Um golo de Pau Víctor no Friburgo - Braga reacendeu a crença de um conjunto que soube varrer da cabeça uma expulsão e o abismo de um 3-0.
Início desastroso e o fosso de 3-0
O arranque foi um pesadelo. O Braga desfez-se em campo, ferindo-se a si próprio numa sucessão venenosa de acontecimentos, enquanto o fervor das bancadas parecia virar magma sob os seus pés, num vermelho quase dantesco que expunha, sem rodeios, a falta de maturidade. Muito cedo soou a falha do plano Istambul e, com o 2-0, abria-se um vazio sufocante por cima da esperança trazida para Friburgo. Quando surgiu o 3-0, tudo apontava para um desmoronar emocional - a confissão mais dolorosa de desastre.
Ainda assim, foi precisamente aí que nasceu um brado de renascimento: grandeza e carácter, de mãos dadas até ao fim, numa luta bravia por um prolongamento. Houve Braga. Houve bravura de titãs, guerreiros numa arena que já anunciava uma invasão esmagadora.
Uma segunda mão de imprevisibilidade, mas com castigo impiedoso
A segunda mão foi tomada por uma imprevisibilidade quase alucinada, porém, no desfecho, impôs-se o peso de uma expulsão terrível, de um desacerto inquietante e de uma abordagem demasiado temerária. O castigo acabou por ser impiedoso, apesar de se ver um Braga inconformado, que terminou com mais energia do que aquela com que começou - e com menos um em campo. Ficou a sensação de que qualquer um poderia ter sido um finalista justo, mas o prémio caiu para os da casa.
Antes do intervalo: golpes, sobrevivência e um “calma lá”
Depois de, na primeira mão, ter virado do avesso os golpes recebidos, o conjunto minhoto voltou a ser atingido com violência pelo destino, implacável numa meia-final europeia. Aquilo que vinha de Braga como balão de oxigénio parecia ser arrancado à força, baralhando a bússola de uma personalidade que não se podia deixar abalar. O prejuízo não podia ser mais cruel: Hornicek ficou sem resposta num golo carregado de acidente, entre trambolhões e trapalhadas.
Ainda antes do intervalo, Manzambi agravou o drama de um filme de terror; por momentos, parecia Portugal já despido da esperança de voltar a ver o Braga numa final europeia. Mas, antes do apito para o descanso e para o reencontro consigo próprio, surgiu um “calma lá” a travar os cânticos de euforia alemães. Gómez e Zalazar ficaram incrédulos por não conseguirem colocar a eliminatória empatada - o espanhol, infeliz, atirou uma bola ao ferro.
O Braga resistiu. Já na abertura da segunda parte, aguentou uma enxurrada de bombardeamentos: o poste foi amigo, mas também apareceu o Hornicek supremo.
Segunda parte: controlo, inferioridade numérica e assalto final
Passado o aperto, a equipa de Vicens encontrou claridade para fazer a bola rodar e fugir aos roubos do esférico. Gorby e Moutinho pegaram nas rédeas, fizeram-se notar e surgiram na linha de tiro. Por fim, havia comando de fogo nas intenções guerreiras.
Só que não existia remendo possível para a inferioridade numérica, com transtornos que se iam alargando, sobretudo nas bolas paradas do adversário.
O 3-0 levou o estádio ao delírio, mas, em vinte minutos, esse entusiasmo foi-se desfazendo por mérito total do Braga. Com a dignidade de um golo de honra, as forças dispararam de um lado e caíram do outro, e o Friburgo acabou encurralado. Valeu Atubolu, a negar um prolongamento que foi disputado até à última gota de suor.
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