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Chega: André Ventura diz que reforma laboral e greve geral mostram o fracasso do Governo

Homem de fato e gravata fala para microfones com bandeira de Portugal e pessoas atrás com cartazes vermelhos.

Em conferência de imprensa na sede do Chega, em Lisboa, após uma reunião com os membros do seu "Governo sombra", André Ventura afirmou que, se as propostas de alterações à legislação laboral fossem hoje submetidas a votação, o partido se colocaria do lado do voto contra.

Posição do Chega sobre a reforma do trabalho e a legislação laboral

O presidente do Chega disse esperar que o Governo acabe por recuar em parte do que apresentou, por considerar que "esta é uma má reforma do trabalho e é uma reforma ineficaz para quem trabalha e que penaliza as pessoas que trabalham".

Deixou claro que, no estado actual, o diploma não reúne condições para ter apoio parlamentar. "Portanto, neste momento não pode ter o nosso aval. Se me perguntar se fosse agora, qual era a posição do Chega? Era contra, porque esta não é uma boa reforma do trabalho", declarou.

Reivindicações de André Ventura: idade da reforma, fator de sustentabilidade e Segurança Social

Apesar das críticas, André Ventura voltou a dizer-se disponível para negociar este dossiê com o Governo e apontou algumas exigências do partido, entre as quais a redução da idade da reforma para os 65 anos. Explicou que pretende fazê-lo "com responsabilidade" e de forma faseada, defendendo igualmente a revisão do fator de sustentabilidade.

O líder do Chega rejeitou que esta proposta comprometa a sustentabilidade da Segurança Social e argumentou que "a questão de justiça, a questão intergeracional e mesmo a questão da redução do desemprego jovem, da renovação da economia, são atenuantes no impacto económico desta proposta".

Também sublinhou que o partido não pretende impor condições rígidas nas conversações. "Não fazemos nem bloqueios, nem ultimatos, mas temos, como qualquer força política, a consciência de que há valores fundamentais de que não devemos abdicar. Se é possível, se é necessário gerar mais produtividade, mais crescimento e mais apoio à natalidade, é também preciso garantir que as pessoas que hoje trabalham em Portugal e que já se sentem penalizadas pelos salários baixos e pelos impostos altos, não terão um novo pacote legislativo que ainda lhes imprime mais desvantagem sobre os seus direitos e ainda os aprisiona mais à sua própria situação", defendeu.

Greve geral da CGTP a 03 de junho e críticas ao Governo

Sobre a greve geral convocada pela CGTP para 03 de junho, André Ventura considerou que a iniciativa evidencia o que vê como incapacidade do executivo em conduzir as negociações. Para o líder do Chega, "é o sinal e o sintoma do fracasso do Governo nestas negociações, que de forma intransigente e de forma até indiferente decidiu levar a cabo aquilo que nem sequer é uma reforma laboral, é a mudança de artigos da legislação laboral, que dificilmente se consegue vislumbrar onde vão melhorar a economia, a produtividade, o crescimento económico, e é isso que faz falta, e é isso que as pessoas querem".

Ainda assim, sustentou que "o país não se resolve com greves gerais, resolve-se com avanços, com decisão e com negociação".

Ventura acusou também o Governo de tentar fragilizar direitos essenciais dos trabalhadores. "Não se deve fazer reformas do trabalho contra quem trabalha, deve-se fazer reformas do trabalho em articulação entre quem trabalha e quem gere e decide", concluiu.

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