A transportadora aérea nacional do Zimbabué, a Air Zimbabwe, está a ser alvo de apertado escrutínio parlamentar, na sequência de alegações de corrupção, inexistência de registos sobre aeronaves e erros no apuramento de obrigações fiscais.
Parlamento intensifica escrutínio sobre a Air Zimbabwe
Um relatório do Comité de Contas Públicas, apresentado pelo deputado Wilson Maposa, descreve falhas graves de governação e de gestão financeira. Entre os problemas apontados está a inclusão, nas demonstrações financeiras, de aeronaves que não constam como registadas, o que levanta dúvidas quanto à propriedade e ao controlo efectivo desses activos.
Airbus A320 Z-WPM retido na África do Sul desde 2014
Entre os activos considerados controversos encontra-se um Airbus A320 com matrícula Z-WPM, imobilizado na África do Sul desde 2014. O comité alertou para potenciais riscos jurídicos e financeiros relacionados com a titularidade do avião, bem como para a possibilidade de este vir a ser apreendido, tendo em conta o longo período de estacionamento no Aeroporto Internacional OR Tambo, situação agravada por questões de manutenção e eventuais taxas.
Responsáveis da Air Zimbabwe disseram ao Parlamento que estão em contacto com a South African Airways Technical para clarificar o processo, assegurando que não existem taxas de estacionamento em atraso, apenas custos futuros associados à manutenção.
Falhas fiscais e prazos para entrega de contas
O relatório refere ainda que, relativamente ao ano fiscal de 2019, a Air Zimbabwe não efectuou os cálculos do imposto sobre o rendimento e dos impostos diferidos, nem apresentou declarações trimestrais, o que reforça as preocupações quanto à transparência.
O comité recomendou que a companhia entregue ao Auditor-Geral as demonstrações financeiras em falta até 31 de agosto de 2026 e defendeu a aplicação de medidas rigorosas de responsabilização para os responsáveis pela contabilidade.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário