Contrato com a Leonardo S.P.A. fechado após mais de um ano de negociações
A Zona Militar vinha acompanhando os passos dados neste longo processo de aquisição, que exigiu mais de um ano de negociações com a Leonardo Helicopters e atingiu o seu ponto mais delicado quando a compra não foi concretizada pelas autoridades do governo anterior. Depois, foi necessário aguardar vários meses até que as atuais autoridades do Ministério da Defesa dessem luz verde para retomar a aquisição do terceiro Agusta Bell AB-412 para a Aviação Naval.
O contrato foi assinado a 19 de novembro, nas instalações do Ministério da Defesa Nacional, entre o Comando-Geral da Armada, através do Comandante da Aviação Naval, e a empresa italiana Leonardo S.P.A. Na cerimónia estiveram também presentes as mais altas autoridades do Ministério da Defesa Nacional e da Armada Nacional, como a Ministra Sandra Lazo, o Subsecretário Joel Rodriguez e o Comandante-em-Chefe da Armada, Almirante José Elizondo.
O novo helicóptero deverá juntar-se aos outros dois Agusta Bell AB412HP, sendo exatamente o mesmo modelo dos anteriores, também proveniente da Guardia di Finanza de Itália. Neste caso, porém, as condições de negociação acabaram por resultar numa compra muito vantajosa para o Estado, quando comparada com aquilo que o mercado oferece hoje. No contrato anterior, de 2018, por cada helicóptero - também adquirido durante um governo da Frente Ampla - foram pagos cerca de 3.5 milhões de dólares norte-americanos; desta vez, será pago metade, 1.5 milhões de euros (aproximadamente 1.7 milhões de dólares norte-americanos), na condição “como está e onde está”. O novo helicóptero é do ano 2000, mas tem apenas 2.000 horas de voo, um número muito baixo para a sua antiguidade; além disso, serão substituídas as turbinas dos motores, o que permitirá ficar com 2.800 horas remanescentes de turbina (isto permite operar 20 anos seguidos antes da próxima revisão geral, elemento-chave). Está equipado com tudo o que é necessário para busca e salvamento, incluindo guincho de içamento, embora o radar de vigilância Bendix RDR1500 tenha sido desmontado e, em seu lugar, seja instalado um radar ajustado às prestações operacionais da Aviação Naval do Uruguai. Importa salientar que este helicóptero estava a operar em perfeitas condições até ao início deste ano, e a sua desativação ficou dependente de a Guardia di Finanza ter sido modernizada, passando a operar outro modelo de helicóptero. O embalamento e a colocação em palete na origem, para o transporte por navio, bem como a montagem, pintura e afinação do helicóptero no Uruguai, ficarão a cargo de pessoal da Armada. O know-how adquirido pela Aviação Naval com a operação dos outros dois acabou por reduzir as especificações do novo contrato, influenciando favoravelmente o seu custo.
Na página web do Ministério da Defesa Nacional, especifica-se que “os helicópteros AB412HP são aeronaves especialmente equipadas para operações de busca e salvamento, mas também permitem cumprir uma ampla variedade de missões, entre elas a fiscalização de atividades marítimas, fluviais e lacustres. De acordo com o equipamento eletrónico que se prevê incorporar (radar e câmara eletro-óptica, para o qual o helicóptero já dispõe das instalações necessárias, bem como de cabine concebida para operar com óculos de visão noturna – NVG –), e tendo em conta as suas características operacionais, estas aeronaves podem ser empregues numa grande diversidade de tarefas.”
Na Armada existe grande otimismo quanto às boas condições em que a aeronave se encontra, e satisfação por ter chegado a bom porto após um longo e atribulado processo de compra, para um equipamento de que o Uruguai necessita imperiosamente, dado o seu vasto território marítimo e a procura cada vez maior das atividades que nele se desenvolvem. Espera-se que o novo Agusta Bell AB412HP esteja no Uruguai no segundo semestre de 2026.
Fotografia de capa utilizada apenas a título ilustrativo.
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