata de a pessoa ter deixado de saber divertir-se, mas sim de quão bem lida com as emoções e com a responsabilidade.

  • perceber e nomear as próprias emoções
  • não explodir impulsivamente nem fechar-se em conflitos
  • assumir responsabilidade pelo próprio comportamento
  • tomar decisões tendo o futuro em conta
  • respeitar os limites e as necessidades dos outros

A maturidade emocional mostra-se menos nas grandes palavras e mais nas pequenas decisões do dia a dia - sobretudo nas relações.

Quem ainda reage de forma muito juvenil tende a empurrar os problemas para o lado, a evitar conversas incómodas ou a passar a responsabilidade para o parceiro. É precisamente isso que aparece em muitos inquéritos sobre casais - e, muitas vezes, com uma diferença nítida entre os sexos.

A sondagem muito debatida: as mulheres chegam lá muito antes

Uma sondagem publicada em 2013, encomendada pelo canal de televisão Nickelodeon, ajudou a colocar a maturidade emocional no centro da discussão. Foram inquiridos adultos no Reino Unido, que tiveram de avaliar a sua própria maturidade e a do parceiro.

O resultado soa quase como um convite a discussões de casal: em média, as mulheres indicaram que “chegaram” emocionalmente no início dos 30, enquanto os homens demoraram bastante mais.

Grupo Idade da maturidade emocional plena (indicação da sondagem)
Mulheres 32 anos
Homens 43 anos

Onze anos de diferença - isso parece muito, mas, aparentemente, reflete várias experiências do quotidiano. E o mais interessante: não são apenas as mulheres que olham para os homens de forma crítica; muitos homens também o fazem.

  • Cerca de oito em cada dez mulheres inquiridas consideram que os homens nunca largam por completo o seu “menino interior”.
  • Cerca de um em cada quatro homens inquiridos classifica-se a si próprio como emocionalmente imaturo.

Esta sondagem teve um formato mais ligeiro do que científico; não foi uma experiência rigorosa. Ainda assim, ajuda a ilustrar uma sensação que muitos casais conhecem bem: um parece ser o “adulto” da relação, enquanto o outro lembra mais um colega de casa com desculpas pouco convincentes.

Maturidade emocional nas relações: quando a relação parece parentalidade a solo

Nas respostas dos participantes surge um padrão repetido: muitas mulheres descrevem que acabam por assumir, no dia a dia, a “carga” emocional e organizativa.

  • Tomam a maioria das decisões importantes.
  • Mantêm sob controlo os prazos, as finanças e a organização familiar.
  • São o primeiro ponto de contacto para assuntos emocionais.

O resultado é este: a relação amorosa vai-se transformando, aos poucos, numa distribuição desequilibrada. Um lado planeia, antecipa e suporta; o outro reage - ou afasta-se.

Quando uma parceira começa a sentir-se mais como mãe substituta do que como companheira, a relação entra numa assimetria difícil de corrigir.

Os números citados na sondagem são claros:

  • Quase um quarto das mulheres inquiridas sente-se deixado sozinho quando precisa de tomar decisões importantes.
  • Três em cada dez dizem ter terminado uma relação por falta de maturidade emocional do parceiro.
  • Quase metade já teve, em algum momento, a sensação de estar mais numa função de cuidadora do que numa relação de parceria.

Esse desequilíbrio torna-se pesado com o tempo. O dia a dia só funciona porque uma pessoa está continuamente a ultrapassar os próprios limites - e, por dentro, cada vez mais esgotada.

Até onde vai o estudo - e quais são os limites?

A sondagem da Nickelodeon dá bons títulos, mas não substitui um estudo de longo prazo com base sólida. O universo de inquiridos era reduzido, as perguntas tinham um tom mais divertido e o contexto cultural era britânico. Mesmo assim, a sondagem chama a atenção para um tema que tem um papel central em muitas consultas de terapia de casal.

A situação torna-se ainda mais interessante quando estes dados da experiência são cruzados com conclusões da investigação cerebral. Investigadores da Universidade de Cambridge, por exemplo, defendem que o cérebro humano atinge o seu pico funcional por volta do início dos 30 anos.

Em torno dos 32 anos, considera-se especialmente amadurecidas as áreas responsáveis por capacidades como:

  • ponderar consequências
  • controlar impulsos
  • planear e organizar
  • regular emoções intensas

Ou seja: a partir do início dos 30, o cérebro já não funciona como o de um adolescente, mas como o de um adulto “com todas as peças”. Isso não quer dizer que toda a gente passe a agir com sensatez automaticamente nessa idade. Quer apenas dizer que a base neurológica existe - o que fazemos com ela depende da personalidade, da educação, do ambiente em que vivemos e da nossa própria disponibilidade.

Porque é que muitos homens são vistos como mais tardios a amadurecer

Porque é que tantas pessoas consideram que os homens amadurecem mais tarde? Parte da resposta está no social. Os rapazes recebem, muitas vezes, mensagens diferentes das raparigas:

  • Mostrar emoções continua a ser visto, em muitos contextos, como sinal de fraqueza.
  • Os conflitos são resolvidos mais pela competição do que pela conversa.
  • A organização do quotidiano e o trabalho de cuidado são menos frequentemente atribuídos aos rapazes.

Quem cresce assim aprende a impor-se, mas não necessariamente a lidar bem com as próprias emoções ou com o trabalho relacional. Quando um homem adulto continua a reprimir sentimentos, evita conflitos e adia decisões, isso soa infantil à parceira - mesmo que, no trabalho, já carregue responsabilidades há muito tempo.

A maturidade emocional não é uma questão de rendimento, mas de comportamento: como lido com a proximidade, os conflitos e a responsabilidade?

O que os casais podem fazer na prática

A boa notícia é esta: a maturidade emocional não é destino, é algo que pode mudar. As pessoas conseguem ajustar o seu comportamento quando estão dispostas a observar-se e a praticar. Algumas medidas que costumam resultar bem na terapia de casal são:

  • marcar conversas regulares e fixas, em que o tema não seja a logística, mas sim os sentimentos
  • distribuir as tarefas do dia a dia de forma clara - incluindo responsabilidade, e não apenas “ajuda”
  • combinar de forma intencional: quem trata de que decisões, quem informa quem e de que maneira?
  • procurar terapia individual ou acompanhamento, quando os padrões antigos estão muito enraizados

Em especial, muitos homens beneficiam de ter um espaço seguro onde aprendem a falar sobre o que se passa por dentro. Muitos percebem então que isso alivia a tensão e torna as relações menos pesadas, quando já não é preciso fugir constantemente.

Ser maduro não é deixar de se divertir

Um equívoco comum é este: quando alguém se torna mais maduro emocionalmente, perde leveza. Na prática, muitas vezes acontece o contrário. Quem assume responsabilidade, toma decisões e fala dos conflitos traz mais clareza à relação. Com isso, baixa o nível de stress constante - e é precisamente aí que sobra espaço para humor, espontaneidade e proximidade.

Um exemplo simples: a diferença entre “um dia destes falamos sobre férias” e “vamos hoje à noite analisar as opções durante 20 minutos e depois reservar” parece pequena, mas muda muito a perceção da parceira. De repente, ela já não tem de suportar tudo sozinha na cabeça; sente que os dois estão mesmo a remar na mesma direção.

Também expressões como “inteligência emocional” podem soar técnicas, mas descrevem algo muito quotidiano: quem percebe quando o próprio estado de espírito está a mudar e o diz abertamente (“Estou irritado neste momento, deixa-me acalmar um pouco”) parece mais adulto do que alguém que se cala, explode e depois age como se nada tivesse acontecido.

A longo prazo, estas competências compensam - tanto na vida pessoal como no trabalho. As equipas funcionam melhor quando os membros assumem responsabilidade e conseguem lidar com críticas. As crianças sentem-se mais seguras quando os pais não saem do papel ao mínimo stress. E os casais suportam melhor a tensão quando nenhum dos dois fica preso no modo adolescente.

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